Lando Norris, vencedor do GP de Singapura, é o destaque desta corrida. Neste fim de semana, conquistou a sua sexta pole e a sua terceira vitória na F1 e, pela primeira vez, liderou uma corrida de início ao fim
Podia ter sido uma noite perfeita para Lando Norris, mas não foi. A forma como se começou a afastar de Max Verstappen fez lembrar as corridas do próprio Max, ou de Lewis Hamilton, ou até, tendo em conta a corrida que era (Singapura) Sebastian Vettel. Largar bem, tirar bilhete e aplicar um distanciamento social severo.
O ritmo de Norris foi tremendo e conseguiu aumentar a diferença a cada volta. Mas não foi uma corrida limpa. Já nem falamos da ultrapassagem a Franco Colapinto, quando dobrava o piloto da Williams, que não aconteceu da forma mais elegante, mas que depende sempre do outro piloto. No entanto, a travagem falhada que ia danificando a asa e o toque no muro, numa reedição do erro de George Russell no ano passado, causaram calafrios desnecessários. Norris não precisava de arriscar tanto. O ritmo forte abriu-lhe possibilidades estratégicas que facilitarem em muito a decisão da equipa e que permitiram manter a liderança. Mas estes erros, num dia com menos sorte, podiam sair caro.
Norris tem a velocidade para ser campeão. Em qualificação está no lote dos melhores. Em corrida já mostrou que consegue aguentar a pressão de outros pilotos, que se defende bem, que consegue atacar. Já vimos Lando Norris fazer isso no passado. O que ainda não vimos foi capacidade para aguentar a 100% a pressão de uma luta pelo título. Quando se é “underdog” é fácil fazer brilharetes quando há muito talento. Difícil é manter o nível quando a pressão aumenta. Lando Norris tem conseguido gerir a pressão, umas vezes melhor, outras pior. Mas falta ainda algo para enfrentar um piloto como Max Verstappen com carros mais equivalentes.
Singapura pode ter sido um momento de viragem para Norris. A noite de Marina Bay pode ter sido a última em que os fantasmas da primeira volta, da liderança da corrida, da gestão da prova na frente do pelotão foram afastados. Veremos no futuro se isso se materializa. Norris é, sem dúvida, um grande talento. Demonstrou-o em Singapura, mais uma vez. Mas na prova mais exigente do ano, poderá ter-se provado a si mesmo aquilo que outros acreditam: que é capaz de vencer em qualquer circunstância. Veremos se essa lição ficou bem assimilada.
Foto: Philippe Nanchino /MPSA











