A oitava maravilha de Sébastien Ogier e Julien Ingrassia! A dupla venceu o Rali de Monza e chancelou da melhor forma o seu oitavo título mundial de ralis. É caso para dizer que a Catedral de Monza teve ainda mais encanto na hora da despedida. Elfyn Evans bem tentou, mas foi apenas 2º, com Dani Sordo no pódio, como melhor dos Hyundai. A Toyota confirmou o título de Construtores. Agora venha 2022.
Cai o pano não só sobre o Mundial de Ralis de 2021 mas também sobre uma era de fantásticos World Rally Cars, os melhores e mais rápidos da história de 50 edições do WRC. Sébastien Ogier e Julien Ingrassia (Toyota Yaris WRC), colocam um ponto final na sua carreira a tempo inteiro nos ralis, e também na sua vitoriosa ligação.
A dupla não precisava de vencer em Monza, mas um super-piloto como o francês não se contenta com menos do que ser o melhor, sempre, e veio para Itália não só para chancelar o título, algo que tinha facilitado, mas não garantido. Assegurou o seu quinto triunfo da temporada, o nono da Toyota Gazoo Racing WRT em 12 ralis, face aos três da Hyundai Shell Mobis WRT.
Não foi fácil para Sébastien Ogier vencer este rali. O gráfico da prova teve uma ‘arritmia’ incrível entre a 5ª e 13ª especial, com a liderança a mudar seis vezes. Pensava-se que Ogier vinha para esta prova com cautelas, nada arriscando, mas isso é para outros, não para Ogier. Nem sequer se lhe serviu de ‘emenda’ o que sucedeu o ano passado nesta mesma prova, quando Evans tinha a faca e quase todo o queijo na mão… até que o deixou cair.
Este ano era Ogier. Mas não deixou cair nada, comeu o queijo todo, ainda que tenha passado o rali todo a lutar por ele.
No primeiro dia, venceu três das primeiras quatro especiais, escorregadias e com muito nevoeiro, até que problemas de travões permitiram a Evans passar para a frente. No segundo, encetou uma fantástica luta com Evans, mas sempre a dizer que não estava a arriscar, simplesmente a rodar.
Só aí a liderança mudou cinco vezes em seis especiais, com Ogier a chegar ao fim do segundo dia 0.5s na frente de Evans. Os Hyundai já tinham ficado para trás há muito, era uma luta exclusiva da Toyota.
O terceiro lugar bastava a Ogier, mas não tirou o pé. Admitiu que estava ainda a correr menos riscos, mas pelos vistos esse seu nível fica ainda acima dos adversários. Logicamente, com este seu triunfo, assegura o oitavo título, e a 54ª vitória da sua carreira no WRC.
Grande Evans
Elfyn Evans/Scott Martin (Toyota Yaris WRC) foram segundos e pelo segundo ano consecutivo levaram a luta até ao último dia de rali do ano. Mérito para a dupla, numa prestação que tem mão portuguesa, já que Rui Francisco Soares é o engenheiro de carro do galês.
A luta que travaram com Ogier foi fantástica, e o mais curioso é que ao cabo de dois troços, Thierry Neuville, terceiro, já estava a 16.8s da frente, a 13.3s do Toyota mais próximo.
Apesar da visibilidade e piso escorregadio, Ogier e Evans estiveram degraus acima da concorrência, com o francês mais forte nas montanhas, e Evans a recuperar no complexo de Monza. A diferença mais significativa fez-se quando, já no último dia, Evans falhou uma travagem, bloqueou os travões e bateu devagar nas barreiras com o motor a calar-se. Acabou aí a luta com Ogier, a um troço do fim do rali.
Dani Sordo/Cándido Carrera (Hyundai I20 Coupé WRC) terminaram em terceiro, como melhor dos Hyundai, no que foi também uma luta interessante com o seu colega de equipa belga. No primeiro dia, Neuville esteve melhor, mas na PE9 Sordo passou para a frente, e não mais perdeu a posição até final.
