O confronto de gerações irá sempre existir e a questão “qual foi a melhor época da F1” permanecerá sempre, com várias respostas. Mas Alain Prost foi desafiado a escolher entre os carros da sua era, ou os da era moderna, o francês deu uma resposta lógica, mas que deve ser ouvida com atenção.
Para Prost, é impossível comparar eras, pois cada carro exigia coisas diferentes e os pilotos da atualidade teriam mais dificuldades nos carros antigos, assim como os pilotos antigos teriam mais dificuldades com os novos monolugares:
“O piloto pode adaptar-se a todos os tipos de carros, e eu próprio me coloquei essa pergunta”, disse Prost. “Mas lembro-me que, nos últimos anos, conduzi um carro moderno de Fórmula 1, e também conduzi o meu carro de 1985, que estava na Áustria. Na mesma semana pilotei o Lotus e o Red Bull moderno. Estes carros não são muito diferentes em termos de tecnologia, mas são todos perfeitos. A ergonomia no carro é muito, muito melhor do que a que tínhamos, mas a sensação não era a mesma. Conduzi o meu carro desde 85, tinha exactamente os mesmos sapatos, fato de competição, capacete e o carro tinha as mesmas posições de pedal de quando o deixei. Pilotei o carro com uma caixa de velocidades mecânica, obviamente, com a embraiagem, e o que senti 30 anos antes voltei a sentir em cerca de meia volta. Conseguia sentir tudo, conseguia sentir o pedal, conseguia sentir o vento, conseguia sentir a aderência… A forma como se trava, o carro vai um pouco para a frente”.
Prost explicou que os carros modernos são menos intuitivos para ele, e que os pilotos hoje em dia têm de aprender um estilo de condução muito mais específico para poderem tirar o máximo partido deles.
“Estes carros modernos não são para nós. É preciso ser jovem, é preciso ser treinado para o fazer logo após o karting. Estes tipos de carros não são para nós, por isso divertimo-nos menos”.
Prost recordou um dia em que o seu filho, Nico, que também é piloto de corridas, veio a Paul Ricard para testar um Renault de 1983 e teve dificuldades para se adaptar à caixa de velocidades manual.
“Lembro-me de quando Nico [Prost] veio e pilotou o meu carro de 83 em Paul Ricard, ele fez apenas duas ou três voltas e disse que era uma me***! Tivemos de parar porque ia partir a caixa de velocidades, porque nunca tinha trocado de velocidade com a embraiagem. É realmente a prova de que é preciso viver com o seu tempo, com a sua geração, e não se pode ter as duas coisas – é quase impossível.”














