A carreira de Sergio Pérez na Fórmula 1 ficou marcada por um período de quatro anos na Red Bull Racing, uma experiência que o piloto mexicano descreve como “fantástica”, mas profundamente exigente a nível psicológico. Em entrevista recente ao podcast High Performance, entre muitas outros coisa, o atual piloto da Cadillac abriu o livro sobre o que significa integrar uma estrutura construída integralmente em torno do tricampeão Max Verstappen, sublinhando que a sobrevivência na equipa dependeu da sua resiliência e capacidade de aceitação.
A realidade de ser companheiro de equipa de Verstappen
Ao recordar o convite da Red Bull, Pérez revela que a transparência foi total desde o primeiro encontro com Christian Horner, diretor da equipa. “Foi muito claro. O Christian disse-me que corremos com dois carros porque temos de o fazer, caso contrário, estariam super felizes apenas por correr com um. Tudo é para o Max, em torno do Max”, afirmou.
Para o mexicano, o segredo para ter permanecido na equipa durante quatro épocas — um feito raro para quem divide a garagem com o neerlandês — residiu na gestão de expectativas. Pérez admite que, embora o sistema fosse desafiante, a sua força mental permitiu-lhe “aceitar a posição” em que se encontrava, sem tentar forçar mudanças que o próprio sistema quebraria. O piloto sublinha que o ambiente era “muito duro” e que, embora sentisse o apoio da liderança quando vencia, a premissa de que o projeto estava desenhado para o seu companheiro de equipa nunca foi ocultada.
O impacto psicológico de um sistema competitivo
A complexidade de enfrentar Verstappen, não apenas como piloto, mas dentro da sua própria “casa”, é, segundo Pérez, o trabalho mais difícil na Fórmula 1 atual. “Enfrentar o Max na Red Bull, com a sua equipa e as pessoas que o rodeiam, é o mais duro”, explicou, acrescentando que, na sua visão, o neerlandês beneficia de todos os recursos de engenharia e experiência disponíveis na estrutura.
Pérez recorda ainda os sucessores que passaram pelo segundo lugar da Red Bull, como Pierre Gasly e Alexander Albon, descrevendo-os como pilotos extremamente rápidos e talentosos que acabaram por ser “quebrados” pelo sistema. “Eles esquecem-se de quão difícil é. Tens de ser extremamente forte mentalmente e ter o caráter para lidar com tudo isso”, nota o piloto.
Superação e o triunfo histórico
Apesar da pressão, Pérez destaca a vitória no Grande Prémio do Azerbaijão, em 2020, como o momento de viragem na sua carreira.
O triunfo, conquistado após uma recuperação desde o fundo do pelotão, conferiu-lhe uma serenidade nova: “O meu pensamento foi: aconteça o que acontecer a seguir, eu venci uma corrida na Fórmula 1. Mesmo que nunca mais volte a fazer nada, eu venci”.
Hoje, refletindo sobre o seu legado na Red Bull, o piloto sente orgulho no trabalho desenvolvido. “Acho que entreguei mais do que o esperado e só depois de eu sair e trazerem os outros pilotos é que eles perceberam o trabalho que fiz durante quatro anos”, concluiu. Atualmente, mantém uma relação de respeito e amizade com os elementos da Red Bull, mas afirma ter encontrado o seu lugar, primeiro na Aston Martin, agora na Cadillac, onde continua a aliar a sua experiência à paixão pelo desporto.









