Mika Hakkinen iniciou o Mundial de 2001 como grande candidato ao titulo, depois de ter ganho os campeonatos de 1998 e 1999 e de ter perdido para Schumacher, a duas corridas do final, o Mundial de 2000. Mas o finlandês ainda estava no auge da sua carreira, tendo protagonizado em Spa-Francorchamps uma ultrapassagem “do arco da velha” ao alemão e era considerado, à época, o único verdadeiro rival de Schumacher.
Só que o McLaren MP4/15 teve um parto difícil, Hakkinen não conseguiu grandes resultados nas primeiras corridas do ano e chegou a Barcelona longe do seu rival e a necessitar desesperadamente de recuperar pontos. Numa pista onde sempre se deu bem, Hakkinen embalou para uma corrida ao seu estilo, dominando desde o início, para ir ganhando uma vantagem apreciável, até porque Coulthard, o único que tinha material para o incomodar, se atrasou.
Na entrada da última volta o nórdico comandava com 40 segundos de vantagem sobre Schumacher e estava a dobrar Montoya, que era o terceiro classificado (!) quando, mesmo em frente às boxes, a embraiagem do seu McLaren explodiu. Algumas peças da transmissão caíram mesmo para a pista no final da reta e se Hakkinen ainda tentou completar a volta que faltava, a verdade é que o MP4/15 parou mesmo na Curva Nove, condenando-o ao abandono.
O finlandês voltou às boxes à boleia, foi cumprimentar Schumacher pelo seu triunfo, manteve a compostura até ao final do dia, mas acabou por nos confessar, anos mais tarde, que tudo mudara naquele domingo: “Deveria estar furioso, porque tinha perdido dez pontos e oferecido mais quatro ao Michael, mas não estava. Fiz a preparação para o GP do Mónaco de forma mecânica, sem motivação, e depois do primeiro dia de treinos livres fui ter com o Ron Dennis e disse-lhe que queria deixar de correr de imediato. Ele ficou chocado, pediu-me para reconsiderar e, pelo menos, terminar a temporada para não deixar a equipa em situação complicada e aceitei o seu pedido, porque devia tudo ao Ron e à equipa. Felizmente consegui vencer em Silverstone e Indianapolis, duas pistas onde nunca tinha ganho, mas a paixão pela F1 tinha mesmo desaparecido.”











