F1: Ex-engenheiro da Ferrari aponta falhas
O Grande Prémio de Singapura voltou a expor as fragilidades da Ferrari, com Charles Leclerc a manifestar a sua frustração via rádio durante as voltas finais da corrida. O piloto monegasco queixou-se do excesso de instruções de lift and coast — técnica que consiste desacelerar antes da travagem para poupar os travões e a energia.
A gestão extrema do sistema de travagem condicionou fortemente o desempenho da Scuderia, situação reconhecida pelo diretor de equipa, Frédéric Vasseur, que admitiu ser impossível “passar 95% da corrida a gerir” o ritmo, destacando a dificuldade dos pilotos em adaptar constantemente os pontos de travagem.

O engenheiro Luigi Mazzola, antigo elemento da Ferrari, analisou o problema no programa Race Anatomy da Sky Italia, apontando duas causas principais: a impossibilidade de baixar o carro para aumentar a carga aerodinâmica — devido ao risco de desgaste excessivo do plank e consequente desqualificação — e a necessidade de reduzir as entradas de ar dos travões, componente sensível para a aerodinâmica.
Demasiado lift and coast
“Pelo que percebi, este ano têm dois grandes problemas: não conseguem baixar o carro onde encontrariam downforce porque isso causaria desgaste na prancha do fundo do carro e, portanto, desclassificação, pelo que vão procurar downforce reduzindo as entradas de ar dos travões, que são um elemento muito delicado do carro em termos de aerodinâmica.”
“Este compromisso obriga-os então a gerir o carro e, na quarta volta, ambos os pilotos estavam em modo Lift and Coast. “A ‘gestão de pista’ da Ferrari neste momento não parece estar totalmente no controlo das coisas. Hamilton às vezes insinua isso. Vasseur continua a falar de potencial — mas quando chega lá? Quando correm no limite, arriscando desclassificação ou problemas nos travões? Quantas vezes já ouvimos falar dessas variações? E porque é que não conseguem resolver isso no túnel de vento com soluções alternativas?”
“Eles sabem claramente qual é o problema. Mas acredito que há algo de errado com o fluxo de informação da pista de volta para Maranello — pelo menos é o que parece de fora.”
As declarações de Mazzola e a frustração de Leclerc sublinham o momento difícil da Ferrari, que continua a lutar para encontrar o equilíbrio entre desempenho e fiabilidade na sua SF-25.
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Jose Marques
14 Outubro, 2025 at 9:26
É o terceiro post em que acho que o comentário feito em outros dois serve aqui também…
O problema da Ferrari é que tem muita gente a mandar e pouca gente a decidir e quando decide, parece que é na base da emoção e não na razão.
A Ferrari só foi efetivamente eficiente quando tinha influência política na FIA, (Jean Todt e Montezemolo particularmente) e quando Schumacher levou os principais líderes técnicos da Benetton, como Ross Brawn, Rory Byrne, Nigel Stepney, entre outros. Nessa equipa o Jean Todt tinha real autonomia, dado que tinha carta branca de Montezemolo. Hoje o Vasseur não usufrui do mesmo “luxo” e há demasiadas interferências superiores, daí o comportamento do Hamilton e do próprio Vasseur em dizerem que sabem qual é o problema, mas por razões óbvias não o podem dizer livremente.