A pré-temporada da Fórmula 1 voltou a ser marcada por polémica técnica, desta vez relacionada com alegadas soluções utilizadas por Mercedes e Red Bull nos motores. A discussão centra-se na forma como a taxa de compressão é medida pela FIA, abrindo espaço para interpretações que poderão conferir vantagem competitiva.
Segundo informações avançadas por meios de comunicação, os regulamentos atuais determinam que a taxa de compressão dos motores seja verificada à temperatura ambiente. No entanto, Mercedes e Red Bull terão encontrado uma forma de aumentar esse valor quando os propulsores estão em funcionamento e sujeitos a temperaturas elevadas, o que poderá traduzir-se em ganhos de desempenho.
A situação gerou reações imediatas no paddock, levando a FIA a reunir-se esta semana com equipas e especialistas técnicos para discutir a possibilidade de introduzir um novo método de medição a altas temperaturas. Apesar disso, o encontro terminou sem consenso para implementar de imediato essa solução, mantendo por agora a legalidade dos motores das duas formações.

Qualquer alteração ao procedimento exigiria uma votação na Comissão de Fórmula 1, cenário complexo para as equipas que se opõem à Mercedes e à Red Bull, uma vez que os motores destas marcas equipam seis das onze equipas do pelotão. Mesmo que se avance para uma revisão do sistema de controlo, não existe garantia de que tal aconteça rapidamente ou ainda durante a presente temporada.
O foco, mais do que mudanças imediatas no regulamento, está em criar uma base que seja sólida o suficiente para ser aceite pela maioria num futuro a médio prazo e não em 2026. Para este ano, parece que as regras vão se manter, tal como estão.
Em França, Frederic Ferret, do L’Équipe, sugeriu que a reunião pouco contribuiu para resolver a situação.
“Parece que só conseguiram complicar as coisas”, escreveu o jornalista. “De acordo com as nossas informações, um novo sistema de medição deverá ser implementado em breve para medir a taxa de compressão com o motor quente, mas o cronograma ainda não está definido.”
Ferret acrescentou que, entretanto, o risco de uma abertura de temporada controversa permanece muito real. “O fantasma de um início de época caótico e polémico paira no ar. É fácil imaginar que, na Austrália, uma ou mais equipas apresentarão um protesto, interrompendo o início tranquilo da época que o desporto esperava com estes novos regulamentos.”











