Não é novidade o Dakar ser afetado devido a atos terroristas, precisamente o que se desconfia ter sucedido agora na Arábia Saudita. Hoje, Jean-Yves Le Driant, Ministro dos Negócios Estrangeiros francês, colocou a hipótese de anular o Dakar de 2022, após uma explosão no carro em que seguia Philippe Boutron, e mais cinco elementos da sua equipa a Sodicars Racing. David Castera, diretor de prova diz que não há elementos que comprovem ato terrorista. Vamos ver como evolui a situação, esperando que o desfecho não seja o mesmo de 2008, quando… o medo venceu o Dakar.

1986
A 14 de Janeiro de 1986, a prova fica órfã do seu criador. Em busca de concorrentes perdidos, o helicóptero onde seguia Thierry Sabine embateu numa duna, matando os seus cinco ocupantes. Mas a tragédia não foi suficiente para parar a caravana.
1991
Charles Cabannes, piloto de um dos camiões de assistência da equipa Citroen, perde a vida ao ser baleado no decorrer da nona etapa do rali, entre Tília e Gao, no Mali. Um incidente imputado ao conflito entre o exército maliano e os tuaregues. As duas etapas
seguintes são neutralizadas.
1992
O primeiro Dakar que não termina na capital senegalesa, cumprindo antes um percurso longitudinal até à sul-africana cidade do Cabo, é seriamente ameaçado pelos rebeldes do Chade. Muita coisa não sai como planeado e a Organização neutraliza a sétima etapa, entre N’Guimi e N’Djamena.
1993
No ano em que o rali volta ao seu percurso original, a caravana visita pela última vez a Argélia. Ameaças dos fundamentalistas islâmicos do Norte da Argélia obrigam a Organização a procurar caminhos alternativos, abandonando em definitivo este país.
1996
A explosão de uma mina do exército marroquino, na etapa entre Foum El Hassan e Smara, em Marrocos, reduz a escombros o camião de Laurent Guéguen, transformando o piloto em mais uma vítima dos conflitos africanos, este imputado à Frente Polisário.
1997
Após receber a informação que estava em curso um conflito armado entre tribos tuaregues, no Níger, a Organização modifica o percurso da sexta etapa, prevista para ligar Gao a Tahoua, fazendo-a terminar em Menaka. Apesar da interrupção, o rali chega a Agadés sem incidentes.
2000
A ameaça de atentados terroristas sobre os concorrentes leva a Organização a anular quatro etapas e a suspender o rali durante cinco dias. Seguindo recomendações dos ministérios dos negócios estrangeiros e da defesa franceses, a A.S.O. neutraliza a prova à chegada a Niamey e organiza uma gigantesca ponte aérea entre a capital do Níger e a cidade líbia de Sabha. Todo o rali é transferido a bordo de dois enormes aviões de carga Antonov 124.
2004
Duas etapas anuladas no Mali por instabilidade política. Chegados ao final da nona etapa (entre Tidjikja e Nema, na Mauritânia), os concorrentes são informados que as duas especiais seguintes são anuladas por ameaças à segurança da prova. Automóveis e
camiões iniciam uma ligação por comboio até Bobo-Dioulasso, no Burkina-Faso, enquanto os motards beneficiam de uma ponte aérea.
2007
ameaças do Grupo Salafista para a Predica e o Combate (GSPC) argelino, rebaptizado de Braço da Al-Qaeda para o Magrebe Islâmico (BAQMI), anulam duas etapas no Mali.
2022
Na Arábia Saudita, um carro de apoio da equipa Sodicars explodiu com seis pessoas lá dentro e uma delas, o piloto, Philippe Boutron, ficou ferido com gravidade nas pernas. Não foi dada uma explicação oficial mas a equipa confessou ter sido um engenho explosivo a deflagrar, desconfiando-se de ato terrorista.
FOTO: DPPI F. Le Floch











