Num mundo onde se busca a economia e a eficiência, parece um contrassenso que os SUV e os Crossover sejam agora os veículos mais desejados pelos compradores. Mas o mercado pede e as marcas têm todo o gosto em oferecer soluções aos compradores que passaram a apreciar o espaço extra, maior altura dos carros e talvez um sentimento de maior proteção, dadas as proporções dos carros.
O mercado está repleto de soluções, umas mais interessantes que outras e mesmo nas marcas de gama alta, há opções para todos os gostos. A Jaguar não quis desiludir os seus potenciais clientes e lançou apresentou ao mundo o F-Pace em 2015, sendo comercializado em 2017, para no ano seguinte introduzir no mercado o “irmão mais novo” o E-Pace. Assim, o E-Pace, modelo que nos interessa neste ensaio, já tem alguns anos na estrada, tendo recebido uma atualização de relevo já perto do final de 2021.
Será possível ter a sensação de estar num Jaguar a bordo de um SUV? E se esse SUV for um híbrido Plug-in? Talvez questões que nunca tenha pensado, mas que o E-Pace P300e pode responder. O modelo usado neste ensaio é o E-PACE R-DYNAMIC S AWD PHEV de 309 Cv.
A expectativa para este teste era relativamente baixa, pois não apreciando particularmente os SUV, estava algo desconfiado do que este E-Pace poderia dar. Não é propriamente dos SUV mais populares e sendo de gama alta, tem muita e boa concorrência. Quando mostrei o carro que ia ensaiar à minha mulher, teve alguma dificuldade em acreditar que era um Jaguar. Tudo bem que não é propriamente uma consumidora ávida de notícias do mundo do automóvel, mas logo por aí mostra que este E-Pace, nas fotos, parece ser apenas mais uma opção sem grande destaque no mundo dos SUV. Mas o primeiro impacto “ao vivo” tratou de mudar o cenário.
Ao contrário de muitas pessoas nas redes sociais, este E-Pace fica muito melhor quando visto “em carne e osso” do que nas fotos, onde alguns pormenores ficam menos evidentes. Apesar de ser o irmão mais pequeno do F-Pace, é um veículo já imponente e com os extras certos, ganha alguma classe. Parado ao lado do “primo” Discovery, destacava-se de forma clara.
Seguiram-se quatro dias de ensaio, com viagens de curta e média distância, com uma pequena incursão por estradas sinuosas para testar o que se dizia sobre as capacidades dinâmicas do E-Pace, apesar de ser conhecido pelo seu peso. Com a entrada em mercado da atualização de 2021, veio também a introdução de uma nova plataforma, mais leve e mais rígida, que permitiu então a introdução de modelos eletrificados. Esta plataforma é transversal nos modelos Jaguar/ Land Rover, sendo encontrada também no Discovery e no Evoque. Com esta plataforma, a eletrificação passou a ser uma realidade para o E-Pace, o que poderia ser sinónimo de preocupação, dado que os modelos anteriores eram mais pesados que o F-Pace, manifestamente maior. Mas com a plataforma PTA, apesar de um peso acima de 2200 kg, o E-Pace ganhou alguns argumentos.
Em resumo, temos um carro grande, pesado, que pretende ser uma versão mais económica e eficiente, que teve de enfrentar os desafios da cidade e de estradas secundárias. O resultado, apesar de não ser espantoso, acabou por ser agradavelmente surpreendente.











