A Ferrari confirmou que irá apresentar o seu novo monolugar de Fórmula 1 a 23 de janeiro de 2026, numa fase em que a equipa procura ultrapassar as limitações exibidas pelo SF-25. Este novo projeto surge no contexto de uma das mais profundas alterações regulamentares da história da F1, com impacto direto na filosofia de design e na conceção das unidades motrizes.
As novas regras obrigam as equipas a repensarem de raiz a configuração dos seus carros, quase sem possibilidade de reaproveitar soluções da geração anterior. O esforço de adaptação é generalizado no paddock, com cada construtor a investir fortemente na interpretação dos regulamentos, embora ciente dos riscos inerentes a um processo de desenvolvimento tão complexo.
O diretor de equipa, Fred Vasseur, revelou que a Ferrari seguirá uma estratégia de evolução em duas fases. A primeira versão do monolugar, que surgirá nos testes privados de Barcelona no final de janeiro, será essencialmente um banco de ensaios para avaliar soluções do pacote desenvolvido, dinâmica interna de fluidos e gestão eletrónica do novo sistema híbrido. Nesta fase, o foco não será o desempenho, mas sim a validação técnica de todos os sistemas fundamentais.

A segunda fase decorrerá durante os testes do Bahrein, já com uma versão próxima da configuração definitiva. Esta abordagem gradual permitirá à equipa integrar rapidamente as lições recolhidas nas primeiras voltas e reduzir as incertezas associadas ao novo enquadramento técnico.
Entre as áreas de maior impacto técnico destaca-se a secção dianteira, que terá de cumprir novos requisitos de segurança e integrar sistemas de aerodinâmica ativa, obrigando a um conceito totalmente novo. A gestão do fluxo de ar em torno do fundo e das entradas laterais será determinante, numa altura em que as equipas procuram reduzir o tamanho dos radiadores para permitir uma traseira mais estreita e eficiente.
Tudo indica ainda que a Ferrari optará por um sistema de suspensão push-rod em ambos os eixos, uma decisão motivada pelos benefícios teóricos em termos de distribuição interna dos componentes e aperfeiçoamento do escoamento aerodinâmico. Esta solução pode contribuir para um nariz mais estreito e um perfil traseiro mais compacto, favorecendo a eficiência global.
Fred Vasseur, chefe da Ferrari, afirmou: “O carro que apresentaremos em janeiro será muito diferente daquele que alinhará em Melbourne. Queremos começar por garantir que todos os elementos funcionam corretamente antes de explorarmos o verdadeiro potencial de desempenho.”