O espanhol não teve o carro como gosta no primeiro dia, mas quando o alterou encontrou a precisão que necessitava. Com isso construíram um bom avanço para Neuville e assim ficaram até o final. Sete ralis, três pódios, não foi mau. Continua a ser um piloto muito útil à Hyundai em determinados ralis, por exemplo, Portugal, a sua ‘segunda casa’.
Thierry Neuville/Martijn Wydaeghe (Hyundai I20 Coupé WRC) terminaram na quarta posição, num rali marcado inicialmente por problemas de afinação. Sem o carro perfeito, o belga perdeu muito, e depressa deixou fugir os Toyota, até porque teve um problema com a caixa de velocidades do i20 WRC. Ainda aguentaram o terceiro lugar no primeiro dia, mas um exagero que culminou com um toque nos rails, na PE9, em que danificou a frente e perdeu, só aí 27.9s. Caiu para quarto, aproximou-e de Sordo, mas já lá não chegou…
Bom quinto lugar para Oliver Solberg/Elliot Edmonson (Hyundai I20 Coupé WRC) num rali sem grandes altos, mas também sem baixos. O sueco sobreviveu a um meio pião terminou o primeiro dia 26.0s atrás de Sordo. No segundo dia, manteve facilmente a quinta posição, foi regular em termos de posições nos troços, e manteve o quinto posto do início ao fim do rali. Uma boa prova, e o seu melhor resultado até aqui com um WRC, tendo desta feita mostrado consistência a um nível mais alto.
Teemu Suninen/Miko Markkula terminaram a sua estreia com o Hyundai i20 Coupe WRC – que guiaram em substituição de Ott Tanak, que não pode vir a esta prova devido a problemas pessoais – foram melhorando aos poucos, mas nunca encontrou confiança suficiente para fazer melhor, para atacar forte e dar nas vistas.
Foi melhorando aos poucos, mas longe do que chegou a prometer, há uns anos. Ainda por cima num rali com tanta mudança de aderência nos troços. Só na Power Stage, havia 20 mudanças de piso em menos de 15 Km.
Takamoto Katsuta/Aaron Johnston (Toyota Yaris WRC) perderam o sexto lugar depois de mais um erro no último dia, em Monza, quando bateu numa chicane e arrancou uma roda. No primeiro dia, deixou o motor do Yaris calar-se, perdeu algum tempo, mas manteve-se na frente de Gus Greensmith, no segundo dia, mais um par de erros, terminando 17.6s atrás de Solberg e 8.3s na frente de Teemu Suninen, mas não conseguiu manter a posição.
Gus Greensmith/Jonas Andersson (Ford Fiesta WRC) terminaram no oitavo lugar, numa prova em que cedo se atrasaram com problemas de travões. De resto, o habitual. Ainda andou pelo sexto lugar no primeiro dia, mas foi perdendo tempo, caindo para oitavo.
Kalle Rovanperä/Jonne Halttunen (Toyota Yaris WRC) tinham uma missão nesta prova: Assegurar pontos para a Toyota de modo a que Ogier e Evans pudessem arriscar o que quisessem na sua luta. Por isso, terminaram quase a cinco minutos dos seus colegas de equipa e todos sabemos que vale muito mais do que isso. Por vezes é preciso ‘jogo de equipa’ e com isso deu a liberdade para ‘andar’ que Ogier e Evans precisavam. Até fez drift, e piões em Monza, Foi para lá de cauteloso, basicamente guiou como a avó, que também é rápida, claro, pois é finlandesa…
Adrien Fourmaux/Alexandre Coria (Ford Fiesta WRC) desistiu no primeiro dia devido a acidente, capotando para lá dos rails, mas com o carro pouco danificado, pois a saída foi lenta, utilizou os dois dias restantes para ganhar experiência. Nem para teste serviu, pois os carros para o ano são diferentes…
E desta forma terminam cinco bons anos destes World Rally Cars, claramente os melhores e os mais rápidos da história do Mundial de Ralis. Foram sempre melhorando (naturalmente) ao longo dos cinco anos, e quem teve oportunidade de os ver ao vivo, não os vai esquecer. Agora vêm aí os Rally1 de 2022…









