2022 é um ano de grande importância para a F1 pois começa a muito antecipada nova era, com novos carros, nova filosofia, nova governação. Com tanta novidade é impossível prever o desfecho desta época, mas há pilotos que terão de ter cuidado com as suas performances pois um ano negativo pode significar dores de cabeça para o futuro.
Na Mercedes essa pressão não existe. Lewis Hamilton tem contrato até o final de 2023, é a estrela da equipa, que está completamente do seu lado. A única pressão que existe é a de tentar o oitavo título, o que é uma pressão saudável. George Russell tem contrato também até o final de 2023, mas este é o seu primeiro ano na Mercedes e apesar de haver muita expectativa quanto à sua performance na equipa, o jovem britânico pode encarar esta fase com relativa tranquilidade.
Na Red Bull encontramos o primeiro piloto pressionado. Max Verstappen é a estrela da companhia e tem contrato até 2023, pelo que pode focar-se no trabalho em pista, mas Sergio Pérez termina contrato no final deste ano e tem de mostrar um pouco mais. Foi peça chave na conquista do título por parte de Verstappen, mas não foi muito mais do que um nº2 com altos e baixos. Com Alex Albon a procurar mostrar serviço na Williams, Pierre Gasly também em grande forma na Alpha Tauri e com jovens talentos a despontar como Liam Lawson e Dennis Hauger, o mexicano terá de estar no topo das suas capacidades para não ser ultrapassado pela concorrência.
Outro piloto que está sob pressão este ano é Daniel Ricciardo. Depois de uma época abaixo do esperado, o australiano tem de mostrar que os problemas de adaptação já foram ultrapassados. Para isso, terá de voltar a mostrar o nível que evidenciou em 2020, último ano na Renault e nos tempos da Red Bull. Se Ricciardo não convencer, a McLaren poderá apostar noutro piloto. Pato O´Ward tem mostrado muito potencial na Indy. Gasly poderia ser uma aposta da McLaren. Ricciardo tem ainda dois anos de contrato pela frente, mas um ano ao nível de 2021 poderá levar a McLaren a iniciar namoro com outros pilotos.
Yuki Tsunoda é outro piloto que tem de mostrar serviço este ano. O japonês facilitou na primeira metade do seu ano de estreia e pagou o preço. Agora, com a mentalidade certa para a competição de alto nível, poderá mostrar um pouco mais do seu talento. Mas com Lawson e Hauger a espreitar o lugar, Tsunoda sabe que tem pouca margem para erro, com a Red Bull a querer colocar as duas jovens estrelas na F1 o quanto antes.
Fernando Alonso e Sebastian Vettel terminam contrato este ano mas, olhando às prestações que tiveram no ano passado e ao que trazem às respetivas equipas, a questão será mais colocada ao contrário: será que eles querem ficar na F1? Se a resposta for afirmativa, tudo indica que as equipas deverão renovar contrato, isto se as prestações de ambos se mantiverem em linha do que já fizeram. Caso contrário, as equipas poderão sentir-se tentadas em apostar noutros pilotos. Mais uma vez, Gasly seria uma aposta interessante para a Alpine, por ser francês e por conseguir fazer com Ocon, um alinhamento 100% tricolor. Esteban Ocon renovou contrato recentemente e tem acordo até 2023, pelo que está numa posição relativamente confortável.
Nicholas Latifi e Alex Albon ficam sem contrato no fim deste ano. A situação de Latifi é difícil de ler. Se por um lado traz dinheiro à equipa, o que é sempre importante, por outro, a Williams já afirmou que não procura patrocinadores e que tem a sua situação financeira estável. Assim, a necessidade de um piloto pagante diminuiu e se Latifi não der um salto na sua evolução, pode começar a ser carta fora do baralho. Também Albon tem de mostrar que pode dar mais e se não o fizer pode ficar com o lugar em risco. Pierre Gasly tem sido dos melhores pelo que mantendo o nível terá quase de certeza lugar na F1, na pior das hipóteses, mantendo o lugar atual. Charles Leclerc tem contrato de longa duração e o mesmo deverá acontecer em breve a Carlos Sainz, pelo que a pressão do lado da Ferrari (ao nível contratual) não existe.
Mick Schumacher tem o apoio da Ferrari e fez uma boa época de estreia e, mantendo a evolução, deverá ter o apoio da Scuderia para dar o salto. Já Guanyu Zhou tem apenas um ano de contrato. O facto de abrir o mercado chinês foi importante para a sua entrada, mas se Zhou não der o que é esperado dele (e se a sua entrada não trouxer dividendos à equipa e à F1) pode ficar em apuros. Nikita Mazepin tem o apoio do pai, pelo que não deverá ter problemas em manter-se.
Assim, nomes como Pérez, Ricciardo e Tsunoda são os pilotos que têm de mostrar mais nesta época, havendo outros que, no caso de um ano negativo, podem ver a sua situação piorar.











