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Tecnologia ao serviço do estacionamento: a simplificação nos processos

José Luis Abreu by José Luis Abreu
14 Dezembro, 2023
in AUTO+
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Não restam dúvidas, que quando se anda à procura de estacionamento nas cidades, se gasta combustível. Se existisse uma (ou mais) aplicações que permitissem que essa tarefa fosse rápida e eficaz. Imaginemos que um sistema de estacionamento inteligente utilizaria sensores no chão ou outras tecnologias para determinar a disponibilidade de lugares de estacionamento nas cidades. Os dados dos sensores seriam coletados e analisados em tempo real, automaticamente, para fornecer aos condutores informações sobre a disponibilidade de estacionamento nas proximidades, e o condutor poderia reservar esse lugar somente se estivesse a uma pré-determinada distância curta desse lugar. Imagina o que se poupava de emissões.
Sistemas destes ainda não existem, embora a tecnologia já o permita.
Pode-se fazer com sensores instalados nos próprios lugares de estacionamento que detetam se um lugar está ocupado ou não, podem usar-se câmaras de vigilância que detetem lugares vagos, e o sistema de estacionamento inteligente poderia ser integrado a um aplicativo de navegação ou a um serviço de mapas.

O que se sabe é que nos últimos anos, a abrangência do uso da tecnologia estendeu-se a todos os sectores.
O estacionamento de veículos acompanhou esta tendência, com um claro incremento da utilização de aplicações para pagamento do estacionamento.
O funcionamento dos ecossistemas de estacionamento é, em muitas circunstâncias, visto como estanque e intrinsecamente ligado aos automóveis e condutores, sendo o estacionamento considerado como apenas um passo no processo.
Contudo, a tecnologia tem vindo a demonstrar, nos últimos anos, que equacionar este ecossistema tem o seu ponto de partida na inovação e na sustentabilidade das cidades, assim como na perspetiva de simplificação de processos para os utilizadores.
Nesta ótica, a tecnologia aplicada ao estacionamento vai bem mais além dos parques cobertos com cobrança em máquinas de pagamento automático, ou com elevadores de transporte dos veículos para incrementar o espaço disponível para estacionar.
Prevê-se atualmente que a massificação do uso da tecnologia irá chegar aos processos de pagamento de estacionamento e que os parquímetros físicos poderão, simplesmente, deixar de existir.
Um recente estudo na Finlândia revela que as grandes cidades estão, aos poucos, a eliminar a existência de parquímetros físicos, dado o incremento do uso de aplicações de estacionamento. E se tal acontece nos grandes meios urbanos, em breve, será uma tendência generalizada.
No mesmo sentido movimenta-se o Reino Unido , onde o governo se prepara para lançar uma infraestrutura nacional de pagamentos de estacionamento online.
Nesta estarão disponíveis todas as aplicações existentes no país para o pagamento do estacionamento, sendo competência do utilizador selecionar a que melhor se adequa aos seus hábitos de consumo. Esta situação deixa na mão do utilizador a escolha a realizar, ao mesmo tempo que permite às diferentes aplicações estar em pé de igualdade na sua oferta de serviços. Uma clara vantagem para o utilizador que não apenas toma a decisão que considera adequada às suas necessidades e que, simultaneamente,não terá que se preocupar se a sua aplicação está disponível em determinada cidade, nem em utilizar pagamentos físicos.
Esta realidade tecnológica apresenta-se ao consumidor como um mercado aberto, quer em termos económicos, quer em termos de desenvolvimento do ecossistema.
Contudo, o caso de Portugal está, ainda, bastante distante dos seus congéneres europeus. No caso português, o número de aplicações que podem operar na cidade de Lisboa é ilimitado – neste momento operam 5 aplicações de estacionamento -, mas noutras cidades, a realidade é bastante díspar onde, em média, se encontram uma ou duas aplicações à disposição do condutor.
Estas circunstâncias colocam o país numa situação de potencial de crescimento bastante grande, mas limitativo ao utilizador: uma aplicação que facilmente se utiliza em Lisboa, poderá não estar disponível numa cidade como seja o Porto.
Nestas circunstâncias, o mercado aberto é, na situação portuguesa, um potencial de desenvolvimento que traz ao ecossistema existente, e aos que se estão a desenvolver, o conhecimento de outros mercados, e que se pode refletir em implementações bastante mais simples.
Ainda assim, o consumidor português fica aquém do potencial de viagem de outros condutores: a possibilidade de viajar e estacionar sempre com a mesma aplicação no telemóvel e na sua língua é bastante restritiva ao condutor português, dentro e fora do seu país.
O que para um utilizador europeu será bastante simples, de utilizar uma única aplicação em qualquer ponto do seu país e, até, da Europa, não o é para um português.
Das aplicações mais conhecidas no mercado português, a maioria opera apenas no mercado nacional. Ainda que, pontualmente, alguma aplicação possa ser utilizada no mercado português e espanhol, estas não estão disponíveis além da Península Ibérica, o que limita o potencial para o utilizador que viaje e conduza no estrangeiro com frequência. Assim, o desenvolvimento tecnológico como o caso finlandês da possibilidade de eliminação de parquímetros físicos pode ser restritivo ao condutor português, quando esta se tornar, potencialmente, uma realidade europeia.
“A cidade de Roterdão tem, neste momento, vinte e uma aplicações, Barcelona, oito e Madrid, aqui ao lado, sete aplicações à disposição dos condutores nacionais e internacionais. Esta realidade de plataformas internacionais é uma clara vantagem para o consumidor e que só é possível com um mercado aberto.
O potencial que o digital traz à experiência de consumidor é já uma realidade no ecossistema de alguns países e Portugal começa agora a abrir a porta a uma realidade que será, estrategicamente, uma mais-valia nacional e internacional”, afirma Jennifer Amador Tavares de Sousa Diretora para Portugal do EasyPark Group.

Tags: Estacionamento
José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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