Concluída a primeira semana de testes do Bahrein, com três dias para as equipas desenvolverem os seus monolugares há já algumas conclusões que começam a surgir. É sabido que tirar conclusões nos testes, especialmente no arranque de uma nova era, pode revelar-se perigoso, pois o cenário competitivo pode mudar completamente em Melbourne, palco da primeira corrida. Mas há já traços gerais que deverão ser as tendências nas primeiras corridas.
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— Formula 1 (@F1) February 13, 2026
Primeiro vamos à análise dos números compilados na seguinte tabela:
| Construtor de Unidade Motriz | Equipas Cliente | Voltas Totais Combinadas |
|---|---|---|
| Mercedes | Mercedes (282), McLaren (422), Williams (422), Alpine (318) | 1 444 voltas |
| Ferrari | Ferrari (421), Haas (390), Cadillac (320) | 1 131 voltas |
| Audi | Audi (354) | 354 voltas |
| Red Bull | Red Bull (343), Racing Bulls (327) | 670 voltas |
| Honda | Aston Martin (206) | 206 voltas |
Aqui está a tabela só com equipas e número de voltas no primeiro teste do Bahrein 2026.the-race+1
| Equipa | Voltas |
|---|---|
| Williams | 422 |
| McLaren | 422 |
| Ferrari | 421 |
| Haas | 390 |
| Audi | 354 |
| Red Bull | 343 |
| Racing Bulls | 327 |
| Cadillac | 320 |
| Alpine | 318 |
| Mercedes | 282 |
| Aston Martin | 206 |
Mercedes – preocupação séria ou jogos políticos?
A Mercedes saiu de Sakhir com o melhor tempo absoluto do teste, graças ao 1m33.669s de Kimi Antonelli, confirmando o potencial muito forte da nova unidade motriz alemã em volta lançada. A desvantagem é a baixa quilometragem: apenas 282 voltas, a segunda pior do pelotão, fruto de vários problemas técnicos ao longo dos três dias que impediram um programa totalmente limpo. A equipa chegou ao Bahrein com o rótulo de favorita, mas envolvida numa luta política que envolve a legalidade da sua unidade motriz, com o alegado truque da variação da taxa de compressão. Desde então, a Mercedes tem dito aos quatro ventos que está a enfrentar dificuldades e que os verdadeiros favoritos são a Red Bull. Entretanto, McLaren, Williams e Alpine, também fornecidas pela Mercedes, concluíram o teste com boa nota. Dificuldades sérias ou jogo de bastidores para evitar que a unidade motriz, tal como está, seja tornada ilegal?

Ferrari – sorrisos rasgados
A Ferrari terminar um teste com boas sensações não é novidade. O difícil tem sido capitalizar esse ímpeto e levá‑lo até ao fim da época. A Scuderia parece combinar performance e consistência, com Lewis Hamilton a registar o terceiro melhor tempo global em 1m34.209s e a equipa a fechar o teste com 420 voltas, praticamente ao nível das que mais rodaram. O discurso público mantém‑se cauteloso, mas os números indicam um pacote competitivo e com uma base sólida para o segundo teste no Bahrein. Numa altura em que quase tudo parece indefinido, uma das poucas certezas que temos é que a Ferrari apresentou um carro sólido, com uma base que parece dar confiança para os primeiros meses desta nova era.

McLaren – voltas e mais voltas
A McLaren optou por um teste mais focado em quilometragem do que em voltas rápidas, mas mesmo assim colocou Piastri e Norris dentro do top‑6 de tempos e igualou a Williams no topo da tabela de voltas, com 422 voltas percorridas. A fiabilidade demonstrada e o volume de dados recolhidos sugerem um carro equilibrado, ainda com margem para encontrar mais performance em modo de qualificação. A filosofia da McLaren, assumida publicamente, passa por apresentar um carro‑base nesta primeira fase e implementar melhorias ao longo do ano, à medida que vai conhecendo melhor o monolugar. Do que se viu nesta primeira semana, apesar de a performance não ser ainda o foco, do lado dos fundamentos do carro, tudo parece saudável.

Red Bull – favoritos para o arranque?
A Red Bull não foi a equipa mais rápida em folha de tempos, mas manteve‑se confortavelmente no grupo da frente e completou 343 voltas, com destaque para o comportamento consistente do novo conjunto Red Bull‑Ford. Um problema mecânico que limitou a rodagem de Isack Hadjar mostrou que o pacote ainda não é impecável em termos de fiabilidade, mas a base parece robusto. É de louvar o trabalho que a Red Bull‑Ford apresentou: uma estrutura que, pela primeira vez, coloca a sua unidade motriz em pista e é logo encarada como uma das favoritas, recebe o maior elogio possível. Há construtores com muito mais experiência que não o conseguiram fazer. O rótulo de favoritos pode também ser uma jogada política, mas os sinais em pista mostram uma Red Bull muito longe de um arranque de pesadelo. Veremos o quão perto está do sonho. Dizem que a unidade Red Bull é a que melhor consegue fazer a gestão de energia elétrica. A confirmar-se, é um trunfo de peso.

