Quem diria que Kevin Magnussen e Nico Hulkenberg iriam ser colegas de equipa, depois do famoso incidente na Hungria. Uma dupla inesperada, mas que pode bem ser uma das duplas mais interessantes da próxima época, olhando às necessidades da Haas e às características atuais de cada piloto.
Certamente que Magnussen e Hulkenberg não são os mesmos pilotos que eram há quatro anos, quando Magnussen usou a famosa frase que passou a ser a caricatura da relação entre ambos. Uma relação que evidentemente esmoreceu, mas que o tempo tratou de, aos poucos, de reatar.
Magnussen era um piloto agressivo, por vezes em demasia, parecendo passar na pista alguma raiva por não estar numa equipa melhor. O dinamarquês sempre foi rápido, mas era caracterizado por uma postura demasiado agressiva, colocando-se a si e aos outros pilotos em risco, sem se importar muito com as consequências. Mas o Magnussen de 2022 é diferente. Passou um ano fora da F1, nas corridas de endurance e terá sentido saudades do Grande Circo. Tantas que regressou a um projeto que não era vencedor, ao contrário do que dizia, quando jurava a pés juntos que a F1 era passado. Magnussen vê agora a F1 de uma forma diferente, mais carinhosa, quase, aproveitando todos os momentos, os bons e os maus. Magnussen também é pai e isso terá mudado a sua perspetiva do mundo e dos problemas. É agora um piloto mais maduro e não voltamos a ver aquelas manobras de defesas quase suicidas. Um Magnussen com as mesmas qualidades, mas mais maduro e mais sorridente.
Já Hulkenberg teve de esperar três anos pelo tão desejado regresso à F1. A sua teimosia foi recompensada, ele que nunca se interessou verdadeiramente por outras categorias. Foi-se mantendo na F1, respondendo positivamente quando era chamado. O ingresso na Haas é o prémio merecido pela sua tenacidade. Um piloto que não sabe pilotar mal, que sempre foi visto com respeito pelos seus colegas e adversários, mas que nunca conseguiu materializar o grande potencial que mostrou nas categorias de iniciação. Tem agora a oportunidade de voltar a fazer o que realmente gosta e que sempre fez bem.
Será esta a melhor dupla para a Haas? Provavelmente. Dois pilotos experientes que noutros tempos seriam tão compatíveis como água e azeite, mas que vivem fases diferentes das suas vidas, talvez mais conformados com o seu papel na F1 e dispostos a aproveitar o melhor que a competição tem para lhes oferecer. Curiosamente, dois pilotos que passaram pelo endurance, onde o espírito de equipa é fundamental para o sucesso. A Haas conseguiu uma dupla que irá ficar menos cara em peças sobressalentes e que sabe o que tem de fazer para melhorar a equipa. Todos ganham… menos quem ficou sem lugar.











