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F1: Porque ninguém consegue chegar ao nível da Red Bull?

Jorge Girão by Jorge Girão
11 Março, 2024
in Autosport Exclusivo, F1, FÓRMULA 1, Newsletter
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GP Barém F1, Max Verstappen: “Foi ainda melhor do que esperávamos”

BAHRAIN, BAHRAIN - MARCH 02: Race winner Max Verstappen of the Netherlands and Oracle Red Bull Racing celebrates in parc ferme during the F1 Grand Prix of Bahrain at Bahrain International Circuit on March 02, 2024 in Bahrain, Bahrain. (Photo by Mark Thompson/Getty Images) // Getty Images / Red Bull Content Pool // SI202403020448 // Usage for editorial use only //


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A resposta resumida é simples: têm o melhor piloto, o melhor aerodinamicista, Adrian Newey, a equipa mais afinada, a estrutura de gestão mais eficiente, conseguiu fazer de longe o melhor carro na nova era da F1 em 2022, tal como a Mercedes tinha feito em 2014 com a unidade motriz, não comete erros nas boxes, o facto do carro ser muito bom permite muito maior latitude na escolha das estratégias, que são quase sempre as melhores, a fiabilidade do carro tem sido perfeita, e tudo junto leva ao domínio total da Red Bull em 2022 e 2023 na F1.


