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F1: Os números e as conclusões do 1.º teste do Bahrein

Fábio Mendes by Fábio Mendes
14 Fevereiro, 2026
in F1, FÓRMULA 1, Newsletter
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#44 Lewis Hamilton (GBR) Scuderia Ferrari HP (ITA) Ferrari SF-26, during pre-season testing at the Bahrain International Circuit in Sakhir, from February 11 to 13, 2026, in Bahrain (BHR) Copyright /Philippe Nanchino/ MPS Agency.


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Concluída a primeira semana de testes do Bahrein, com três dias para as equipas desenvolverem os seus monolugares há já algumas conclusões que começam a surgir. É sabido que tirar conclusões nos testes, especialmente no arranque de uma nova era, pode revelar-se perigoso, pois o cenário competitivo pode mudar completamente em Melbourne, palco da primeira corrida. Mas há já traços gerais que deverão ser as tendências nas primeiras corridas.

11 teams but only one racing line! 💪💨#F1 #F1Testing pic.twitter.com/mIKyPGTaOB

— Formula 1 (@F1) February 13, 2026

Primeiro vamos à análise dos números compilados na seguinte tabela:

Posição (tempo)EquipaMelhor TempoPiloto do Melhor TempoVoltas TotaisPontos FortesPontos Fracos
1Mercedes1m33.669sKimi Antonelli282Melhor tempo absoluto do teste. ​Quilometragem baixa, segunda pior do pelotão, vários problemas técnicos nos primeiros dias. ​
2Ferrari1m34.209sLewis Hamilton420Boa fiabilidade, muitas voltas, ritmo competitivo próximo dos mais rápidos. ​Paragem de Hamilton na sexta, equipa e Leclerc ainda cautelosos na leitura de performance. ​
3McLaren1m34.549sOscar Piastri422Maior número de voltas (empatada com Williams), ritmo forte e boas indicações desde o Dia 1. ​Nenhuma falha séria mencionada, foco mais em aprendizagem do que em tempos. ​
4Red Bull1m34.798sMax Verstappen343Bom equilíbrio entre ritmo e quilometragem, boa estreia do motor Red Bull-Ford em termos de fiabilidade. ​Problema que deixou Hadjar muito tempo na garagem, alguma perda de rodagem. ​
5Haas1m35.394sOllie Bearman390Programa de testes fluido, boa quilometragem e sinais positivos para a zona média. ​Ainda sem ritmo para lutar com as equipas de topo. ​
6Alpine1m35.806sFranco Colapinto318Carro claramente melhor que em 2025, equipa satisfeita com o passo em frente. ​Várias paragens em pista para ambos os pilotos, fiabilidade ainda não perfeita. ​
7Audi1m36.291sNico Hülkenberg353Quilometragem sólida para uma primeira época como equipa de fábrica, passo em frente em performance e fiabilidade. ​Ainda precisa de mais rendimento geral para se afastar do fundo do pelotão. ​
8Williams1m36.793sAlex Albon422Maior número de voltas (empatada com McLaren), grande produtividade após falhar o shakedown de Barcelona. ​Ritmo de volta lançada bem mais modesto, ainda longe dos mais rápidos. ​
9Racing Bulls1m36.808sLiam Lawson326Semana globalmente positiva depois de um problema no primeiro dia, boa integração do rookie Lindblad. ​Atraso inicial prejudicou a rodagem, tempo por volta ainda algo discreto. ​
10Cadillac1m36.824sValtteri Bottas320Teste considerado muito produtivo para equipa estreante, quilometragem razoável. ​Alguns problemas técnicos ao longo dos dias, ainda numa fase clara de aprendizagem. ​
11Aston Martin1m38.248sFernando Alonso206Ganhou rodagem importante depois de chegar atrasada face às rivais. ​Menor número de voltas de todas as equipas e um dos piores tempos, necessidade clara de encontrar mais performance. ​
Construtor de Unidade MotrizEquipas ClienteVoltas Totais Combinadas
MercedesMercedes (282), McLaren (422), Williams (422), Alpine (318)1 444 voltas
FerrariFerrari (421), Haas (390), Cadillac (320)1 131 voltas
AudiAudi (354)354 voltas
Red BullRed Bull (343), Racing Bulls (327)670 voltas
HondaAston Martin (206)206 voltas

Aqui está a tabela só com equipas e número de voltas no primeiro teste do Bahrein 2026.the-race+1

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EquipaVoltas
Williams422
McLaren422
Ferrari421
Haas390
Audi354
Red Bull343
Racing Bulls327
Cadillac320
Alpine318
Mercedes282
Aston Martin206

