E se esperassem pelas corridas do jovem Lance Stroll?
Desde que se começou a perceber que Lance Stroll mais cedo ou mais tarde iria chegar à F1, num percurso acelerado pelas possibilidades que o pai Lawrence lhe permite, que boa parte da imprensa não tem perdido oportunidades para ‘cascar’ no jovem canadiano, isto, sem que sequer tenha feito uma única corrida na F1. Isto não é nada de novo. Por exemplo, a pressão mediática que existiu quando Bruno Senna, sobrinho do tricampeão do Mundo, Ayrton Senna, começou a trilhar o seu caminho nos desportos motorizados foi algo semelhante, e a frase “só lá chegou porque tem Senna no nome” é semelhante ao que se ouve agora “só lá chegou por causa do dinheiro do pai”. E isso é extremamente injusto. Em primeiro lugar, porque qualquer um que tivesse as mesmas hipóteses, faria exatamente a mesma coisa, utilizar o dinheiro do pai, ou de qualquer outro parceiro que apoiasse. É hipócrita quem disser o contrário. Se não for apenas hipócrita é invejoso! Em segundo lugar, a ‘verdade’ é como o azeite em água e vem sempre ao cimo. E é dessa forma que olhamos para o que está a fazer Lance Stroll. Contextualizar e esperar.
Quando o jovem chegou a Barcelona para o primeiro teste de fogo, em que se iria comparar com os restantes, não faltou quem atribuísse uma importância muito maior aos piões e saídas de pista que o jovem Lance Stroll teve. Para nós foi algo absolutamente normal, e apenas sinal de que se está a esforçar muito, e só vamos tecer juízos de valor quando for disputando Grandes Prémios de F1, aumentando o grau de ‘exigência’ (na análise) com o passar do tempo. É assim que temos de olhar para um rookie na F1, sendo certo que é bem mais fácil para nós que estamos aqui atrás de um ecrã de computador, do que para ele que tem de lidar com os restantes ‘lobos’ em pista. Embarcar na onda dos que já “fizeram o filme todo” não embarcamos…
Quanto ao jovem Stroll, insiste que não se importa com qualquer crítica que tenha recebido antes de sua estreia na Fórmula 1. O rookie teve um início complicado no teste de Barcelona – incluindo uma colisão que custou um dia de testes à Williams – antes de uma tranquila segunda semana na pista espanhola: “Não me importo com as críticas, não são da minha conta”, disse Stroll. “Nós somos todos profissionais, as coisas acontecem no automobilismo e só temos que superar isso. Foi muito tranquilo para todos e para nós, foi apenas uma frustrante [primeira] semana, mas pensámos logo no segundo teste em que fiz um bom trabalho. Cumpri toda a programação com séries longas, curtas, com todos os compostos de pneus, por isso foi uma boa semana”.
Stroll insiste que não tem nenhum objetivo particular para sua primeira corrida de F1, nas ruas do Albert Park em Melbourne no próximo fim de semana.
“Tenho que ficar calmo e não acho que tenha de definir um objetivo”, disse. “Obviamente, é um novo circuito para mim, é uma pista diferente – não é como um final de semana normal de corrida. É um circuito de rua, tenho muito para aprender, mas vou passo a passo, dia a dia”, terminou o canadiano.
Logicamente que vai ter um ano difícil, não nos esquecemos do que foi a primeira fase do seu primeiro ano na F3, com todos aqueles acidentes, mas também soubemos olhar para o que fez no ano e meio a seguir. Testou muito para entrar na F1? Sim, e depois? Qualquer piloto da história da F1 não teria feito o mesmo se pudesse? Deixem-se de tretas e esperem pelas corridas. Aí sim, depois poderão tirar conclusões. Mas nunca agora…
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Filipe Cunha
18 Março, 2017 at 13:33
claro q a imprensa esta a ser injusta,,,e o afastamento do felix da costa n foi o dinheiro russo a falar mais alto???e o alvaro parente e o filipe alburqueque??
RedDevil
18 Março, 2017 at 15:01
sim… o Hamilton, Vettel, Verstappen, Sainz, Alonso, Schumacher, Raikkonen, Hakkinen, Prost, Senna, Mansel, etc, etc, tiveram montes de problemas com o dinheiro russo… para não falar em outros portugueses que lá chegaram com pouco dinheiro…
Speedway
18 Março, 2017 at 17:30
Obviamente que não se pode julgar um piloto…quando ele ainda nem um GP fez !
rodríguezbrm
18 Março, 2017 at 20:37
20 técnicos e 5 engenheiros da Mercedes, 2 PU propositadamente preparadas para o menino , milhares de kms em testes -como já não se via desde o “patrício” Jacques Villenueve- em Barcelona, Silverstone, Austin , Budapeste, Abu Dhabi, Sochi ou Monza ( a 4segundos da pole!); papá a comprar a equipa da Prema para o menino ganhar a F.3 etc. etc., etc,. e não se critica o rapazinho quando foram “fuzilados” outros pela imprensa que se estrearam ” a seco” na actual F.1 ( é preciso algum nome?)?!
