A sexta vitória da temporada de Kimi Antonelli foi recebida com particular satisfação no seio da Mercedes, numa corrida que voltou a expor tanto o potencial da equipa germânica como as suas fragilidades técnicas do lado da unidade motriz.
Toto Wolff não escondeu o orgulho no resultado do jovem italiano, mas aproveitou também para abordar um fim de semana agridoce, marcado pelo abandono de George Russell após o incidente com Lewis Hamilton e por problemas de fiabilidade que continuam a comprometer a temporada da equipa. O chefe de equipa austríaco considerou que Antonelli já devia ter vencido em Silverstone caso não tivesse sofrido um abandono, destacando a consistência do piloto durante todo o fim de semana, mesmo nos momentos em que a corrida parecia escapar-lhe das mãos:
“Estou feliz pelo Kimi. Ele mereceu mesmo vencer. Silverstone devia ter sido dele, mas teve um DNF no carro. Hoje, durante todo o fim de semana, esteve muito forte. Nunca falhou. Mesmo quando o VSC jogou contra ele e perdeu a liderança, conseguiu recuperá-la e sustentá-la até ao fim. Mereceu essa vitória.”
Questionado sobre o abandono de George Russell após o incidente com Lewis Hamilton, Wolff assumiu parte da responsabilidade da equipa, apontando para um problema técnico que afetou o desempenho do britânico:
“Foram duas situações. Primeiro, o acidente que aconteceu foi lamentável para nós. Perdemos muitos pontos no campeonato de construtores e o George perdeu pontos no de pilotos. Tivemos um problema em todos os motores Mercedes, faltava-nos potência nas retas. Isso afetou-o muito e a responsabilidade é 100% nossa. Estamos a dar o nosso melhor como equipa. Temos o motor mais potente, um carro forte e capaz de vencer. Todos estão a dar o máximo para minimizar os erros e, ainda assim, acontecem, porque somos humanos a trabalhar. Deixámos o Kimi ficar mal em Silverstone, onde o George conseguiu um pódio, que talvez tenha sido um resultado melhor do que devia. Depois houve um DNF em Montreal, outro em Barcelona. É um pouco a história da nossa temporada. É um desporto técnico, um desporto mecânico.”
Sobre as soluções para os problemas de fiabilidade, Wolff foi claro quanto às prioridades da equipa:
“Chegámos com um produto [motor] que é tão forte que prefiro corrigir a fiabilidade do que acelerar um motor lento, ou um carro lento. Estamos a dar 100% e precisamos de dar 100%, porque perdemos muitos pontos com a fiabilidade. Devíamos estar muito mais avançados do que estamos.”
Por fim, Wolff reforçou o apoio da equipa a George Russell, explicando o incidente como parte natural das corridas e assumindo a partilha de responsabilidades entre equipa e piloto:
“O George tem o nosso apoio total. Tentou pelo exterior, com uma travagem tardia, e devia ter sido a curva dele, mas isso é um incidente de corrida. Estas coisas podem acontecer quer estejas à frente, no meio ou atrás do pelotão. O George teve um fim de semana difícil, provavelmente metade será atribuído ao motor, que não esteve tão bom quanto devia do lado dele, e a outra parte talvez à condução. Mas estamos juntos nisto. Todos cometemos erros. Hoje foi um erro da equipa, noutro dia será um erro do piloto. Só precisamos de os minimizar e de nos apoiarmos uns aos outros.”
Foto: MPSA











