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JEEP RENEGADE LIMITED S – ENSAIO TESTE

José Manuel Costa by José Manuel Costa
15 Janeiro, 2020
in AUTO+
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Caixinha de surpresas

O Renegade é um americano europeizado cujo estilo caixinha reserva muitas e boas supresas e nesta versão Linited S com motor 1.3 litros a gasolina, é ainda mais surpreendente. Ensaio a esta versão com 150 CV e caixa automática de 6 velocidades.

José Manuel Costa ([email protected])

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A favor – Estilo, equipamento, qualidade

Contra – Conforto no mau piso, caixa de velocidades

A Jeep sempre fez… jipes e SUV, sendo essa a sua especialidade. A integração no grupo Fiat Chrysler Automobiles (FCA) permitiu à marca americana estender os braços aos europeus de uma forma impossível há alguns anos. Primeiro porque os modelos estavam, todos, orientados para o continente onde se vendiam como pãezinhos quentes, os EUA. Depois, porque a Jeep nunca se preocupou em ter um jipe pequenino, como os europeus gostam. Como as coisas mudaram meu deus! Mantendo carros fabulosos como o Wrangler, a Jeep “atirou-se” ao segmento inferior dos SUV com um carro produzido em Itália e que partilha quase tudo com o 500X da Fiat. 

Exterior “encaixotado”

O estilo deste Jeep é uma verdadeira delicia. Sim, você pode não gostar e o desenho do Renegade é mesmo isso: ou se ama ou se detesta. Eu adoro! É uma caixinha muito bem desenhada com todos os ingredientes próprios de um Jeep, alegre e desafiadora que foge aos cânones habituais do segmento, com amplas cavas das rodas quadradas e uma parte inferior que faz lembrar alguém quando aperta alguma coisa. Imagine: pegar num Renegade feito em espuma e apertá-lo a meio… Do mais belo efeito e com contrastes de cores acertados. A qualidade não é Premium, mas também ninguém esperaria isso da Jeep, embora a evolução que o Renegade tem vindo a conhecer, lhe tenha oferecido faróis LED (mantendo as lentes redondas, os faróis são bem mais pequenos, mas ficam muito bem). 

Interior… divertido

O interior é ainda mais interessante. Com um tabliê enorme que confere uma sensação de espaço incrível e a posição de condução é perfeita. Vamos bem sentados num ambiente com detalhes deliciosos e com o volante bem posicionado. O conta rotações não tem zona vermelha, mas sim uma zona castanha, sendo pena que tenha deixado de ser um salpico de lama; as saídas de ar central do sistema de climatização parecem ter sido inspiradas pela cabeça do ET ou nos Storm Troopers da Guerra das Estrelas; a grelha típica da Jeep em destaque na consola do teto, enfim, muitos pormenores que dão cor e graça ao habitáculo do Renegade. O painel de instrumentos está bem integrado num tablier amplo e que frente ao passageiro tem uma generosa pega, lembrando que esta é uma marca todo o terreno. Não faz falta nenhuma nesta versão 4×2, mas é um detalhe que fica bem.

Depois há uma sensação de qualidade que é agradável, com os bancos a mostrarem-se confortáveis e tudo a parecer bem montado e com as folgas corretas. Por incrível que possa parecer, o Jeep tem espaço suficiente no habitáculo para quatro e mesmo cinco pessoas (embora este fique mais apertadinho e não vá gostar muito da viagem) tendo praticabilidade suficiente para jogar a par dos mais diretos e fortes rivais do segmento. A acessibilidade é boa e o conforto assinalável. Quanto ao equipamento, a Jeep não deixa de oferecer uma lista de série impressionante: sistema multimédia Uconnect com ecrã de 8,4 polegadas, sistema de navegação, Bluetooth e portas USB e AU; painel de instrumentos com ecrã de 7 polegadas, sistema de som Beats, Apple Car Play e Android Auto dentro do Uconnect Link, espelhos elétricos com desembaciador, ar condicionado bi-zona, volante em pele multifunções, cruise control adaptativo, sensores de estacionamento dianteiro e traseiro, pacote Full LED (função de máximos automáticos, médios e luzes diurnas LED, faróis de nevoeiro LED e luzes traseiras LED), pacote Parking (sistema de estacionamento automático, câmara traseira, assistente de ângulo morto), pacote Visibility (espelho interior electrocromático, sensores de chuva e luz, regulação automática de máximos), faróis de nevoeiro com função de iluminação em curva, ajuda ao arranque em declive, aviso de transposição de faixa, pacote Function I (espelhos retrovisores rebatíveis eletricamente, acesso e arranque mãos livres, ajuste reversível da bagageira, banco traseiro rebatível 40/20/40 e fecho dos vidros por ação remota), aviso de colisão frontal Plus, travão de estacionamento elétrico e jantes de liga leve de 19 polegadas.