Agora, como se viu no Bahrein, a Red Bull está um passo à frente da concorrência, mas agora, o que torna também o RB20 Honda, nas mãos de Max Verstappen, uma máquina tão especial?
Não temos a veleidade de expor os segredos da mais recente máquina de Adrian Newey – se o soubéssemos, estaríamos a trabalhar para uma das rivais da equipa de Milton Keynes por um vencimento principesco – mas existem algumas características que são evidentes que se podem analisar.
Desde o ano passado que tem sido claro que os carros da Red Bull são muito melhores em configuração de corrida, o que permite que os monolugares das restantes equipas se aproximem quando está um lugar na grelha de partida em disputa.
Esta é uma característica que foi pensada desde o primeiro monolugar da equipa de bandeira austríaca da atual ‘Era Regulamentar’, que foi introduzida em 2022.
O novo regulamento tinha como objetivo tornar as ultrapassagens mais fáceis que no passado, o que tira o foco da posição da grelha de partida, uma vez que, se um monolugar for superior em corrida, com a nova filosofia dos carros, seria possível impor a sua vantagem no dia em que os pontos são distribuídos.
Adrian Newey, tendo isto em mente, quando foram tomadas as decisões de projeto do RB18, o carro de 2022, concebeu, juntamente com a sua equipa técnica, um carro otimizado para a corrida em detrimento da qualificação.
A grande limitação em corrida são os pneus que, com o enorme peso, torque monstruoso dos V6 turbo híbridos e o elevado apoio aerodinâmico a alta velocidade dos carros atuais, sobreaquecem, o que provoca um desgaste prematuro dos pneus.
Os Red Bull, desde 2022, têm isto em mente, colocando menos temperatura nos pneus graças à sua filosofia aerodinâmica que mantém o seu centro de pressão estável ao longo de leque de velocidade bastante o amplo, permitindo que as borrachas de ambos os eixos mantenham temperaturas estáveis ao longo de toda a corrida.
Isto tem como consequência a dificuldade em aquecer os pneus para a qualificação, o que tem deixado Max Verstappen e, principalmente, Sergio Pérez mais expostos aos seus adversários, como se tem verificado.
O RB20 leva este conceito ao extremo, com a decisão de Newey em aproximar o máximo possível de todos os componentes do centro longitudinal do monolugar deste ano da Red Bull. Daí a presença de radiadores, e as respetivas condutas de arrefecimento, mais no meio do carro com o intuito de criar um monolugar o mais neutro possível, exigindo assim o mínimo possível dos pneus.
Numa primeira análise, o RB20 aproxima-se em termos de conceito dos mal-amados Mercedes W13 e W14, com a abordagem ‘zero-pod’, mas enquanto a equipa do construtor alemão abdicou de modular o ar da forma mais eficaz com os flancos, a Red Bull mantém estes componentes como ‘apêndices aerodinâmicos’ para direcionar o fluxo de ar para onde considera ser melhor e, como é do conhecimento de todos, Newey consegue ‘ver a estrutura aerodinâmicas ao olhar para um carro’ tendo facilidade em manipular a passagem da sua criação pela atmosfera.
Desde 2022 que os Red Bull têm vindo a ser concebidos com o objetivo de ganhar corridas e, logo, campeonatos, ao passo que os seus rivais têm como desiderato serem o mais rápidos possível, o que nem sempre se traduz em triunfos – desde meados de 2022 que tem sido raro.
As restantes equipas já perceberam a abordagem da equipa de Milton Keynes, mas esta tem mais de dois anos de avanço, o que em Sakhir, no Grande Prémio do Bahrein, se traduziu em cerca de meio segundo por volta do Red Bull para o Ferrari em condições de corrida.
A esperança é que os técnicos de Maranello consigam ao longo da presente temporada evoluir o seu carro de modo a colocar os homens de Milton Keynes sob pressão e oferecer-nos corridas mais disputadas… Frédéric Vasseur acredita que é possível…
E como tudo isto foi possível?
Max Verstappen é sem dúvida o melhor piloto da F1 na atualidade, e não temos a mais pequena dúvida que com um Ferrari ou Mercedes não mãos, não diríamos que venceria todas as corridas, mas o campeonato seria inegavelmente mais equilibrado. A sua habilidade ao volante é um dos principais pilares do sucesso da Red Bull.
Em segundo lugar, Adrian Newey: a Red Bull tem a sorte de contar com o melhor aerodinamicista da F1. Newey é responsável por projetar carros que são extremamente eficientes e rápidos, o que dá desde logo à Red Bull uma vantagem significativa sobre seus concorrentes. Foi o caso nos últimos dois anos, depois de aproveitar da melhor forma a mudança de era para monolugares de efeito de solo na F1. Ele próprio já tinha lidado com isso no passado, durante a sua longa carreira.
A equipa da Red Bull está extremamente bem afinada e é muito eficiente. Todos trabalham juntos de forma coesa e há um grande senso de camaradagem. Isso traduz-se num ambiente de trabalho positivo e produtivo, que contribui muito para o sucesso da equipa.
A Red Bull possui uma estrutura de gestão eficiente e eficaz. A equipa é liderada por Christian Horner, que é um excelente líder. Horner sabe como tirar o melhor de seus funcionários e criar um ambiente de trabalho propício ao sucesso. Por isso o caso que se vive hoje em dia em relação a si é muito complicado para a Red Bull.
Como já explicámos, a Red Bull construiu de longe o melhor carro da F1 em 2022 e 2023. O RB18 e o RB19 foram extremamente rápidos, fiáveis e eficientes e isso deu à equipa uma vantagem significativa sobre os seus concorrentes. A Red Bull é conhecida também por ter uma equipa de ‘pitstops’ muito eficiente e precisa que raramente comete erros, o que contribui também para o seu sucesso nas corridas.
Por outro lado, o facto do carro ser tão bom permite à equipa uma latitude muito maior na escolha das estratégias de corrida. A equipa pode escolher estratégias mais agressivas, que muitas vezes se traduzem em vitórias.
A fiabilidade dos seus carros tem sido perfeita em 2022 e 2023. O RB18 e o RB19 raramente apresentaram problemas técnicos, o que permitiu sempre a Verstappen e Pérez estarem perfeitamente descansados a esse nível.
Em resumo, o domínio da Red Bull na F1 é resultado de uma combinação de fatores, um piloto excecional, um excelente aerodinamicista, uma equipa afinada, uma estrutura de gestão eficiente, o melhor carro da grelha, uma equipa de boxes precisa e fiabilidade perfeita do carro. Todos esses fatores juntos traduzem-se num desempenho dominante que coloca a Red Bull em uma posição invejável na F1.
E porque equipas como a Ferrari ou Mercedes não chegam lá? É como quando um ciclista foge do pelotão: se os seus adversários tentam recuperar a margem e aceleram o passo, a Red Bull faz o mesmo como se viu no risco que correram com a mudança operada no RB20 face ao RB19 – e isso levou a que sem dúvida a Mercedes e a Ferrari tenham evoluído, mas a Red Bull fez o mesmo e por isso… ficou tudo na mesma! Agora vamos ver se com o mesmo tipo de domínio ou não, mas isso só os próximos tempos dirão…

Tags: Adrian NeweyChristian HornerF1Max Verstappen
Jorge Girão

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