Bernie Ecclestone revelou que a Fórmula 1 esteve muito perto de organizar um Grande Prémio da União Soviética no início da década de 1980, com planos para levar os monolugares a correr pela icónica Praça Vermelha, em Moscovo.
O projeto caiu por terra após a morte do líder do Partido Comunista, Leonid Brezhnev, em novembro de 1982.
“O meu objetivo era fazer uma corrida de Fórmula 1 na Praça Vermelha! Fomos ver o que podíamos fazer, mas no final não aconteceu nada” disse Ecclestone, citado pelo F1 Destinations. “Tivemos de adiar tudo quando o líder do Partido Comunista, Brezhnev, morreu [em novembro de 1982]. Não conseguimos continuar as negociações com os seus sucessores. Sempre considerei a Fórmula 1 como um campeonato mundial, e a Rússia — ou a União Soviética na época — era uma parte importante do mundo. Mas, no final, desistimos da ideia.”

Hungria como um dos pontos altos
Determinado a atravessar a Cortina de Ferro, Ecclestone voltou-se para a Hungria. Após recusar o centro de Budapeste por questões de ruído e impacto nas férias das pessoas, nasceu o Hungaroring, que se mantém no calendário há quase 40 anos.
“Lembro-me de uma ocasião em que Tamás [Rohonyi] me disse que tínhamos de nos reunir com alguns funcionários do governo para discutir os preparativos para a corrida. Acabou por se verificar que eram do KGB. Eles só queriam garantir que a Fórmula 1 não causaria qualquer dano ao regime comunista.
Do ponto de vista prático, eu queria realizar a corrida na cidade, no antigo circuito de Népliget (na altura e ainda hoje, um parque urbano). Mas as autoridades disseram que a F1 perturbaria os animais e arruinaria as férias das pessoas. Quando percebemos que não poderia acontecer lá, tivemos que procurar outro lugar. Foi assim que acabámos em Mogyoród, que é a casa do circuito Hungaroring há quase quarenta anos.”
Ecclestone disse que o Grande Prémio da Hungria foi um triunfo pessoal: “Sim, com certeza! A corrida melhorou ano após ano, o que foi muito gratificante de ver. Os organizadores locais sugeriram melhorias e, se elas pareciam sensatas, nós concordávamos. Sempre disse que a Hungria merece estar no calendário. A Fórmula 1 não deve perder o Grande Prémio da Hungria.”

Índia e Coreia do Sul causaram insatisfação pela sua saída
Ecclestone recorda com orgulho o GP da Hungria, mas também lamenta fracassos em mercados como Índia e Coreia do Sul, onde problemas financeiros e políticos ditaram o fim das corridas.
Apesar disso, o antigo patrão da F1 continua sonhando com um Grande Prémio em África e destaca Montreal e Baku como cidades que fazem jus à Fórmula 1. Quanto à Rússia, Sochi acolheu a F1 entre 2014 e 2021, mantendo vivo o legado do sonho moscovita, mesmo que de forma diferente.
“Fiquei muito, muito insatisfeito depois de perder essas corridas [Coreia do Sul e Índia] . Mais uma vez, havia sempre política por trás disso. Com a Índia foi muito simples. O pessoal de lá fez um trabalho incrível. Mas depois o pagamento que nos era devido não foi efetuado corretamente e não sabíamos bem porquê. Acabou por se tratar de um problema com o sistema fiscal da Índia. Foi por isso que não pudemos continuar, apesar de ser um circuito muito bom”, recordou Ecclestone. “O continente africano merece uma corrida. Acho que está a ficar mais perto, mas, como sempre, é uma questão de política e de encontrar o dinheiro.”










