F1, Alonso, WEC, quem ganhou e quem perdeu?
Confesso que este texto está feito há uns dias, mais exatamente, desde que terminei o artigo que escrevi para o Autosport sobre a primeira prova da WEC SuperSeason 2018/2019, realizada em Spa Francorchamps. E só o publico hoje porque quis comprovar que o adepto é, realmente, tramado!
Depois de Fernando Alonso ter passado pelas 500 Milhas de Indianápolis de uma forma superior, não alardeando vedetismos, não rejeitando um aperto de mão ou um autógrafo e dizendo na corrida que estava ali para tentar, mesmo, ganhar, caiu o Carmo e a Trindade quando anunciou que iria fazer o Mundial de Endurance.
Pela segunda vez em pouco tempo, o reduto da Endurance recebeu uma invasão das forças do mal (leia-se a Fórmula 1), depois de Mark Webber ter acabado o prazo de validade na disciplina máxima do desporto automóvel e aceitado um lugar na Porsche. O australiano não sabia bem ao que ia, pensou que o seu passado na Fórmula 1 lhe daria o estatuto de vedeta que pairava acima dos outros e acabou por se estatelar. É que cair no meio de pilotos como Neel Jani (o homem que bateu o recorde em Spa com o 919 Tribute), Timo Bernhard, Andre Lotterer, Romain Dumas e outros, não é pera doce e o australiano acabou por sair pela porta dos fundos.
Fernando Alonso, goste-se mais ou menos do espanhol, é diferente e se tem tiques de vedeta quando está na Fórmula 1, na IndyCar e na sua estreia na Endurance, mostrou uma faceta bem diferente. Não correu pelo paddock – aberto ao público no WEC – a fugir a uma selfie ou a um autógrafo, não rejeitou falar com os jornalistas e foi cordial, alegre, sorridente e simpático para todos.
Aceitou de forma perfeita todas a ordens da equipa, não foi rude com o seu engenheiro, não se ouviu um lamento por parte dele e nem sequer criticou algum aspeto menos conseguido do campeonato. Sempre “boa onda”. Porquê?
Alonso, ao contrário do que muitos pensam – os tais “whisfull thinkings”… – não está á procura de uma saída profissional ou de um escape por estar eminente cair borda fora da Fórmula 1. O espanhol ainda tem alguns anos na disciplina e continuam a haver interessados em lhe pagar muito bem para o ter atrás do volante dos seus carros. O que Alonso está a fazer é a preparar o seu futuro na competição automóvel, pois como ele próprio disse, por estes dias em Espanha, “mantenho-me motivado porque sou competitivo, adoro fazer corridas e adoro vencer.” E não ganhar há cinco anos não o perturba. “Fiz corridas nestes últimos cinco anos muito mais interessantes e divertidas que nos anos anteriores em que fui até campeão” lembrando que “se calhar nunca mais vou voltar a fazer uma corrida como a que fiz em Baku e terminei apenas em sétimo!”
Portanto, Fernando Alonso esteve em Spa com a Toyota para participar, tentar ganhar a corrida, naturalmente, mas ganhar conhecimento que lhe pode ser vital daqui a um par de anos quando queiser continuar a espalhar o seu talento e a sua motivação para competir.
O espanhol, ex-campeão do Mundo de Fórmula 1 e um dos melhores pilotos de sempre na competição automóvel – pouco importa que no seu palmarés não existam títulos a rodos, não tenha batido muitos recordes e esteja há cinco anos sem ganhar um GP – aceitou o desafio e veio ajudar a salvar um campeonato que já passou por demasiadas agruras.
Alonso levou ao WEC o seu tijolo para a construção do novo edifício da Endurance e a Toyota fez o mesmo ao não debandar após a saída da Audi e da Porsche e da maldade feita pela Peugeot.
Aceitou competir contra si mesma, aceitou perder alguma da superioridade técnica que exibia e mostrou que aprendeu com os erros do passado. Profundamente criticados pelos adeptos, a verdade é que Pascal Vasselon tomou a decisão certa ao impor ordens de equipa e levar os dois carros até final nas duas primeiras posições. Se deixasse Alonso e Mike Conway lutarem pelo primeiro lugar, as consequências poderiam ser complicadas até porque o espanhol mostrou que não gosta de virar a cara a um desafio quando o Toyota de Kobayashi se estava a desdobrar dele. Voltou a ultrapassá-lo e só facilitou quando a equipa lhe pediu. E a Toyota Gazoo Racing já tinha dado alguns “tiros no pé” ao longo do fim de semana.
Procurar cabelo em casca de ovo é um exercício, infelizmente, exacerbado pelas redes sociais e como disse no início, depois de ler tanto disparate sobre a presença do Fernando Alonso no Mundial de Endurance, fiquei ainda mais espantado com o que foi dito depois, com o foco das críticas a mover-se do espanhol para a Toyota porque “já começam com as ordens de equipa” e “queriam que o espanhol ganhasse” e “o campeonato é uma porcaria”. Enfim.
Deveríamos todos estar gratos a um piloto como Fernando Alonso por ter vindo dar o seu contributo para a salvação de um campeonato abandonado pelas marcas que o desejaram. Enfim, abandonado porque a Fórmula 1 vai mudar em 2021, há novas regras de motores e todos sonham – por muito que batam no peito com vigor a defender a Fórmula E – estar no grande palco que os americanos da Liberty querem fazer ainda maior.
E como escrevi há uns dias, os tempos dos motores de Fórmula 1 na Endurance estão perto de regressar e só espero que com eles venham mais construtores e mais pilotos do lado de lá da barricada. Se assim for, não há perdedores, apenas ganhadores!
José Manuel Costa
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