CRÓNICA O SEXTAVADO: Red Bull dá-te ‘aaasaaassss’…
Por José Manuel Costa
Confesso que não gosto de Red Bull (a bebida, claro!) e que desconfio, naturalmente, do “dá-te asas”. Mas no domingo, no Autódromo José Carlos Pace, Max Verstappen ganhou um par de asas da Red Bull e esbofeteou a concorrência de uma forma absolutamente incrível.
Aliou talento e alguma maturidade a um carro cujo chassis rimou de forma perfeita com a montanha russa que é o traçado brasileiro encravado no meio das favelas de São Paulo e do bairro de Interlagos.
Tivemos de tudo na prova brasileira: uma Red Bull intratável, uma Mercedes pela primeira vez aos papéis e a ter uma inusitada falha mecânica e uma Ferrari em modo “hara kiri” com Vettel e Leclerc a precisarem de um valente puxão de orelhas!
Mas houve mais: pneus de três misturas diferentes que tinham
o mesmo ritmo com as borrachas pensadas para durarem mais tempo a falecerem
mais depressa que as outras misturas, temperatura morna, franceses em busca do
próximo Alain Prost, espanhóis a celebrar como se fosse a vitória e um campeão
do mundo completamente batido “fair and square” por um carro da segunda
divisão.
Razões para tudo isto? A pista de Interlagos é fabulosa e permite destas coisas; o chassis Red Bull é feito para estas pistas e sendo mais curto entre eixos é muito mais ágil que os compridos Ferrari e Mercedes; Max Verstappen quando não inventa e tem meios para ganhar, dificilmente perde; campeões encontrados, descompressão e pensamento já em 2020; Ferrari a regressar aos tempos do “grosso casino” dos gloriosos tempos da casa de Maranello.
Enfim, o Grande Prémio do Brasil teve quase tudo aquilo que
gosto na Fórmula 1, ajudado, é certo, por um “safety car” que à boa maneira
americana, foi empastelando o plantel, permitiu que quase duas mãos cheias de
carros com volta de atraso regressassem à volta do líder e deixou os principais
candidatos á vitória atrás uns dos outros.
Ganhou, e muito bem!, Max Verstappen. Foi o melhor e a forma como esbofeteou Lewis Hamilton é de campeão. Pierre Gasly provou que está mais à vontade na Toro Rosso que na RedBull e aproveitou a parvoíce dos pilotos da Ferrari para chegar a um pódio inusitado.
Alexander Albon justificou a escolha da RedBull para se manter ao lado de Verstappen em 2020, ao manter em respeito Hamilton e conseguir, mesmo, uma ultrapassagem de truz no final do retão de Interlagos ao campeão do mundo. Pena que Hamilton não tenha respeitado o miúdo e o tenha atirado para o final da classificação.
Albon não merecia e os cinco segundos de penalização que tiraram o pódio ao campeão do mundo – e que permitiram o primeiro pódio sem Mercedes e Ferrari desde 2014 – são pouco para os estragos feitos por Hamilton.
A casa de Maranello voltou a tropeçar nos atacadores e conseguiu o feito inédito de colocar os dois carros fora de prova num incidente entre Vettel e Leclerc.
Não vale a pena encontrar um culpado: Vettel sabia muito bem que Leclerc estava na luta pelo terceiro lugar do campeonato com Verstappen. Se o holandês estava na frente da corrida, Leclerc tinha de reunir o maior número de pontos para chegar ao AbuDhabi em condições de fica no pódio. Ambos sabiam disso e na ocasião do Safety Car, a Ferrari não clarificou a questão depois de antes ter batido forte e feio no jovem monesgasco quando lhe montaram pneus duros absolutamente desconhecidos por não terem sido tocados nos treinos livres.
Binotto e os seus rapazes corrigiram o tiro, mas deram a Vetrel a possibilidade de se defender ao pará-lo no Safety Car para colocar pneus de faixa vermelha e alterando a estratégia de uma para duas paragens.
Mas quando Leclerc, em pista, estava mais veloz e passou de
forma enfática Vettel na primeira curva, o alemão deveria ter engolido o ego e
deixar Leclerc rumar a um pódio que mitigava a perda de pontos para Verstappen.
O quatro vezes campeão do mundo cegou e atirou, com Leclerc, para a escapatória
um resultado de conjunto que já seria lisonjeiro depois de tanta trapalhada.
Agradeceu Gasly que bateu Hamilton numa corrida de
“dragsters” até á linha de meta – onde o motor Honda provou ter pulmões
desmentindo Alonso que dizia ser um motor de GP2 – passando agora a herói
nacional e com direito a ocupar, até ao próximo desaire, o trono de Alain
Prost, vazio desde o abandono do piloto gaulês.
Os espanhóis vibraram com a corridaça de Carlos Sainz, que
largando de último e com as vicissitudes da corrida a seu favor, chegou ao
pódio, o primeiro da sua carreira e o melhor resultado da McLarem em 2027 dias.
Bottas arrumou as luvas mais cedo devido a uma quebra
mecânica, Hamilton foi penalizado devido a ter atirado Albon para a
escapatória, a Ferrari abandonou os dois carros no mesmo local e sobrou a
RedBull e a Toro Rosso para fazer a festa. Que está no seu ocaso, faltando
apenas o “grand finale” no deserto do AbuDhabi.
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