Se a escolha do “Destaque” e do “Herói Esquecido” nos pareceu mais ou menos óbvia, a escolha da desilusão foi mais difícil. Havia vários candidatos, mas as contas finais levaram-nos a escolher Sergio Pérez.
Na nossa lista final, estavam Pérez, George Russell e Lance Stroll. Eliminamos Logan Sargeant por ser estreante e Nyck de Vries por não ter feito a época toda, apesar de justificarem o “prémio”. George Russell foi o primeiro a ser excluído, pois, apesar de ter tido uma época abaixo do que seria esperado, acabou por ficar em oitavo lugar, com 175 pontos, com presenças no pódio (2). Lewis Hamilton foi o piloto mais forte da Mercedes, mas os números mostram que a época de Russell não foi de todo um desastre. Com 15-13 no score da qualificação face ao heptacampeão, e com uma diferença de apenas 0,020 seg. a separar Russell de Hamilton (com vantagem para Russell), vemos que o ritmo do #63 não foi mau de todo. Nas corridas é que Lewis Hamilton conseguiu ir buscar muitos mais pontos, enquanto Russell foi colecionando azares e erros. No que diz respeito a lutas internas, foi a mais equilibrada do ano, mas esperávamos mais de Russell. No entanto, as atenuantes afastaram o britânico do rótulo de desilusão.
Lance Stroll e Sérgio Pérez eram os homens que restavam. A diferença no confronto interno nas qualificações era semelhante e as diferenças para os colegas eram significativas. Mas Stroll teve a atenuante de começar o ano limitado, com a lesão nos pulsos que estragou a preparação da época, o que o impossibilitou de maximizar o excelente momento de forma que a equipa viveu nas primeiras corridas. À medida que ia recuperando, a equipa foi perdendo gás. Nunca mostrou a mesma força do colega de equipa, Fernando Alonso e, apesar de ter terminado o ano com excelentes prestações, ficou muito longe de Alonso.
Assim, a escolha de desilusão acabou por recair em Pérez. Talvez seja injusto o vice-campeão, um dos três pilotos que conseguiu vencer este ano (2 triunfos), que conseguiu duas poles, nove pódios e foi o segundo piloto com mais voltas na liderança, receba o rótulo de desilusão. Mas a realidade, neste caso, vai para lá dos números. Pérez começou o ano em grande e parecia ter capacidade para levar a luta do título até ao fim. Ainda na primeira metade do ano perdeu confiança e o seu rendimento caiu. Foi inconsistente e depois do bom arranque, nunca mais ficou próximo de Verstappen. O neerlandês é um osso muito duro de roer, mas Pérez tem muita experiência. O mexicano já fez pequenos milagres em pista, nos tempos da Force India e da Racing Point, já mostrou que é um piloto maduro, experiente e que sabe o que faz. Nunca será o piloto com mais velocidade pura, mas é sem dúvida um dos melhores na forma como aborda a corrida. Mas não conseguiu encontrar o melhor compromisso nas qualificações e não poucas vezes acabou por ter de fazer corridas de recuperação. Pérez não é um predestinado, mas é um bom piloto e tinha capacidade para fazer mais. Ficou demasiado longe do seu colega, foi demasiado inconsistente e, com isso, acabou por ser alvo de rumores, com o seu lugar a estar ainda pouco seguro. No papel, a época de Pérez não foi má. Na prática, terá sido uma das mais duras da sua carreira. Esperávamos mais e por isso se tornou na desilusão do ano.











