Alex Albon vai ter em 2022 algo raro na F1… uma segunda oportunidade, regressando pela porta da Williams, que depois de perder George Russell para a Mercedes, foi buscar o seu grande amigo para ficar com o seu lugar. Mas tem Albon o que é preciso para ser bem sucedido?
Alex Albon não é consensual para os fãs da F1. Se uns consideram que o jovem tem talento para singrar na F1, outros consideram que não tem o que é preciso para ser bem sucedido. Em 2022 terá a hipótese de provar o que vale, substituindo a estrela da equipa, Russell, que tem feito pequenos milagres a cada fim de semana com o carro à disposição.
O balanço da sua passagem pela Red Bull tem de ser considerado negativo. Mas terá sido assim tão negativo? A F1 tem memória curta e poucos se lembram que Alex Albon entrou na F1 sem experiência. Lando Norris rodou num F1 pela primeira vez em 2017, em Portimão. George Russell testou várias vezes com a Mercedes antes de assumir o lugar na Williams. A grande maioria dos jovens pilotos testou com um monolugar de F1 antes de entrarem no Grande Circo. Albon não. A primeira vez que testou com um F1 foi no teste de inverno em Barcelona, já “a doer”.
O desafio que tinha pela frente era muito maior que o dos outros rookies nesse ano. E em seis meses provou que tinha talento e qualidade para a F1. Infelizmente esse sucesso precoce não lhe trouxe o que merecia. A saída de Daniel Ricciardo colocou um problema à Red Bull que deixou de ter tempo para deixar desenvolver os jovens na Toro Rosso, com Pierre Gasly a pagar uma fatura amarga. Alex Albon, o mesmo que apenas tinha menos de seis meses de experiência, foi chamado para se juntar a uma equipa completamente virada para Verstappen, com ambição de lutar pelo título. E as primeiras impressões foram boas. Aliás, Albon foi o rookie do ano pois teve uma ascensão meteórica e nunca acusou a pressão, fazendo sempre boas exibições, especialmente após erros. O problema foi o ano seguinte em que a sua irregularidade o impediu de ajudar a equipa como quereria.
A Red Bull apoiou Albon e fez quase tudo o que podia para que o jovem ficasse… apenas não fez o mais importante: não teve paciência para deixar que crescesse ao chamá-lo da Toro Rosso, assim como não teve paciência com Gasly. Não teve paciência porque procurava desesperadamente alguém que amealhasse pontos a um ritmo decente, algo que Pierre Gasly não conseguiu fazer e que Albon depois teve também dificuldade. Albon é também culpado e foi-lhe apresentada uma oportunidade de ouro que apenas aproveitou parcialmente. Mas há aqui um fator que deve ser tido em conta. Ao contrário de Gasly, que está a ser constantemente descartado, Albon é sempre elogiado, foi mantido na Red Bull, que tratou de lhe arranjar uma competição para se manter em forma (DTM) e agora tratou de encontrar um lugar para o seu piloto. Albon foi acarinhado de uma forma que não é muito habitual nos pilotos descartados da Red Bull. Não é fácil lembrar um piloto que tenha sido mantido depois da sua oportunidade na F1 não ter dado os frutos desejados… houve um que se manteve em moldes semelhantes que foi António Félix da Costa. O ponto em comum? A equipa quis manter ambos por perto, para qualquer eventualidade, algo que não aconteceria se não tivessem talento. Não podemos ser ingénuos e pensar que as ligações de Albon à Red Bull Tailândia não têm peso em todo este cenário, mas será essa ligação o suficiente para o manter na órbita da Red Bull desta maneira? A forma como todos falam de Albon mostra um respeito pela sua qualidade que não é fácil de encontrar.
Conseguirá Albon ser bem sucedido na Williams? É certamente uma das perguntas mais interessantes da próxima época. Trata-se do tudo ou nada para o jovem. Numa opinião mais pessoal, acredito que sim, que Albon tem mais para dar e que se a sua promoção não tivesse sido apressada, teríamos um Albon muito diferente. Basta olhar para Gasly que se tem tornado num dos melhores da atualidade. Albon já provou que pode ser rápido, que é bom nas lutas roda com roda e que tem a postura indicada para aprender. Mas será isso o suficiente? Terá Albon a mentalidade certa para singrar na F1? Essa é a grande questão. Não parece que falte talento, mas a F1 não vive apenas do “kit de unhas” e há muito mais para lá disso e é aí que as dúvidas surgem em relação a Albon. Na Williams terá o ambiente certo para crescer, mas também a pressão de substituir Russell, com a atenuante da entrada de uma nova era, que pode baralhar por completo a ordem da grelha. Conseguirá Albon aproveitar? 2022 dará a resposta.










