As redes sociais têm uma importância tremenda no nosso dia a dia e são muito poucas as pessoas que não estão presentes nessas redes e não são, de uma forma ou outra, influenciadas por tudo o que lá se passa. Estas redes facilmente se transformam em veículos de discurso de ódio, por vezes com proporções inimagináveis, como tem sido o caso com pilotos que são atacados por alguns grupos de fãs. Pierre Gasly vivenciou isso recentemente.
O piloto francês recebeu 13.000 ameaças de morte, segundo revelou o presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, após a polémica com o colega da Alpine Franco Colapinto no Grande Prémio de Espanha, no início de setembro. Numa entrevista ao The Drive durante o fim de semana de Austin, o dirigente defendeu uma resposta conjunta da federação, equipas, pilotos, adeptos e comunicação social contra os abusos na Internet.
A vaga de ameaças surgiu depois de Gasly ter aparentemente atrasado Colapinto na fase final da corrida espanhola. Os ataques de adeptos do argentino atingiram não apenas o piloto francês, mas também a namorada e familiares próximos. O número de 13.000 ameaças de morte foi apresentado por Ben Sulayem relativamente a Gasly.
O presidente da FIA destacou a dimensão do problema e a impossibilidade de o resolver isoladamente: “O Pierre Gasly recebeu 13.000 ameaças de morte — 13.000! Se combatermos isto sozinhos, vamos falhar; não conseguimos fazê-lo sozinhos.” Relatou também o caso de uma comissária desportiva voluntária que, depois de receber ameaças de morte e violação, considerou que não valia a pena continuar.
Ben Sulayem apontou a iniciativa United Against Online Abuse e defendeu o recurso à inteligência artificial para identificar os responsáveis pelos ataques. Considera que a sensibilização e a educação devem ser acompanhadas de medidas concretas, incluindo a exclusão de espetadores ou elementos da comunicação social envolvidos em comportamentos abusivos, no âmbito da autoridade da FIA.
“Os pilotos também têm responsabilidade porque são embaixadores, são modelos a seguir, e proteger outro piloto também os protege a eles. Nós, a FIA, temos responsabilidade; as equipas têm responsabilidade; vocês, os meios de comunicação social, têm responsabilidade”, afirmou.
O que fazer perante esta situação? Colapinto, num vídeo nas redes sociais, agradeceu o apoio, mas pediu para que os seus fãs não fossem pela via do discurso de ódio, correndo o risco de prejudicar a sua carreira. O próprio Flavio Briatore respondeu aos ataques com um ultimato: se continuassem as manifestações de ódio contra Gasly ou outros pilotos, Colapinto seria sujeito a um bloqueio mediático, sem entrevistas, conteúdos nas redes sociais ou acesso e cobertura televisiva.
É preciso encontrar soluções para que estes atos sejam evitados ou não passem impunes. 13 mil ameaças de morte é um número demasiado grande e demonstra bem o sentimento que reina nas pessoas que usam esse tipo de discurso e o muito que falta para que isso seja evitado. Isso pode afastar pessoas como a comissária desportiva que abandonou provavelmente a sua paixão para não ser alvo desse tipo de discurso. Sem consequências e sem ações fortes, poderemos perder muita gente valiosa para um desporto que depende muito de voluntários.









A estupidez humana não tem limites.