A Ferrari continua a sua longa travessia do deserto em busca dos títulos que teimam em escapar, muitas vezes por culpa própria. A Ferrari já entendeu que este ano não poderá lutar pelos títulos, e aponta ao segundo lugar. Luca di Montezemolo, ex-presidente da Ferrari, olha para isso com desagrado.
Segundo Luca di Montezemolo, Enzo Ferrari nunca teria aceitado a falta de ambição e os festejos que a equipa fez pelo terceiro lugar em Spa:
“Sabem o que eu acho lamentável? Que agora estejam a festejar um terceiro lugar, como em Spa”, disse di Monetzemolo ao Quotidiano Sportivo de Itália. “Não é assim que a Ferrari é, e o Velho nunca teria aceitado isso. [Enzo] Ferrari ensinou-me muito. Como exemplo, ele ensinou-me a nunca me acomodar. Depois de uma vitória, ele estava sempre a pensar na próxima corrida. Ao mesmo tempo, era um trabalho duro. Enzo odiava férias. Em agosto, mantinha-me no escritório, não era adepto dos que iam de férias em agosto. Fez-me compreender que a Ferrari é uma emoção que tem valor humano e social na sua indústria, é um símbolo de investigação e inovação. Como presidente, entre 1991 e 2014, tentei ser fiel à sua lição”.
Quanto aos pilotos, o ex-dirigente diz que Charles Leclerc deveria ser mantido, mas considera que o problema não está nos pilotos e que a Ferrari não pode ter um papel secundário.
“Eu gostaria de manter Charles, ele é bom e, na minha opinião, não há pilotos mais fortes do que ele neste momento. Mas, atualmente, quem conduz o carro vermelho é o menor dos problemas da equipa. Quando eu era o presidente, criei uma equipa de sonho, de Schumacher a Todt, de Brawn a Byrne. Como fã, não sonho com uma Ferrari que ganhe sempre, mas que lute sempre pelo título até à última corrida da época, como em 1997, 1998, 1999, 2008, 2010 e 2012. Podes perder – mas como protagonista, não como jogador secundário.”











