A pressão a que Mohammed Ben Sulayem está a ser sujeito, vinda de vários quadrantes, começa a ser cada vez maior e agora foi Jean Todt, seu antecessor no cargo que ocupa, que veio comentar algumas das palavras e atitudes do atual presidente da FIA.
Jean Todt tem-se mantido afastado de polémicas e nem quando Ben Sulayem falou em déficit orçamental no início do seu mandato, ou quando falou do caso legal do Halo, Todt tentou defender-se. Parece que o tempo do silêncio acabou e Todt teceu comentários sobre a presidência de Ben Sulayem e da forma como tem guiado a FIA.
Todt veio refutar a ideia de que havia falta de liquidez na FIA (no valor de 20 milhões de euros) quando saiu, e admitiu até que as políticas iniciadas no seu mandato estão agora “viradas do avesso:
“Quando saí, devia haver mais de 250 milhões de euros em reservas”, disse Todt ao L’Equipe. “Quando cheguei, em 2009, havia apenas 40 milhões [de euros], apesar de a FIA ter cedido os direitos comerciais da F1 durante cem anos, alguns anos antes. Não lhe chamo défice. Quando saí, o orçamento tinha sido multiplicado por quase três, com muitas novas competições e fontes de rendimento, como a Fórmula E, o Campeonato do Mundo de Resistência ou o Campeonato de Rally Raid. É verdade que deixámos uma disputa inacabada quando saí, a prova do Halo”, acrescentou. “Mas não foi varrido para debaixo do tapete. Foi bem documentado e monitorizado pelos nossos serviços; apresentámo-lo ao senado e ao conselho mundial antes de eu sair, e o atual presidente assistiu a essa apresentação. Tratava-se de uma ação judicial intentada no Texas por um engenheiro que possuía uma patente que só era válida nos Estados Unidos e por um curto período de tempo. Portanto, quando saí, não havia nada de secreto. E apenas um caso em curso, esse.”
Todt concluiu o raciocínio de forma sintomática: “Mas não fiquei surpreendido, sabia quem era o meu sucessor. Conheço a personagem”.
Todt reforçou a ideia que a saúde financeira da FIA não era tão má quanto Ben Sulayem afirmou:
“Parto do princípio de que quando um capítulo se fecha, abre-se outro e não nos permitimos atacar o seu antecessor. Quer seja ao deixar a Peugeot, a Ferrari ou a FIA, nunca disse uma palavra má. Não vale a pena lançarmo-nos em alegações, sobretudo quando são falsas. A realidade é o que acabei de vos dizer. E vou acrescentar algo sobre as receitas da FIA: foi sob a minha presidência que o Acordo dos Cem Anos e os Acordos Concorde entre a FIA e a F1 foram renegociados antes de a Liberty Media se tornar proprietária da FOM [Formula One Management]. Sem entrar em pormenores, posso dizer-vos que as receitas recebidas pela Federação aumentaram claramente em relação ao passado. E a sua posição na governação da F1 também foi restaurada. Tem agora um terço dos votos, juntamente com a FOM e as equipas. É noite e dia em relação aos acordos anteriores. Não se pode impedir alguém de criticar ou discordar. Mas tudo o que fiz durante a minha presidência foi sempre aprovado pelo senado e pelos conselhos mundiais. Tudo o que foi posto em prática durante o meu mandato foi virado do avesso”, disse Todt.











