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F1 2022, as diferenças entre a ‘antevisão’ e a realidade: algumas boas e más surpresas

José Luis Abreu by José Luis Abreu
5 Dezembro, 2022
in F1, FÓRMULA 1
A A
F1 2022, as diferenças entre a ‘antevisão’ e a realidade: algumas boas e más surpresas

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É sempre um exercício interessante olhar para o que se fez na antevisão de uma competição e depois confrontá-la com o que realmente se passou. Felizmente, as competições quase sempre nos surpreendem e isso é o que mais queremos como jornalistas, pois quanto mais emoção e espetáculo para o público, melhor.
Começámos com o óbvio “monolugares completamente novos, que se esperam poder aumentar as lutas em pista”. É verdade, melhorou bastante, mas ainda está longe de ser perfeito, se é que alguma vez o pode ser.
A primeira ‘bola a sair do saco’ foi a nova filosofia através da qual os carros passaram a gerar o seu apoio aerodinâmico – até agora mais de 60% da ‘downforce’ era criada pelas asas, mas agora o fundo dos monolugares, com os túneis venturi, é responsável por quase 70% da aderência aerodinâmica”, isto fez reaparecer um fenómeno na F1: o ‘porpoising’, com os carros a saltitar em pista. A Mercedes foi quem mais sofreu, pelo menos nas equipas da frente.
E como foi quanto a uma possível nova ordem competitiva? “O potencial para haver grandes modificações na ordem competitiva vista nos últimos anos era elevado, mas já se percebeu que não vai haver uma repetição do sucedido em 2009, quando a Brawn GP, com uma interpretação muito própria dos regulamentos, apresentou um carro muito mais competitivo que os demais.”
Quer dizer, não houve uma Brawn, uma nova equipa que se sobrepôs a todas as outras, mas isso sucedeu com uma que já existia, a Red Bull, que começou ‘tremida’, mas depois, quando entrou nos ‘carris’, deixou foi a concorrência a tremer até ao fim da época…
Nos testes, muitos esconderam coisas, a Ferrari teve um bom início de pré-temporada, e confirmou-o nas primeiras corridas, Mercedes e Red Bull não evidenciaram problemas de maior, mas a Mercedes estava a escondê-los bem. A McLaren sofreu pouco com o ‘porpoising’, a Alfa Romeo sofreu muito, foi mesmo extremo no C43, logo nos testes.
Por isso, antes de arrancarem as corridas, escrevemos: “será com alguma dose de confiança que poderemos dizer que a Mercedes e a Red Bull poderão estar numa boa posição para continuar a digladiarem-se por vitórias em cada um dos Grandes Prémios.” 50% falso, como sabemos.
A Red Bull, sim, fê-lo em todas as corridas, a Mercedes até começou com um pódio, no Bahrein, outro na Austrália na terceira corrida do ano, mas Hamilton, depois do pódio no Bahrein, teve que esperar 8 corridas até conseguir outro. E não venceu um único Grande Prémio durante o ano.
O único piloto da Mercedes que o conseguiu foi George Russell, a uma corrida do fim da época, no Brasil.
Na antevisão, dizíamos que a Red Bull “tem um monolugar bastante acima do peso mínimo regulamentar” mas venceram logo na segunda corrida, e com nove GP já tinham sete vitórias. Tudo dito quanto à influência do peso. Acho que o ‘peso’ de Max Verstappen foi muito mais importante…
Quanto à Mercedes, “o grande problema em Barcelona foi o ‘porpoising’, tendo sido uma das equipas que mais se debateu com o fenómeno, mas a equipa de Brackley apresentou nos testes do Bahrein uma evolução profunda do W13, o que lhe permitiu resolver essas questões”. Não foi nada disso que aconteceu. A ‘questão’ ficou por vários meses…
Já quanto à Ferrari, “foram algumas circunstâncias que a afastaram do círculo dos vencedores nas últimas duas temporadas. Este poderá ser o ano do regresso da Ferrari ao topo, caso o F1-75 demonstre ser o carro que a equipa espera.” Começou por ser, mas foi Sol de pouca dura e apesar do carro não ser mau, o Red Bull foi melhor e a Scuderia cometeu demasiados erros. Sem eles, a Red Bull não teria vencido tantas corridas, longe disso. Mas teriam sido os campeões à mesma…
A McLaren deu boas indicações no defeso, mas isso nunca foi suficiente para poder jogar de igual para igual com a Red Bull e a Mercedes. Quanto muito fê-lo com a Alpine, e perdeu…
A Alpha Tauri pareceu ter um carro muito bem-nascido… só que não, já que depois do quarto lugar de um sexto lugar no Mundial de Construtores de 2021, foi nona em 2022. Portanto, ‘mal-nascido’ e não bem…
Já a Williams, “poderá dar um salto competitivo do final da grelha para a luta pelos melhores lugares do segundo pelotão”. Realmente deu um salto, sim, mas para trás. Foi oitava em 2021, 10ª em 2022.
A Aston Martin manteve a mesma discrição do sétimo lugar de 2021, e foi sétima em 2022. Lawrence Stroll disse na apresentação da equipa, há quase dois anos, que em cinco queria estar a lutar na frente, ainda vai a tempo. Já só faltam é três anos para isso.
A Alpine teve dificuldades nos testes, mas apesar da parca fiabilidade, fez um bom trabalho durante o ano e bateu a McLaren na luta pelo quarto lugar dos Construtores. Convém é não esquecer que a maior parte da culpa disso se deveu a Daniel Ricciardo, pois enquanto os dois pilotos da Alpine foram oitavo e nono no campeonato, Lando Norris ficou trinta pontos à frente deles, e Ricciardo ficou mais de 80 pontos atrás. E foi isso que fez a diferença entre as equipas, e não a rapidez dos carros.
A formação suíça parece ter um carro capaz de dar um salto competitivo, o mesmo se passando com A Haas melhorou um bom bocado face a 2021, mas isso deveu-se muito mais à melhoria dos pilotos, especialmente Kevin Magnussen, do que o carro.
Quanto à Alfa Romeo, prometeu muito nas primeiras nove corridas, com algumas intermitências, mas depois teve uma sequência incrível de maus resultados até ao fim do ano, não conseguindo melhor que o sexto posto.
Outra coisa que falhou, pelo menos em 2021, foi o limite orçamental na Red Bull..
de resto, assistimos a boas corridas, bons espetáculos, mas o domínio exercido por Max Verstappen tirou muito interesse ao topo da competição. 15 vitórias é um número assombroso, vamos ver como reage a concorrência…

Tags: F1Fórmula 1
José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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