Lando Norris expressou a sua frustração com o seu desempenho no início do Grande Prémio dos Estados Unidos, admitindo que “conduziu como um marreta” quando perdeu a liderança para Max Verstappen.
Apesar de um forte arranque, Norris foi ultrapassado por Verstappen na Curva 1, depois de o piloto da Red Bull ter mergulhado agressivamente por dentro, forçando os dois carros a afastarem-se. Charles Leclerc, da Ferrari, aproveitou a situação para assumir a liderança e, eventualmente, vencer a corrida.
Embora a McLaren acreditasse que Verstappen tinha empurrado injustamente Norris para fora da pista, os comissários de pista consideraram que se tratava de um incidente típico da primeira volta e não tomaram qualquer medida. Norris reconheceu que deveria ter-se defendido melhor na curva 1.
Mais tarde, Norris recebeu uma penalização de cinco segundos por ultrapassar Verstappen fora da pista na Curva 12 na Volta 52. Considerou que a penalização foi injusta, argumentando que Verstappen também saiu da pista enquanto se defendia e ganhou vantagem.
“O que se passa com o Max é que temos de nos comprometer com a manobra. As pessoas não entendem esse tipo de coisas. Com o Max, não se pode ir a meio. A curva 1 é um pouco mais difícil de dizer, se foi por eu não me ter comprometido o suficiente, mas o facto foi que ele levou tanta velocidade que voltou a sair da pista. Não posso simplesmente passar por dentro de alguém, fugir e depois manter a posição numa corrida normal.
“Mas, por alguma razão, não há problema nenhum na volta 1, na curva 1. Se me tivesse defendido melhor na Curva 1 e não estivesse a conduzir como um marreta… devia ter liderado depois da Curva 1 e não devíamos ter tido esta conversa em primeiro lugar.”

As contas do título
Lando Norris está a 57 pontos de Max Verstappen. A realidade é que desde que a McLaren se tornou verdadeiramente competitiva, Norris nunca conseguiu encurtar verdadeiramente as distâncias para o líder do campeonato. Há várias causas para isso, mas a principal é o enorme desperdício de pontos. Lando Norris tem deixado escapar oportunidades de se aproximar do seu adversário neerlandês e em Austin voltamos a ver isso. Norris foi pouco incisivo na defesa do seu lugar e não fechou completamente a porta a Verstappen que aproveitou e fez o que sempre faz… atacou. Verstappen está numa posição confortável. Sabe que se atacar Norris e bater, não vai perder imediatamente a liderança e se os dois ficarem fora de prova, a distância mantém-se. Em cada confronto com Norris, Verstappen leva a melhor psicologicamente.
Norris é um excelente piloto. Só um grande talento faria uma volta como a que lhe deu a pole. Só um grande talento conseguiria, na corrida de Austin, colocar tanta pressão em Verstappen, sem nunca cometer um erro. Mas parece faltar algo a Norris. Nos momentos chave, falta alguma agressividade saudável, falta impor-se de forma mais vincada. Também a McLaren evidencia alguns problemas na tomada de decisão. A manobra de Norris era passível de ser penalizada. Bastaria deixar passar Verstappen de novo e voltar a tentar. O McLaren #4 tinha ritmo para isso. Mas a decisão de manter a posição poderá ter custado o pódio.
São estes pequenos pormenores que fazem com que a já distante possibilidade de Norris roubar o título a Verstappen seja cada vez mais distante. Norris vai tirar muitas lições deste ano, mas para bater Verstappen, terá de ser mais feroz, mais astuto e por vezes, menos simpático. Em Austin a já frágil candidatura de Norris terá perdido força e só um péssimo fim de semana no México poderá reacender essa chama.









