A questão do limite orçamental foi falada de forma consistente nas últimas semanas. Quem ultrapassou o limite, como ultrapassou, que tipo de penalização deveria ser aplicada… Quase tudo foi discutido (muitas vezes com poucas conclusões), mas um aspeto do limite orçamental tem sido referido, mas pouco discutido. O que o campeonato ganha ou perde com o limite?
Antes de mais, é preciso realçar que os efeitos práticos do limite orçamental apenas serão sentidos a médio prazo. Neste momento, com quase duas épocas de limite orçamental, é muito cedo para avaliar os efeitos na competição e se a F1 ganhou ou perdeu com esta nova filosofia. Mas podemos fazer uma breve reflexão sobre o que nos tem dado.
Do lado positivo da balança temos a saúde financeira das equipas. Com as estruturas a gastar menos, a possibilidade de terem lucro ao fim do ano aumenta. Com isso, a F1 deixa de ser um negócio aparentemente ruinoso e passa a dar muitos números no verde, o que agrada a investidores que, por sua vez, têm mais interesse em investir numa plataforma global, com um alcance formidável e crescente, podendo recolher bons dividendos desse investimento. Do lado das finanças, o limite orçamental é uma boa jogada, com tendência a dar mais motivos para sorrir a médio prazo.
Do lado negativo, vimos este ano que as lutas foram castradas por este novo regulamento financeiro. Tivemos a Red Bull a impor-se, com a Ferrari a ter um carro muito competitivo. O problema desta luta não foi tanto o limite orçamental, mas sim a incapacidade da Ferrari em aproveitar o potencial do seu monolugar. Mas se não houvesse limite orçamental, a Ferrari poderia ter encontrado uma solução que a colocasse em vantagem. Mais ainda, a Mercedes poderia imiscuir-se nesta luta na segunda metade da época e dar-nos mais espetáculo até ao fim. Mesmo no segundo pelotão, talvez a McLaren tivesse encontrado a solução para os seus problemas mais cedo e de forma mais convincente, talvez a Aston Martin conseguisse ainda chegar a tempo de lutar com a McLaren e Alpine.
Por outro lado, a médio prazo o limite poderá tornar tudo mais equilibrado. A Williams e a Haas poderão ter condições para se aproximar mais do meio da tabela, a McLaren e a Alpine poderão chegar mais perto do topo, pois a Mercedes, Ferrari e Red Bull deixam de ter o trunfo da carteira sem fundo.
Resumindo, financeiramente, o limite parece ser uma excelente jogada, desportivamente, é mais difícil de avaliar, pois se por um lado não vemos todo o potencial técnico das equipas, por outro temos condições para que equipas com menos recursos, no futuro, possam chegar mais perto do topo e as batalhas melhorarem, acabando-se com as diferenças abismais entre grandes e pequenos.
Mas o que preferimos? Uma luta mais igual, mais renhida entre todas as equipas, mesmo que castrada, ou uma “guerra total” em que as estruturas dão o melhor de si sem olhar a despesas? Preferimos a gestão cuidada e inteligente (com as polémicas que isso pode implicar, como vimos este ano) ou batalhas sem limites financeiros, onde cada equipa dá o que tem? A competitividade e o interesse da F1 ganha ou perde com o limite? Tem a palavra os leitores do AutoSport.










