“Levantar o pé” em qualificação: o erro de conceção das novas regras da F1
Por muito que se teste, por muito boas “cabeças pensadoras” que elaborem um regulamento, e por mais complexo que este seja, a verdade é que não há, nem nunca haverá, nada como “dar de caras” com a realidade, e o que está a acontecer com as novas regras da F1 é algo desse género.
E na Fórmula 1, quando se chega ao ponto de um piloto ser – virtualmente – impedido de atacar a fundo uma volta de qualificação devido ao risco de “desregular o sistema elétrico do motor”, pois isso vai ‘lixá-lo’ para o resto da volta, está tudo dito. A Fórmula 1 está agora a perceber detalhes muito complexos destes regulamentos que estão a complicar em demasia o que se quer simples e eficiente.
O facto de os pilotos terem de fazer uma excessiva gestão da energia disponível obriga-os a algo que é contranatura: onde em condições normais andariam de “pé a fundo”, agora têm de aliviar o acelerador, porque senão ficam sem energia para o que falta. E este detalhe, ver um piloto a levantar o pé numa volta de qualificação, onde normalmente andaria de acelerador a fundo, é o perfeito exemplo do erro que foi cometido por quem regulamentou. Até um simples erro com a respetiva correção – normalmente, aliviar o acelerador – pode levar o sistema a “baralhar-se” e a cortar a potência elétrica disponível, o que, como é lógico, prejudica o resto da volta.
Portanto, a FIA já percebeu que é preciso mudar algo muito rapidamente. E este hiato entre o GP do Japão e Miami – onde ficavam as corridas canceladas/adiadas, Bahrein e Arábia Saudita – é a oportunidade perfeita para a FIA, a Liberty e as equipas se sentarem e conversarem. Entre os chefes de equipa existe total acordo que a qualificação deve sofrer alterações técnicas nos carros.
A “primeira bola a sair do saco” passa por reduzir a dependência da bateria e compensar isso com um aumento do fluxo de combustível apenas para a qualificação. Isto permitiria manter a velocidade sem necessidade de “lift and coast”. Quanto à qualificação, a questão é simples: todos sofrem com o mesmo e todos querem a mesma coisa.
Mas nas corridas a questão é diferente, porque duas corridas, três depois do Japão, pode ser pouco para tirar conclusões. Isto significa que, no caso das corridas, não há tanta pressa para mudar as regras, pois apesar de alguns pilotos não gostarem do estilo de ultrapassagens “yo-yo” (alternância de energia), o público em geral aprecia o enorme aumento de ultrapassagens, e são poucos os que sabem por que é que um piloto que acabou de ser ultrapassado passa novamente para a frente do seu adversário pouco depois.
Em resumo, é importante que a qualificação seja intervencionada rapidamente e, quanto às corridas, podemos esperar mais um pouco e ver o que sai do “primeiro estranha-se, depois entranha-se”. Vamos ver…