– https://www.youtube.com/watch?v=qqtuqtTSUKc
Iceman07
18 Março, 2017 at 22:52
A primeira corrida vai ser uma tourada, ao estilo Grosjean vai meter o Vettel para fora da corrida.
Fernando Cruz
18 Março, 2017 at 23:28
É verdade que há uma certa inveja e má vontade contra quem chega à F1 com muito dinheiro ou um nome sonante. Mas depois o que mais conta é estar no sítio certo, na hora certa. Temos o caso do Bruno Senna, que se tivesse entrado na Brawn em 2009 poderia ter tido uma carreira brilhante. Ganhou corridas e lutou pelo título na GP2, uma categoria de carros iguais, e não iria fazer o mesmo tendo mesmo o melhor carro? No mínimo teria pelo menos algum sucesso se fosse bem aproveitado e certamente teria se desenvolvido muito mais. Tal como aconteceu com o Damon Hill, outro piloto que começou tarde, mas mostrou o que era possível fazer quando se têm as condições ideais. O Bruno faria o mesmo, ou parecido, se tivesse as mesmas condições.
Agora o que suscita inveja e má vontade é saber-se que há pilotos mais talentosos que fariam ainda melhor do que quem chega com muito dinheiro ou um nome sonante. Mas o automobilismo é mesmo assim e temos o caso do Álvaro Parente, porventura o mais talentoso piloto português de todos os tempos. Mas vindo de um país com um mercado pequeno como é o nosso nunca teve sequer a oportunidade de conseguir lugar numa equipa de topo nas fórmulas de promoção, pelo menos não nas WSR ou GP2. Mesmo assim fez o que fez na F3, WSR ou mesmo GP2 e acredito que tinha valor para fazer uma grande carreira na F1 se lá tivesse chegado com as condições mínimas. Já o António Félix da Costa o problema dele foi mesmo uma questão de timing. Bastava o Webber ter-se aposentado um ano mais cedo e certamente o lugar na Toro Rosso seria dele. Lembrou o que aconteceu ao Bruno Senna no final de 2008 e início de 2009. Bastava a Honda não ter saído por causa da crise financeira, ou o Barrichello ter-se aposentado uns anos mais cedo, no final de 2008.
Flávio 1982
19 Março, 2017 at 1:21
Devemos dar uma oportunidade ao miúdo. Pilotos “pagantes” sempre os houve e sempre haverá. Claro que alguns sem talento e outros com. O Niki Lauda teve que comprar um lugar numa equipa de formula. Resultado disso… só foi 3 vezes campeão mundial. Lógico que esse era vinho de outra pipa.
Miguel Costa
19 Março, 2017 at 1:40
Ao contrário do que afirma o JLA, a minha observação de que o Scroll pode vir a ser o novo Andreia de Cesaris basea-se no que fez até agora nas categorias por onde passou e não no que pode vir a fazer, isso o futuro demonstrará (se confirma o epitáfio que lhe colei ou se me demonstra que estou errado). Não fez absolutamente nada no passado que diga que é um piloto com o talento ao nível de um futuro campeão ou semelhante, teve oportunidades que raramente alguém teve na história das modalidades de velocidade (tirando aquele príncipe, Saudita senão me engano, que andava na F. Indy) e demonstrou muito pouco para tanto dinheiro, certo que o dinheiro é tudo para chegar a F1 (todos os grandes precisaram dele também para entrar, com possível excepção do Raikkonen, que foi mesmo uma aposta em grande do Peter Sauber), mas o talento tem de lá estar, ou pelo menos devia e o canadiano não mostrou, mesmo na PREMA a equipa que o papá comprou e dotou de engenheiros e mecânicos com experiência de F1, dando todas as ferramentas necessárias para ele ganhar, coisa que só fez à segunda, depois de um 1º ano desastroso. E digam o que disserem só está na Williams porque o papá comprou o lugar, com quanto não sei, mas comprou, pena a Williams necessitar disto, uma equipa com o historial da mesma. Não falo com dor de cotovelo (por nenhum piloto português, mesmo o Lamy, o Monteiro e o Matos Chave precisaram disso, o Monteiro é o maior exemplo que só se mantém na F1 porque dá pontos a uma Jordan em decadência, porque dinheiro o homem não tinha), mas antigamente os lugares compravam-se nas equipas do fundo do pelotão, as Shadow, as Tyrrell, as Toleman e as Minardi, mas ao fim de 37 anos a ver F1 continua a chatear-me ver pilotos que demonstraram pouco talento, chegarem a F1 só porque tem 50 milhões e os outros que apenas tem 10, mas para qualquer amante do desporto automóvel demonstraram que o potencial é enorme ficarem para trás. Este AINDA não demonstrou nada que me faça dizer que está ali um futuro campeão, está ali apenas um piloto que tem dinheiro em cascata mais nada, e a sua primeira semana de testes de F1 demonstrou isso mesmo. Atenção que o epitáfio de Andreia de Cesaris apenas diz respeito aos despires e acidentes que o mesmo protagonizava, porque apesar disto tudo era um piloto muito rápido, só que pronto era nabo mesmo!