A Federação Automóvel da Ucrânia (FAU) apresentou recurso junto do Tribunal de Recurso da FIA, após de ter pedido uma investigação urgente ao comité de ética da FIA sobre a decisão de levantar a proibição que impedia competidores russos de participar em eventos internacionais de desporto motorizado.
A proibição que impedia indivíduos da Rússia e da Bielorrússia de competirem em eventos internacionais de desporto motorizado estava em vigor desde que a Rússia lançou a invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022. A FIA levantou essa proibição a 3 de agosto, na sequência da decisão do Comité Olímpico Internacional de remover a sua própria proibição semelhante aplicada a atletas dos dois países. No desporto motorizado, continua, no entanto, proibida a realização de eventos internacionais na Rússia ou na Bielorrússia.
Segundo a BBC, o recurso da FAU baseia-se na alegação de que a Federação Automóvel Russa (RAF) abriu e opera escritórios em regiões da Ucrânia ocupadas pela Rússia, territórios reconhecidos pelas Nações Unidas como soberania ucraniana. Num comunicado, a FAU acrescentou que “a decisão do Conselho Mundial do Desporto Motorizado da FIA de levantar as restrições aos competidores russos e bielorrussos equivale, na prática, a FIA impor restrições a competidores da Ucrânia e de numerosos países parceiros que proibiram a participação em competições onde sejam exibidos os símbolos nacionais do estado agressor.”
Oleksandr Feldman, presidente da FAU citado pela mesma fonte, foi direto na sua crítica: “isto é uma violação flagrante dos estatutos da FIA e do Código Desportivo Internacional por parte da Federação Automóvel Russa, que, como qualquer organização membro da FIA, está obrigada a cumpri-los. Não se pode tornar-se a autoridade desportiva nacional governante através de drones e míssseis. Apelamos à FIA para que tome medidas urgentes para pôr fim a estas violações e sancione a Federação Automóvel Russa pelas suas ações.” A FAU sustenta que estas ações violam tanto os estatutos da FIA como o seu código desportivo internacional, que apenas permite um clube automóvel por país. Feldman reiterou essa posição: “isto é uma clara violação dos estatutos da FIA por parte da Federação Automóvel Russa, que, como organização membro da FIA, está obrigada a cumpri-los. Vamos utilizar todos os recursos legais à nossa disposição para restaurar a integridade do sistema do desporto motorizado, em conformidade com os estatutos da FIA.”
O comunicado da FAU refere ainda que 23 competidores e responsáveis do desporto motorizado ucraniano foram mortos desde a invasão russa, e que a guerra “perturbou as atividades de desporto motorizado e restringiu severamente a liberdade de circulação em todo o país”. A FAU acrescentou também que o presidente da RAF, Boris Rotenberg, está “diretamente sujeito a sanções internacionais impostas pelos Estados Unidos, Reino Unido, União Europeia e outras jurisdições aliadas, em resposta à agressão contra a Ucrânia”.
Foto: MPSA