Mercedes – preocupação séria ou jogos políticos?
A Mercedes saiu de Sakhir com o melhor tempo absoluto do teste, graças ao 1m33.669s de Kimi Antonelli, confirmando o potencial muito forte da nova unidade motriz alemã em volta lançada. A desvantagem é a baixa quilometragem: apenas 282 voltas, a segunda pior do pelotão, fruto de vários problemas técnicos ao longo dos três dias que impediram um programa totalmente limpo. A equipa chegou ao Bahrein com o rótulo de favorita, mas envolvida numa luta política que envolve a legalidade da sua unidade motriz, com o alegado truque da variação da taxa de compressão. Desde então, a Mercedes tem dito aos quatro ventos que está a enfrentar dificuldades e que os verdadeiros favoritos são a Red Bull. Entretanto, McLaren, Williams e Alpine, também fornecidas pela Mercedes, concluíram o teste com boa nota. Dificuldades sérias ou jogo de bastidores para evitar que a unidade motriz, tal como está, seja tornada ilegal?

Foto: Philippe Nanchino/ MPS Agency.

Ferrari – sorrisos rasgados
A Ferrari terminar um teste com boas sensações não é novidade. O difícil tem sido capitalizar esse ímpeto e levá‑lo até ao fim da época. A Scuderia parece combinar performance e consistência, com Lewis Hamilton a registar o terceiro melhor tempo global em 1m34.209s e a equipa a fechar o teste com 420 voltas, praticamente ao nível das que mais rodaram. O discurso público mantém‑se cauteloso, mas os números indicam um pacote competitivo e com uma base sólida para o segundo teste no Bahrein. Numa altura em que quase tudo parece indefinido, uma das poucas certezas que temos é que a Ferrari apresentou um carro sólido, com uma base que parece dar confiança para os primeiros meses desta nova era.

Foto: Philippe Nanchino/ MPS Agency.

McLaren – voltas e mais voltas
A McLaren optou por um teste mais focado em quilometragem do que em voltas rápidas, mas mesmo assim colocou Piastri e Norris dentro do top‑6 de tempos e igualou a Williams no topo da tabela de voltas, com 422 voltas percorridas. A fiabilidade demonstrada e o volume de dados recolhidos sugerem um carro equilibrado, ainda com margem para encontrar mais performance em modo de qualificação. A filosofia da McLaren, assumida publicamente, passa por apresentar um carro‑base nesta primeira fase e implementar melhorias ao longo do ano, à medida que vai conhecendo melhor o monolugar. Do que se viu nesta primeira semana, apesar de a performance não ser ainda o foco, do lado dos fundamentos do carro, tudo parece saudável.

Foto: Philippe Nanchino/ MPS Agency.

Red Bull – favoritos para o arranque?
A Red Bull não foi a equipa mais rápida em folha de tempos, mas manteve‑se confortavelmente no grupo da frente e completou 343 voltas, com destaque para o comportamento consistente do novo conjunto Red Bull‑Ford. Um problema mecânico que limitou a rodagem de Isack Hadjar mostrou que o pacote ainda não é impecável em termos de fiabilidade, mas a base parece robusto. É de louvar o trabalho que a Red Bull‑Ford apresentou: uma estrutura que, pela primeira vez, coloca a sua unidade motriz em pista e é logo encarada como uma das favoritas, recebe o maior elogio possível. Há construtores com muito mais experiência que não o conseguiram fazer. O rótulo de favoritos pode também ser uma jogada política, mas os sinais em pista mostram uma Red Bull muito longe de um arranque de pesadelo. Veremos o quão perto está do sonho. Dizem que a unidade Red Bull é a que melhor consegue fazer a gestão de energia elétrica. A confirmar-se, é um trunfo de peso.

Foto: Philippe Nanchino/ MPS Agency.

Haas – discreta, mas com muitas voltas
A Haas sai deste primeiro teste no Bahrein como uma das surpresas discretas da zona média da tabela, combinando 390 voltas com um tempo de referência de 1m35.394s que coloca a equipa num grupo intermédio competitivo. A estrutura liderada por Ayao Komatsu descreve o teste como “no alvo”, sinal de que o programa foi cumprido sem grandes sobressaltos e com indicações encorajadoras. Empurrada pela unidade motriz Ferrari, a Haas parece estar a consolidar o trabalho feito durante o inverno de forma positiva. Talvez seja uma das equipas a ter em conta para a luta no meio do pelotão.

