Pedro Gonçalves vai estrear-se no Dakar, com a Franco Sport, aos comandos de um X-Raid YXZ 1000R T3 da classe Challenger, tendo a seu lado Hugo Magalhães. O piloto, um confesso admirador de desportos de resistência, especialmente ciclismo e corrida de longa distância, combinados com desportos de alta adrenalina como o snowboard e o kitesurf, levaram-no ao todo-o-terreno, paixão que culmina agora com a estreia no Dakar.
Só corre no TT há dois anos, primeiro em provas portuguesas e depois, já este ano de 2024, participou no Rally Raid Portugal em abril, e mais recentemente no Rali de Marrocos, em outubro, de modo a ganhar andamento para a aventura que tem pela frente.
Na vida civil’ começou a sua carreira como engenheiro de software e é atualmente um empresário/investidor tecnológico que emprega cerca de 500 pessoas em várias empresas e se tudo correr como planeado, após o Dakar, pretende competir nas restantes rondas do W2RC, Mundial de Todo-o-Terreno.
Já Hugo Magalhães dispensa apresentações, é navegador profissional em ralis há muito e mais recentemente tem andado pelo TT. Tal como Pedro Gonçalves, vivem ambos na mesma cidade e fazem parte do mesmo grupo de ciclismo. Embora Hugo Magalhães tenha estado envolvido em desportos motorizados quase toda a sua vida e Pedro seja relativamente ‘rookie’, têm em comum o facto de serem ambos estreantes no Dakar.
Para Pedro Gonçalves: “Na verdade, aprendi a conduzir carros de corrida com um simulador, o que suponho ser ‘normal’, tendo em conta o sector em que trabalho! Mas até eu tenho de admitir que há uma grande diferença entre o simulador e estar num carro real. O que me atrai nos rally raid é a combinação das sensações que se tem quando se está a conduzir, e a resistência física e mental que exige. É uma atividade muito completa que me dá muito do que quero e preciso no desporto: resistência e adrenalina.
E é por isso que, apesar de ter começado agora nos ralis, penso que vou ficar por cá a longo prazo. Felizmente, a minha família apoia-me. A minha mulher tem um pouco de medo, mas encoraja-me, o meu filho de sete anos está muito entusiasmado com o Dakar e a minha filha de quatro anos não compreende bem a importância do Dakar, mas adora carros e todo o ambiente que rodeia as corridas.”
Já Hugo Magalhães: “Lembro-me que um dia, quando tinha cerca de 25 anos, acordei e percebi que estava farto de futebol e que queria ser copiloto de ralis. Os meus pais ficaram muito chocados e tentaram dissuadir-me, mas eu estava determinado a mudar. Desde então, somei três vitórias no Campeonato Europeu de Ralis (ERC) tendo sido Vice-Campeão Europeu em 2017 e terceiro lugar em 2018, ao lado de Bruno Magalhães, nono no Campeonato de Portugal de Ralis (CPR), terceiro no Campeonato de Portugal de Todo-o-Terreno (CPTT) e sagrei-me Campeão Nacional e Ibérico em 2017.
Este ano, mesmo antes de o Pedro me ligar, já estava a pensar em mudar para o rally raid. Estava em Marrocos a treinar para este novo desafio quando recebi uma chamada do Pedro, que também estava em Marrocos, a perguntar-me se tinha um dia livre para experimentar o carro. Por vezes a vida é uma questão de timing!
Nos últimos anos tenho viajado muito, por isso é importante poder voltar a casa para um ambiente calmo. Vivo numa pequena quinta com a minha mulher e o meu filho, com galinhas e patos, um cão e um gato. É o sítio perfeito para recarregar as baterias depois das corridas!”










