O Grupo Desportivo Comercial (GDC) realizou um balanço positivo da 59ª Volta à Ilha de São Miguel by Azores Rallye, destacando o cumprimento dos objetivos traçados e a normalidade sem problemas de segurança que marcou a prova. Em entrevista ao Açoriano Oriental, o presidente da direção do clube, Luís Pimentel, sublinhou que o evento serviu para demonstrar a capacidade organizativa da estrutura, numa altura em que a prova esteve sob particular observação, tendo em vista a candidatura ao Campeonato de Portugal de Ralis (CPR) em 2027.
Segundo o entrevistado, o feedback recolhido junto de pilotos, equipas, oficiais e comissários foi globalmente muito positivo, contando igualmente com o apoio de um público que esteve presente nos troços de forma correta e disciplinada. A candidatura ao CPR já se encontra formalizada e a avaliação da prova é conhecida, estando agora o processo dependente da garantia das condições financeiras indispensáveis para suportar a dimensão nacional do evento.
O desafio financeiro e o envolvimento institucional
Integrar o calendário do CPR representa um acréscimo orçamental superior a 200 mil euros em comparação com uma prova estritamente regional. Este valor contempla os custos acrescidos com a logística associada à deslocação das equipas do continente, bem como as exigências acrescidas ao nível da promoção, comunicação e organização. Perante este cenário, o GDC já solicitou reuniões formais com o presidente do Governo Regional e com a Secretária Regional do Turismo, além de manter o diálogo com as câmaras municipais da ilha de São Miguel e com os parceiros privados.
Luís Pimentel frisou que o clube está plenamente tranquilo quanto à sua competência técnica e organizativa, mas alertou para a necessidade de assegurar uma base financeira sólida antes de avançar em definitivo. Nesse sentido, o dirigente afirmou: “Consideramos fundamental o envolvimento do Governo Regional dos Açores.” O objetivo passa por transmitir à Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting (FPAK) a existência de um compromisso concreto por parte das entidades parceiras.
Embora o clube tenha contado com o apoio contínuo da área governamental do Desporto, nomeadamente no apoio logístico para a preparação dos pisos dos troços, Pimentel considera imperativo recuperar o envolvimento da área do Turismo. O dirigente sublinha que a realização do rali ultrapassa a vertente estritamente desportiva, funcionando como um importante motor económico que dinamiza a hotelaria, o alojamento local, a restauração, os rent-a-car, os postos de abastecimento e o comércio em plena época baixa. Para fundamentar esta perspetiva, o GDC socorre-se de um estudo de impacto económico elaborado pela Universidade dos Açores, que quantifica o retorno gerado para a região.
Perspetivas de futuro e cenários para 2027
Caso a integração no CPR não se concretize já para 2027, o GDC assegura que manterá o formato da prova e voltará a apresentar candidatura, embora o foco central da direção permaneça fixado no regresso ao campeonato nacional no próximo ano. Paralelamente, o clube reconhece que alguns patrocinadores aguardam a decisão final sobre o calendário para definirem os seus investimentos, sublinhando a importância de construir parcerias duradouras que evitem a necessidade de iniciar o planeamento anual a partir do zero.
A médio e longo prazo, a ambição do GDC passa por ver a Volta à Ilha de São Miguel integrada no Campeonato dos Açores de Ralis, no CPR e, futuramente, no regresso ao Campeonato da Europa de Ralis. Olhando ainda mais longe, Luís Pimentel admite que o sonho de alcançar uma competição mundial existe, mas lembra que esse passo dependerá sempre da estratégia que a Região Autónoma dos Açores pretender traçar para o automobilismo e para a promoção turística do arquipélago.
FOTOS AIFA/Jorge Cunha








