A FIA proibiu uma tática utilizada pela Mercedes e pela Red Bull na qualificação para maximizar a potência da unidade motriz na reta da meta durante uma volta lançada. O truque explorava um modo de emergência previsto no regulamento.
Modo de emergência usado na qualificação
Os regulamentos da F1 estabelecem que o fornecimento de energia elétrica na reta deve ser progressivamente reduzido, com a potência a diminuir linearmente 50 kW por segundo. Para contornar esta redução obrigatória, a Mercedes e a Red Bull ativavam estrategicamente o modo de emergência, que permitia a desativação total do MGU-K — o único cenário em que o regulamento permitia ignorar a redução linear. Assim, os pilotos podiam aproveitar ao máximo a carga da bateria até à linha de meta, sem necessidade de ver a potência reduzida linearmente.
O preço (pequeno) a pagar
Há um pormenor importante no uso deste truque. Este modo de emergência leva a um bloqueio de 60 segundos antes de o MGU-K poder ser reutilizado — ou seja, 60 segundos em que os monolugares dependem apenas do motor de combustão e não há regeneração de energia elétrica. Durante uma corrida, tal tornaria a tática completamente contraproducente, mas na qualificação o bloqueio acontece durante a volta de regresso às boxes — um momento em que a potência elétrica é irrelevante. No entanto, o diferencial de velocidade entre os carros que usavam este truque e os que não o usavam ( Kimi Antonelli em Suzuka foi um exemplo claro) despertou a desconfiança e deu à Ferrari a justificação ideal para agir.
Ferrari denunciou o truque
Foi a Scuderia a alertar a FIA para a prática, argumentando ainda que a velocidade muito reduzida dos carros da Mercedes e da Red Bull na volta de entrada nas boxes constituía um risco de segurança, à luz do incidente entre Oliver Bearman e Franco Colapinto durante a corrida. Em resposta, a FIA emitiu regulamentação técnica atualizada, deixando claro que a desativação do MGU-K apenas é tolerada em caso de problema técnico genuíno, sendo o cumprimento monitorizado através de telemetria.
O ganho de desempenho desta tática era mensurável em centésimos de segundo, não em décimos, mas suficiente para influenciar posições numa grelha em que as diferenças continuam reduzidas.
Mercedes atenta às possibilidades
A F1 é também um jogo de engenheiros à procura de truques e zonas cinzentas para aproveitar ao máximo todo o potencial do carro. A Mercedes parece estar a fazê-lo de forma ainda mais atenta, sendo este o segundo truque anulado pela FIA. O primeiro remonta à polémica da taxa de compressão. É um sinal claro de uma equipa a trabalhar no máximo das suas capacidades e que, tendo um bom domínio da tecnologia, pode concentrar-se em explorar este tipo de vantagens regulamentares.











