Por Pedro Junceiro
A Fiat, marca a comemorar 127 anos de história, tem nova estratégia de crescimento no mercado europeu que privilegia uma fórmula clara: acessibilidade, diversidade de motorizações e adaptação às exigências cada vez maiores do setor automóvel. Integrado na Stellantis e apresentado como um dos quatro fabricantes do consórcio com ambições globais, o construtor de Turim, Itália, procura ganhar quota de mercado através de uma gama mais abrangente, onde coexistem soluções eletrificadas e motores de combustão interna.
A marca italiana, com este plano, mantém o compromisso de participar, ativamente, no esforço de eletrificação do automóvel, mas ajusta o rumo para reagir a um mercado europeu que progrediu abaixo das expectativas na mudança de paradigma no automóvel, do motor de combustão interna para o elétrico. A marca de Turim responde com uma oferta mais diversificada (e, por isso, equilibrada), reintroduzindo mecânicas térmicas e caixas manuais em carros tão importantes como o Grande Panda e o 600, o que permite baixar (muito!…) os preços de entrada nestas gamas.
Esta abordagem insere-se na nova missão atribuída à marca pela Stellantis, que posiciona a Fiat como um pilar estratégico para o crescimento na Europa e na América do Sul. No consórcio, apenas Jeep, RAM e Peugeot desfrutam do mesmo estatuto.

Acessibilidade e versatilidade
A atual gama da Fiat tem dois princípios fundamentais: preços competitivos e diversidade de mecânicas. A introdução (ou reintrodução…) de motores de combustão interna surge como uma resposta direta às necessidades do mercado e democratiza o acesso à mobilidade e alarga a presença da marca nos segmentos mais acessíveis.
De acordo com Márcia Paulo, Diretora de Marketing da Fiat Portugal, “a marca atravessa uma nova fase, marcada por um compromisso: tornar a mobilidade sustentável cada vez mais acessível, sem abdicar do estilo, da simplicidade e da emoção”.
O emblema italiano continua no topo dos segmentos mais acessíveis na Europa, com soluções de micromobilidade (carros a partir dos 2,4 m de comprimento) até automóveis de orientação urbana com cerca de 4 m, como o 500, Pandina e Grande Panda. Neste contexto, a gama será reforçada com novos produtos de orientação citadina. Ao já conhecido Topolino juntam-se, em breve, o Tris (um triciclo orientado para entregas) e o Multiplina, quadriciclo elétrico inspirado no célebre 600 Multipla de 1956 e mantém tanta a vocação familiar, como a filosofia ultracompacta.

Motores mais acessíveis e eficientes
Também na agenda da marca de Turim, introdução de novas motorizações. O 500, inicialmente concebido como carro 100% elétrico, passa a contar com uma versão híbrida equipada com uma mecânica a gasolina de 65 cv, tornando-se mais acessível. Já Grande Panda e 600 recebem o motor 1.2 Turbo com 100 cv e 205 Nm, associado a uma caixa
manual de 6 velocidades. Esta configuração oferece um desempenho equilibrado, com boa resposta em baixas rotações e elasticidade suficiente.
Num primeiro contacto dinâmico, o Grande Panda revelou-se competente e eficiente, destacando-se pela suavidade do motor e pelo bom escalonamento da transmissão. Em percurso misto, entre Lisboa e a Comporta (cerca de 120 km), consumo médio de 4,9 l/100 km.
Preço como elemento determinante
A política de preços assume um papel central na estratégia da Fiat. O quadriciclo elétrico Topolino posiciona-se como a proposta mais acessível, com preço desde 8590 € e possibilidade de condução a partir dos 16 anos.
Entre os automóveis, o Pandina surge como a opção mais económica, com preços desde 12.900 €. Já o 500 Hybrid, equipado com motor 1.0 FireFly com sistema “mild hybrid” de 12V e 65 cv, está disponível a partir de 14.900 €, valor que também marca a entrada na gama do Grande Panda. O 600, por sua vez, assume-se como o SUV compacto eletrificado da marca italiana, com preços a partir de 17.900 €.
A FIAT disponibiliza ainda soluções de financiamento como o Easy Plan, que permite contratos de dois, três ou quatro anos, com opção de troca ou devolução do carro após esse período, o que aumenta a flexibilidade de escolha do cliente.

Diversas novidades para apresentar até 2030
A estratégia de expansão da Fiat inclui novos modelos, nomeadamente os “Grizzly” prometidos para 2027. Disponíveis em versões SUV e fastback, estes carros terão dimensões superiores (cerca de 4,4 a 4,5 m de comprimento) e uma forte vocação familiar, com bagageiras acima dos 600 litros de capacidade. Curiosamente, ambas as variantes terão o mesmo preço, diferenciando-as apenas o “design” e os formatos das carroçarias.
Até ao final da década, a Fiat prevê atualizações no 500 e no Pandina, reforço da presença nos segmentos urbanos e consolidação da sua identidade como marca acessível, prática e adaptada às novas realidades da mobilidade.










