Mercedes decidiu não dar sequência ao recurso que interpôs. Tal como já tinha dito anteriormente, não terá sido uma decisão fácil, porque é muito fácil perceber que ao tomar as suas decisões, o ‘árbitro’ sabia perfeitamente as consequências que poderia ter, como teve.
Ao retirar quatro carros entre Lewis Hamilton e Max Verstappen colocando-os seguidos em pista, Michael Masi sabia perfeitamente que a Red Bull tinha colocado pneus macios no monolugar de Verstappen, e sabia que, mesmo permitindo aquela que foi a primeira decisão, que os carros em pista permaneceriam como estava para se poder terminar com bandeira verde, ou seja, com lutas em pista, mesmo que Verstappen pudesse passar os quatro monolugares à sua frente, porque estes veriam bandeiras azuis devido ao facto de terem uma volta de atraso, o simples facto de haver um espaço significativo em pista, levaria a que Verstappen, quase de certeza, só se conseguisse ‘safar’ dos quatro carros à sua frente, numa altura em que lhe seria quase impossível passar Hamilton. Masi sabia disso, mas Masi queria que o Campeonato do Mundo se resolvesse em luta direta, e por isso ‘saltou’, por exemplo, a regra que todos os carros se deviam desdobrar, o que iria na mesma colocar Verstappen na traseira de Hamilton, mas ‘saltou’ outra regra, e esta absolutamente decisiva, que ‘obrigava’ o Safety Car sair para as boxes apenas na volta seguinte à ‘desdobragens’. Mas isso impediria a luta que todos vimos. E o Campeão seria Lewis Hamilton, sem qualquer luta, porque não haveria tempo.
Portanto, a decisão de Masi foi, mesmo sabendo que lhe iam cair em cima, permitir que todos víssemos aquela fantástica luta, mas desigual, entre Hamilton e Verstappen. Todos sabíamos ser quase impossível Verstappen perder aquela oportunidade, mas não havia certeza absoluta que assim fosse.
Portanto, a Mercedes, ao levar o caso até às últimas consequências, teria mais hipóteses de ‘vencer’, do que Hamilton com Verstappen atrás com pneus macios. Muito mais.
Mas, também como já disse, acho que a Mercedes fez bem. O teor da carta é perfeito, até Max Verstappen é parabenizado. Isto mostra o mesmo bom perder que Hamilton teve, que o pai de Hamilton teve, e que agora Toto Wolff teve, ou foi obrigado a ter.
Não há campeões morais. Noutro artigo de opinião, disse que se escreveu direito por linhas tortas, e muita gente não entendeu a mensagem. A mensagem era simples: olhei para o campeonato como um todo, e como, ao contrário da maioria dos adeptos, como não tenho um lado, consegui desfrutar de tudo o que Hamilton e Verstappen nos deram ao longo do ano.
É verdade que houve muita polémica, para um lado e para o outro, o que se passou em Imola, em Silverstone, na Hungria, no Brasil, na Arábia Saudita, mas também não me esqueço que ambos os pilotos foram perfeitamente dignos um do outro, e por isso, fosse qual fosse o Campeão, seria um grande campeão.
Escreveu-se direito por linhas tortas, não porque foi Verstappen o Campeão, não acho que tenha merecido mais do que Hamilton, mas pelo menos mereceu tanto quanto o inglês.
No futebol fala-se muito em ‘roubos de Igreja’, talvez muitos o entendem assim, mas a Mercedes teve a capacidade de perceber que depois de um campeonato destes, que trouxe tanto interesse à F1, o pior que poderia ser feito agora, seria protelar esta decisão mais dois meses, e eventualmente revertê-la.
Tenho a certeza que muitos que ‘são’ do Hamilton, não gostavam de ganhar dessa forma, preferem engolir o sapo, agora, e converter isso em motivação acrescida para 2022.
Para nós, adeptos, por muito que custe a muita gente (totalmente compreensível), foi o melhor que podia ter sucedido à F1 nestes últimos dias pós fim da corrida.
Claro que se dispensava a polémica a mais, e por isso volto a dizer, acho muito digno que a Mercedes tenha decidido parar com a polémica, preferindo um “na volta cá te espero…” E quem ganha com isso, claro, nós, adeptos…