Haas – discreta, mas com muitas voltas
A Haas sai deste primeiro teste no Bahrein como uma das surpresas discretas da zona média da tabela, combinando 390 voltas com um tempo de referência de 1m35.394s que coloca a equipa num grupo intermédio competitivo. A estrutura liderada por Ayao Komatsu descreve o teste como “no alvo”, sinal de que o programa foi cumprido sem grandes sobressaltos e com indicações encorajadoras. Empurrada pela unidade motriz Ferrari, a Haas parece estar a consolidar o trabalho feito durante o inverno de forma positiva. Talvez seja uma das equipas a ter em conta para a luta no meio do pelotão.

Alpine – renascimento à vista?
Numa semana em que o Grupo Renault matou os projetos WEC e Dakar para se focar apenas na F1, a Alpine deu sinais positivos. Apresentou um passo em frente claro face a 2025, um dos anos mais complicados da história recente da equipa. Franco Colapinto rubricou um 1m35.806s e a equipa somou 318 voltas. A formação francesa parece estar a afastar‑se do fundo do pelotão e tem dado sinais positivos, o que já é um upgrade. Ainda assim, as paragens em pista de Colapinto e Gasly revelam que a fiabilidade não está totalmente consolidada e que há trabalho por fazer antes de Melbourne.

Audi – segunda semana bem melhor
A Audi, na sua primeira época como construtor de fábrica, conseguiu um teste sólido, com 353 voltas e um melhor tempo de 1m36.291s para Nico Hülkenberg. O discurso interno aponta para um “bom passo em frente” em performance e fiabilidade, ainda que a equipa continue inserida na parte baixa da tabela de tempos. A primeira semana teve uma boa dose de problemas de fiabilidade, mas na segunda semana a equipa surgiu com um monolugar redesenhado, com uma filosofia agressiva e com muito melhor “saúde”. Foi um passo claro no bom caminho para a estrutura germânica, que não deverá surpreender nestes primeiros meses, mas que apresenta trabalho sólido.

Williams – recuperar o tempo perdido
A Williams foi, a par da McLaren, a grande referência em termos de quilometragem, com 422 voltas completadas, um sinal inequívoco de fiabilidade e de um programa de testes bem estruturado que começou titubeantemente, com um atraso que impediu a participação em Barcelona. O melhor tempo de 1m36.793s de Alex Albon coloca a equipa atrás dos principais rivais em volta lançada, um problema que pode estar relacionado com o peso excessivo do monolugar, segundo apontam alguns rumores. Ao contrário do que muitos temiam, a reedição do negro arranque de época de 2019 não aconteceu, e a Williams surgiu no Bahrein com solidez. A performance ainda não existe, mas os fundamentos parecem ter sido assegurados.

Racing Bulls – construir o futuro
A Racing Bulls teve um início de teste condicionado por problemas no primeiro dia, mas acabou por fechar a semana com 327 voltas e um tempo de 1m36.808s para Liam Lawson, que deixa a equipa no grupo de meio‑fundo. O lado positivo foi a adaptação progressiva do rookie Arvid Lindblad, que somou quilometragem útil à medida que ganhava confiança com o carro. Um bom passo, alicerçado na valia da unidade motriz Red Bull‑Ford.

Cadillac – dores de crescimento
A Cadillac, em ano de estreia, saiu de Sakhir com um balanço globalmente positivo: 320 voltas, um melhor tempo de 1m36.824s com Valtteri Bottas e uma leitura interna de teste “muito produtivo”. Os problemas técnicos pontuais, incluindo episódios de paragem em pista, revelam que a curva de aprendizagem ainda é acentuada, mas a base de trabalho está lançada. A equipa admite que procura, para já, o respeito das restantes formações. Com o trabalho evidenciado até agora, esse respeito poderá ser conquistado a médio prazo. A performance para chegar ao topo, essa, ainda parece muito longe.

Aston Martin – a grande desilusão?
A Aston Martin viveu provavelmente o teste mais difícil do pelotão, com apenas 206 voltas – o pior registo – e um melhor tempo de 1m38.248s para Fernando Alonso, claramente afastado do topo. A combinação de chegada tardia ao programa de testes, problemas de fiabilidade da unidade motriz Honda e falta de performance deixou a equipa a reconhecer publicamente a necessidade urgente de encontrar mais ritmo. Adrian Newey já está a trabalhar a todo o gás para resolver alguns problemas na componente aerodinâmica, mas o mais preocupante é mesmo a unidade motriz Honda, que parece estar longe das restantes.