Foto: Philippe Nanchino/ MPS Agency.

Alpine – renascimento à vista?
Numa semana em que o Grupo Renault matou os projetos WEC e Dakar para se focar apenas na F1, a Alpine deu sinais positivos. Apresentou um passo em frente claro face a 2025, um dos anos mais complicados da história recente da equipa. Franco Colapinto rubricou um 1m35.806s e a equipa somou 318 voltas. A formação francesa parece estar a afastar‑se do fundo do pelotão e tem dado sinais positivos, o que já é um upgrade. Ainda assim, as paragens em pista de Colapinto e Gasly revelam que a fiabilidade não está totalmente consolidada e que há trabalho por fazer antes de Melbourne.

Foto: Philippe Nanchino/ MPS Agency.

Audi – segunda semana bem melhor
A Audi, na sua primeira época como construtor de fábrica, conseguiu um teste sólido, com 353 voltas e um melhor tempo de 1m36.291s para Nico Hülkenberg. O discurso interno aponta para um “bom passo em frente” em performance e fiabilidade, ainda que a equipa continue inserida na parte baixa da tabela de tempos. A primeira semana teve uma boa dose de problemas de fiabilidade, mas na segunda semana a equipa surgiu com um monolugar redesenhado, com uma filosofia agressiva e com muito melhor “saúde”. Foi um passo claro no bom caminho para a estrutura germânica, que não deverá surpreender nestes primeiros meses, mas que apresenta trabalho sólido.

Foto: Philippe Nanchino/ MPS Agency.

Williams – recuperar o tempo perdido
A Williams foi, a par da McLaren, a grande referência em termos de quilometragem, com 422 voltas completadas, um sinal inequívoco de fiabilidade e de um programa de testes bem estruturado que começou titubeantemente, com um atraso que impediu a participação em Barcelona. O melhor tempo de 1m36.793s de Alex Albon coloca a equipa atrás dos principais rivais em volta lançada, um problema que pode estar relacionado com o peso excessivo do monolugar, segundo apontam alguns rumores. Ao contrário do que muitos temiam, a reedição do negro arranque de época de 2019 não aconteceu, e a Williams surgiu no Bahrein com solidez. A performance ainda não existe, mas os fundamentos parecem ter sido assegurados.

Foto: Philippe Nanchino/ MPS Agency.

Racing Bulls – construir o futuro
A Racing Bulls teve um início de teste condicionado por problemas no primeiro dia, mas acabou por fechar a semana com 327 voltas e um tempo de 1m36.808s para Liam Lawson, que deixa a equipa no grupo de meio‑fundo. O lado positivo foi a adaptação progressiva do rookie Arvid Lindblad, que somou quilometragem útil à medida que ganhava confiança com o carro. Um bom passo, alicerçado na valia da unidade motriz Red Bull‑Ford.

Foto: Philippe Nanchino/ MPS Agency.

Cadillac – dores de crescimento
A Cadillac, em ano de estreia, saiu de Sakhir com um balanço globalmente positivo: 320 voltas, um melhor tempo de 1m36.824s com Valtteri Bottas e uma leitura interna de teste “muito produtivo”. Os problemas técnicos pontuais, incluindo episódios de paragem em pista, revelam que a curva de aprendizagem ainda é acentuada, mas a base de trabalho está lançada. A equipa admite que procura, para já, o respeito das restantes formações. Com o trabalho evidenciado até agora, esse respeito poderá ser conquistado a médio prazo. A performance para chegar ao topo, essa, ainda parece muito longe.

Foto: Philippe Nanchino/ MPS Agency.

Aston Martin – a grande desilusão?
A Aston Martin viveu provavelmente o teste mais difícil do pelotão, com apenas 206 voltas – o pior registo – e um melhor tempo de 1m38.248s para Fernando Alonso, claramente afastado do topo. A combinação de chegada tardia ao programa de testes, problemas de fiabilidade da unidade motriz Honda e falta de performance deixou a equipa a reconhecer publicamente a necessidade urgente de encontrar mais ritmo. Adrian Newey já está a trabalhar a todo o gás para resolver alguns problemas na componente aerodinâmica, mas o mais preocupante é mesmo a unidade motriz Honda, que parece estar longe das restantes.

Foto: Philippe Nanchino/ MPS Agency.
Tags: F1Fórmula 1Teste do Bahrein
Fábio Mendes

Fábio Mendes

Em 2013 criei um blog com um grupo de amigos, que me abriu as portas para o fantástico mundo do motorsport e do AutoSport, onde escrevo desde 2017.

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