A série documental ‘Drive to Survive’ tem sido apontada como um dos motivos mais importantes para o crescente número de fãs da Fórmula 1, principalmente com o aumento crescente do interesse no mercado norte-americano. Esta série tem atingido audiências incríveis, sugerindo que, e pode parecer um pouco redutor pensar assim, que o novo público está mais interessado no que passa em redor da competição e não tanto no que acontece em pista durante as corridas.
Apesar de que se possa acreditar, a série tem sido fundamental para o plano traçado pela Liberty Media para a competição que gerem, mas há quem use algumas artimanhas para que algumas coisas que se passam nos bastidores não cheguem aos espectadores.
“O que temos de ter em conta é que se trata de um programa de televisão e, por isso, captam horas e horas de conteúdo”, explicou Christian Horner, responsável da Red Bull em conferência do Financial Times. “E o problema é que nos colocam um microfone no início do dia, as câmaras estão dentro da equipa. Há tantas câmaras à volta que não sabemos quais são as da Netflix e as outras, e esquecemo-nos que elas estão lá. Depois chegamos ao final da época, ao final do ano, e enviam-nos os clips que têm da nossa equipa. Não mostram o contexto em que se inserem para quem vê, e depois pensamos: ‘Será que eu disse mesmo aquilo, será que chamei mesmo aquilo a alguém?’ E nessa altura dizemos: ‘Não podem pôr isso, faz parte do nosso carro’, e essa é a única hipótese que temos, dizer que há propriedade intelectual visível que não queremos que seja revelada”.
Apesar de revelar este ‘segredo’, Horner salientou a oportunidade que a série criou para a competição, sendo um complemento para quem segue as corridas e quer ver como funcionam os bastidores, quer seja para quem não seguia a Fórmula 1 e passou a ser um fã.
“Com o público que atraímos, somos agora os Kardashians sobre rodas”, afirmou Horner, fazendo referência ao reality show sobre a família Kardashian. “[…] O que fez foi abrir tudo, se apenas assistirmos ao Grande Prémio, temos o entretenimento da corrida, mas não temos a visão dos bastidores do que se passa. Esta dinâmica mudou completamente o que a Fórmula 1 é, até certo ponto, é um pouco como uma telenovela – a forma como funciona, as personagens envolvidas, o dinheiro, a política. Há tanta coisa a acontecer no desporto para além dos carros e da condução durante duas horas numa tarde de domingo”, concluiu o responsável da Red Bull.










