Ainda agora começou 2023, pelo que pode não fazer sentido falar de 2025, mas a verdade é que na F1 o planeamento atempado é a chave do sucesso e se a McLaren quiser garantir o sucesso do seu atual plano, tem de mostrar resultados contundentes dentro de dois anos.
2023 é um ano de muito trabalho para a equipa de Woking, com a conclusão dos trabalhos de construção de um novo túnel de vento e um novo simulador de última geração. Os planos foram colocados em execução em 2019, mas a chegada da pandemia atrasou o processo, pelo que só este ano é que as novas ferramentas estarão prontas a serem usadas. Mas não se trata apenas de mudar de uma ferramenta para outra. O trabalho de uma equipa de F1 está otimizado com as ferramentas à disposição e a chamada correlação (relação dos dados da simulação, com os dados obtidos em pista) é um trabalho constante em que as fórmulas matemáticas vão sendo aperfeiçoadas para aproximar o mais possível o virtual do real.
É preciso fazer esse trabalho com as novas ferramentas e, logicamente, fazê-lo de uma vez seria a receita para o desastre. 2023 será, portanto, um ano de transição em que a McLaren dará os últimos passos rumo a um futuro que se pretende risonho. Talvez seja demasiado ambicioso pedir que a McLaren faça um carro para lutar pelo título em 2024, com um 2023 de transição. Mas 2025 é o ano do tudo ou nada.
Será em 2025 que a McLaren terá um carro feito já com as novas ferramentas, sem os problemas de transição, sendo também o último ano desta regulamentação, com 2026 a ser o ano da entrada em cena dos novos motores e de uma filosofia aprimorada na aerodinâmica dos monolugares, agora pensada para promover o espetáculo. É também o último ano de contrato de Lando Norris e, se o britânico continuar a evoluir como tem feito até agora, nessa altura será (ainda mais) uma das estrelas da F1. Mas sem um carro para lutar pelo título, Norris poderá sentir-se tentado em ir para outras equipas, sendo que do lado da Audi estará um Andreas Seidl (que já conhece bem Norris), que começa desde este ano a preparar a entrada da marca de Ingolstadt. Mas mesmo que não seja a Audi, o mercado de pilotos pode evoluir de forma a que Norris se torne num alvo apetecível para outras equipas que se mostrem mais competitivas. Há muito em jogo em 2025 e se este ano poderá ser algo atribulado para a McLaren, 2024 e 2025 serão épocas cruciais para a estrutura de Woking. Sem sinais positivos nessas duas épocas, o balão da McLaren pode esvaziar-se e o projeto pode perder força. Com tanto em jogo nessas duas épocas, o trabalho feito este ano será fundamental para o sucesso.












