O “Party Mode” da Mercedes continua a dar que falar e são várias as vozes que consideram que esta vantagem deveria ser anulada. A Red Bull já propôs que se acabassem com os modos de qualificação para evitar o que aconteceu em Melbourne em que do nada, Hamilton conseguiu encontrar uma diferença de 0.8 seg. para o segundo classificado na qualificação.
A história já é antiga e de cada vez que uma equipa tem uma vantagem em relação às outras, as queixas sucedem-se até que alguma medida seja tomada. Lembram-se dos “Blown diffuser” da Red Bull que depois foram banidos. É um pouco a mesma coisa.
Eric Boullier quer que a partir de 2021 este tipo de situações não se repita:
“A Mercedes criou uma unidade motriz muito competitiva e é muito difícil apanha-los. O que precisamos agora da FIA e da Liberty Media é um conjunto de regulamentos restritivos o suficiente para que possamos ter mais equilíbrio no futuro. Todos nós queremos mais acção em pista, mais lutas entre pilotos mas para isso temos que as diferenças entre as equipas sejam menores. Neste momento há uma diferença muito grande entre as três equipas da frente e os restantes. Devem ser reconhecidos pelo excelente trabalho que fazem para atrair investidores e assim conseguir gastar mais dinheiro. Será bom para o desporto? Penso que não.”
A equação é de difícil resolução. Como tornar um desporto mais equilibrado, sendo que desde os anos 80 que tem conhecido eras com domínios muito vincados por parte de uma ou outra equipa. O problema das equipas demasiado fortes para o resto do pelotão não é novo e acontece há muito tempo. A F1 é claramente uma competição onde queremos ver os melhores pilotos em acção, mas onde queremos ver também as melhores máquinas. A inteligência e forma como os engenheiros dão a volta às restrições e ganham vantagem é algo que também faz parte da F1. Deve ter menor preponderância é certo, mas eliminar esta componente da F1 seria estar a retirar algum do seu encanto. Já entendemos que se dermos demasiada liberdade aos engenheiros temos carros fenomenais mas com custos elevados e nem sempre com capacidade de proporcionar bons espectáculos. Mas sem a matreirice das soluções engenhosas a F1 deixa de ser F1. É preciso um meio termo.
São necessárias medidas que tornem a competição mais equilibrada, com mais lutas em pista. 2021 é uma excelente oportunidade para que isso aconteça, mas a tarefa parece muito difícil. Talvez a solução ideal fosse colocar um tecto orçamental e partir ver o que cada equipa seria capaz de fazer com um orçamento semelhante. Ou talvez seja preciso impor limitações ou mudanças nos regulamentos técnicos que permitam que os carros consigam aproximar-se dos adversários sem perder demasiado em performance. Cada cabeça terá a sua solução para este problema e deveria ser motivo de discussão (salutar). A solução é complicada mas as pessoas da F1 estão habituadas a tratar de problemas desta natureza. Esperemos que acertem.











