A Ferrari está a apostar forte na próxima época, com os novos regulamentos a permitirem uma oportunidade de encurtar distâncias para a Mercedes e Red Bull que têm dominado os últimos anos. A aposta da Ferrari passa por repetir a filosofia aplicada em 2017, aquando da mudança de regulamentos na altura, que permitiu à Ferrari lutar por vitórias e até ameaçar o título
Segundo a publicação italiana La Gazzetta dello Sport, Mattia Binotto pediu para 2022 a mesma atitude que a Ferrari teve em 2017 e 2018 quando se apresentou com soluções inovadoras que começaram a ser usadas por outras equipas. Uma das ideias apresentadas na altura foi a das entradas de ar laterais elevadas e mais reduzidas, que passou a ser usada pela grande maioria das equipas. A Ferrari já provou que pode estar ao nível da Mercedes e Red Bull, mas faltou sempre algo, talvez a estabilidade e a calma necessária para fazer o trabalho bem, ao invés de o fazer rapidamente. Com Binotto ao leme, os engenheiros da Ferrari foram desafiados a pensar fora da caixa, a arriscar, sem medo de errar, um pouco à imagem do que acontece na Mercedes. Para 2022 a ideia é a mesma. O novo conjunto de regulamentos é bastante restritivo e não permite tantas inovações como no passado, mas os engenheiros da Scuderia tentaram encontrar soluções interessantes e inovadoras, além de contarem com os conselhos de Rory Byrne, consultor da equipa e que tem experiencia com carros que usam o “efeito solo”. Ao nível do aspeto dos carros, não deveremos ver muitas mudanças, mas a forma como as equipas aproveitam o efeito de solo e estruturam a organização interna dos elementos do carro podem ser trunfos importantes.
A agressividade da Ferrari também se fez sentir fora de portas, com a equipa a contratar engenheiros da Mercedes e da Red Bull, de forma a entender os pontos fortes e fracos dos adversários. A Ferrari não está para brincadeiras e sabe que tem uma oportunidade única de voltar a assumir-se como líder, algo que tem tentado sem sucesso há vários anos.
No papel, a Ferrari tem tudo para ser bem sucedida. Apesar das críticas recentes, Mattia Binotto manteve-se ao leme da equipa, os departamentos não sofreram grandes remodelações, pelo que há uma base estável que permite uma otimização do trabalho dos engenheiros, pois mudanças constantes não favorecem a fluidez da operação. O simples facto de Binotto se ter mantido na Ferrari depois de um dos piores anos da equipa é um sinal de mudança, de estabilidade e de pensamento a médio prazo. Ninguém se pode atrever a tentar adivinhar a ordem da grelha para a próxima época dadas as mudanças profundas, mas parece certo que a Ferrari tem de ser vista como uma possível candidata ao topo, isto se aproveitar todo o seu potencial técnico e humano.










