A recta final do Campeonato Nacional de Todo-o-Terreno teve o seu desfecho algarvio com a Baja de Lagos, competição brilhantemente organizada pelo Clube Automóvel do Algarve e que não deixou ninguém indiferente ao espetáculo dos SSV. Com a derradeira etapa disputada sobre os já familiares 161 km do setor seletivo do dia anterior, a luta foi intensa, com protagonistas a emergirem tanto pela regularidade como pela ousadia em pista.
David Rodrigues e Nilton Lopes: vitória com sabor duplo
Ao volante de um Can-Am de 2018 — máquina que, apesar dos anos, provou estar à altura das mais recentes — David Rodrigues e Nilton Lopes assinaram uma vitória cheia de significado.
A dupla manteve a liderança conquistada no primeiro dia e cruzou a meta final com uma vantagem convincente de 1 minuto e 13 segundos sobre o segundo classificado. Para David Rodrigues, além do triunfo absoluto, ficou ainda a distinção de melhor piloto entre os veteranos: “Estou muito contente porquê? Porque nós vimos as corridas, vimos as que nos agradam para nos divertir, não fazemos o campeonato todo. E isso aconteceu. Divertimo-nos e se ganharmos, melhor. Ainda bem. E ainda por cima com um carro de 2018. É que os outros carros têm muito mais cavalos que o nosso. Eh pá, espetacular. Gostei, gostei da prova.”
Pódios e protagonistas em destaque
Na segunda posição terminou Sérgio Palminha, também em Can-Am, a destacar-se por uma prestação sólida — e solitária. O pódio fechou com Ricardo Lourenço, segundo entre os veteranos, navegado por Manuel Santos num competitivo CAM.
O último setor seletivo do evento foi animado por recuperações impressionantes. Pedro Pinha e Joaquim Soares, campeões em Lagos em 2024, superaram as avarias nos primeiros dias e, já com um Polaris RZR, venceram a SS2. André Rodrigues e Ricardo Porto Nunes, num Segway Super Villain, garantiram o segundo melhor tempo na SS2, embora a cerca de um minuto dos vencedores. Gonçalo Guerra (com Luís Engeitado) destacou-se também ao partir dos últimos lugares e terminar em quarto na SS2, logo atrás de Palminha.
Em termos de geral, destaque ainda para o quarto posto de André Carita e Nuno Abrantes (Can-Am), com Rodrigo Melancia e João Diogo a encerrarem o top 5 da tabela, celebrando ainda a vitória na categoria Stock. O pódio desta categoria foi fechado por Nelson Saramago/João Charrua e Alexandre Silva/Rui Cascalho, ambos em Polaris e separados por apenas 10 segundos na meta. O Segway Super Villain de João e Luís Araújo, sempre animados, foi o oitavo classificado.
Desfechos ao segundo e títulos com emoção
O quarto lugar da Stock, nono da geral, atribuiu a Arnaldo Monteiro Farinha Duarte (Can-Am) o título nacional da categoria por curta margem. Tiago Gomes (ex-campeão), com André Correia e num SSV CF Moto, encerrou o top 10 depois de uma penalização afastar o triunfo na Stock. Nota ainda para Micael Vitória e Fábio Pratas: a dupla do Segway conquistou a classe SSV TT2, com o primeiro a somar ainda o troféu de melhor júnior.
Numa Baja de Lagos repleta de histórias de superação, emoções e reviravoltas, a festa sorriu a quem arriscou, mas sobretudo a quem nunca deixou de acreditar — mostrando, uma vez mais, que no todo-o-terreno português há espaço para os clássicos, para os inesperados e para os grandes feitos.
Filme da prova
A competição SSV começou com a vitória de Vasco Martins/Luís Falé no prólogo. No dia seguinte impôs-se a dupla David Rodrigues/Nilton Lopes que segurou a primeira posição em SS2 terminando a corrida com uma vantagem de 1m13s para o 2º classificado. David Rodrigues foi ainda 1º dos veteranos. No 2º lugar terminou Sérgio Palminha numa participação a solo. 3ª posição para Ricardo Lourenço, 2º entre os veteranos e que foi navegado por Manuel Santos. Todas esta equipas em Can-Am. Apresentados os três primeiros da classificação geral, é importante referir que o SS2 foi dominado por duas equipas que partiram para este derradeiro setor de posições muito atrasadas. Pedro Pinha/Joaquim Soares, vencedores da Baja de Lagos 2024, que se estreavam aos comandos de um Polaris RZR Pro, tiveram problemas no prólogo e no SS1, mas venceram o SS2. 2º lugar em SS2 para André Rodrigues/Ricardo Porto Nunes num Segway Super Villain, dupla que gastou mais um minuto que o tempo averbado por Pedro Pinha. Também Gonçalo Guerra, 3º no prólogo e navegado por Luís Engeitado, partiu de trás para SS2 que terminou em 4º lugar, atrás de Sérgio Palminha.
Na classificação geral a dupla André Carita/Nuno Abrantes terminou em 4º lugar e a 5ª posição foi para o par Rodrigo Melancia/João Diogo que venceu a Categoria Stock, ambos em Can-Am. Os lugares de pódio desta Categoria Stock foram preenchidos pelas equipas que se seguiram na classificação geral. Nelson Saramago navegado por João Charrua e Alexandre Silva navegado por Rui Cascalho, ambas as formações em Polaris. Terminaram separados por 10s.
O 8º lugar foi para o Segway Super Villain da dupla João e Luís Araújo. O quarto lugar na Categoria Stock, alcançado pela dupla Arnaldo Monteiro/Farinha Duarte em Can-Am, permitiu ao piloto conquistar à tangente o título desta Categoria. Tiago Gomes, ex-campeão Quad, navegado por André Correia e aos comandos de um CFMoto, encerrou o Top 10 depois de uma penalização lhe ter retirado o 4º lugar e a vitória entre os concorrentes da Categoria Stock. A dupla Micael Vitória/Fábio Pratas em Segway venceu a Classe SSV TT2 na qual se sagrou campeã e o piloto foi ainda vencedor entre os concorrentes Juniores desta Baja de Lagos.
Classificação Final CNTT (após sete provas) SSV:
1º Nelson Caxias (Can-Am) 112 pontos; 2º André Carita (Can-Am) 91, 3º Roberto Borrego (Can-Am) 79.