Motor a gasolina que rima com o Renegade

O bloco 1.3 litros sobrealimentado com 150 CV é um motor interessante, que permite uma boa desenvoltura ao Renegade. Claro que não tem a disponibilidade dos blocos turbodiesel, mas é capaz de chegar aos 196 km/h e acelerar dos 0-100 km/h em respeitáveis 9,4 segundos. A caixa automática de seis velocidades não é muito rápida e parece-me que precisava ali de um toque no escalonamento, porém, é simpática na utilização, mas não vale a pena usar o modo manual, pois acrescenta pouco e o Renegade não é, de todo, um desportivo. No que toca aos consumos, a média homologada pela Jeep é de 6,4 litros, algo impossível de alcançar em condições reais. A média do ensaio ficou-se por uns, ainda assim agradáveis, 7,6 l/100 km, mesmo que em condições mais exigentes as coisas tenham uma “careta” diferente. Mas numa utilização normal o Renegade é eficaz no que toca ao consumo.

Comportamento seguro e eficaz

Sendo fácil de conduzir, depois de rapidamente encontrar a posição de condução ideal, o Renegade é competente a curvar, com o eixo dianteiro a ter muita aderência e a só ceder muito tarde – ou depois de muito exagero – o que é uma garantia de segurança. Curva de forma composta e eficaz. Porém, não é divertido nem sequer envolvente. Ou seja, é um crossover, SUV, enfim, um Jeep que consegue passar por estradas sinuosas com relativo á vontade e ritmo elevado, mas sem que cheguemos ao final com a adrenalina a pulsar. É um defeito? Não, é assim mesmo!

Claro está que com tração dianteira, a alma deste Jeep fica meio decepada pois não consegue ir mais longe que os estradões de razoável qualidade. Um Jeep não devia ser forçado a ter, apenas, tração a duas rodas. Mas o mercado dita e como quem gosta deste tipo de carros, hoje, nem sequer faz ideia que os SUV nasceram no fora de estrada, seria condenar o Renegade ao cadafalso se a FCA não o fizesse apenas com tração às rodas dianteiras para europeu consumir.

Veredicto

O Renegade com tração dianteira beneficia das novas regras das portagens para com Via Verde ser hoje um Classe 1, o que o torna muito mais interessante mesmo que o preço final desta versão S ricamente equipada fique nos 32.184 euros. Mas por esse valor, além de um carro muito bem equipado, tem direito a um SUV giro, divertido, espaçoso, confortável e eficaz com consumos razoáveis. Além disso, mesmo tendo apenas tração dianteira, pode dizer que anda, todos os dias, de Jeep. 

Ficha técnica

Motor

Tipo: 4 cilindros em linha com injeção direta e turbocompressor multiválvulas

Cilindrada (cm3): 1332

Diâmetro x Curso (mm): nd

Taxa de Compressão: nd

Potência máxima (CV/rpm): 150/5500

Binário máximo (Nm/rpm): 270/1850

Transmissão: tração dianteira com caixa automática de 6 velocidades

Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente

Suspensão (ft/tr): Independente tipo McPherson/eixo multibraços

Travões (fr/tr): discos ventilados/discos

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s): 9,4

Velocidade máxima (km/h): 196

Consumos extra-urb./urbano/misto (l/100 km): nd/nd/7,4

Emissões CO2 (gr/km): 165

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4236/1805/1667

Distância entre eixos (mm): 2570

Largura de vias (fr/tr mm): 1541/1541

Peso (kg): 1350

Capacidade da bagageira (l): 351/1297

Deposito de combustível (l): 48

Pneus (fr/tr): 235/45 R19

Preço da versão base (Euros): 32.184

Preço da versão Ensaiada (Euros): 32.184

Tags: EnsaioEnsaio TesteJeep Renegadeteste
José Manuel Costa

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