A questão mental tem sido cada vez mais realçada no desporto de alta competição e na F1, em particular, essa vertente foi muito referida com o título de Lando Norris, piloto que aborda de forma aberta as suas fragilidades mentais, ao contrário de outras figuras do desporto. Sergio Pérez, em recente entrevista ao podcast Cracks, falou de um episódio caricato que aconteceu na Red Bull.
O mexicano revelou que, nos primeiros tempos ao serviço da equipa austríaca, foi aconselhado pela equipa a recorrer a apoio psicológico. O piloto mexicano ingressou na Red Bull em 2021, mas o início da sua passagem pela equipa não foi fácil. Nas cinco primeiras corridas da temporada, Pérez não conseguiu subir ao pódio, o que gerou pressão interna. A resposta surgiu na sexta ronda do campeonato, com a primeira vitória pela formação austríaca no Grande Prémio do Azerbaijão, seguindo-se depois presenças mais regulares no pódio.

Uma consulta foi suficiente
Pérez explicou que, ainda numa fase precoce da época, a equipa considerou que o seu desempenho justificava a intervenção de um psicólogo, com uma tarifa impressionante:
“Assim que cheguei à Red Bull, nas primeiras corridas, quando não consegui bons resultados, [a equipa disse]: ‘Precisas de um psicólogo, precisas de consultar um psicólogo’. Um dia cheguei à fábrica da Red Bull e disseram-me: ‘Ei, temos uma conta para ti’. [Eram] 6.000 libras [perto de 7000€] do psicólogo. Eu disse-lhes: ‘Ah, podem enviá-lo para o Helmut [Marko]? Ele paga.’ Eram 6.000 libras por uma única consulta.”
“Então o Helmut perguntou-me: ‘Como correu?’. Eu respondi: ‘Perfeito, com esta sessão está tudo resolvido.’ E foi assim que continuámos durante três anos. Já curado pelo psicólogo, os resultados começaram a aparecer. Bem, a terapia resultou.”
Num tom mais sério, Pérez reconheceu que na fase final da sua passagem ponderou seriamente recorrer a ajuda de um profissional, mas salientou que não seria apenas a parte mental a permitir melhorias:
“Nos últimos tempos, a situação tornou-se tão crítica que pensei: ‘Bem, talvez precise de ajuda. Os resultados não estão a chegar’. Procurei ajuda em todo o lado, mas no fundo sabia perfeitamente que, quando se tem um carro em que se estamos constantemente a pensar no que vai acontecer, no que vai fazer, em que curva se vai bater, não se consegue ir rápido. E, além disso, tens toda a tua equipa contra ti. Publicamente, foi muito difícil. Acho que só alguém com muita força mental consegue suportar algo assim.”
Fotos: Red Bull











