Durante 40 anos, Bernie Ecclestone esteve à frente dos destinos da F1. Nunca foi, de todo, consensual, mas teve o mérito de fazer crescer e tornar atrativa a competição. Hoje falou sobre o que se passou na Bélgica, afirmando que faltou coragem aos decisores para arriscar e que cada piloto deveria ter escolha se queria ou não correr.
“Eu teria dito às equipas e aos pilotos às 15 horas, ‘está a chover, estamos preparados para adiar por uma hora e esperar que o tempo mude. Mas não importa o que aconteça, a corrida começará às 16 horas e depois cabe-vos a vós participar ou não. Se quiserem correr o risco, é convosco, se não quiserem, não o façam. Se pensam que é perigoso correr com velocidade, não o façam’. Mas agora é um grupo diferente de pessoas, que não tiveram coragem e não querem correr riscos. Poderiam ter feito duas voltas, cinco voltas, 50 voltas ou nenhuma volta, mas a decisão deveria ter sido individual de cada piloto. Num desporto perigoso, as coisas podem acontecer e as pessoas podem morrer. Quando as pessoas estão a limpar janelas em grandes blocos de escritórios, o cesto pode cair e elas podem morrer. E não lhes é pago muito dinheiro para o fazerem. A estas pobres pessoas que estavam a lutar no Afeganistão, foi-lhes dito que tinham de lá ir e lutar e que a escolha não era deles. Era perigoso e muitos deles foram mortos. Se estivéssemos no exército e nos tivessem dito que temos de ir para o Afeganistão, poderíamos ter dito, ‘raio, isso não parece seguro, mas temos de ir, não temos escolha’. No caso de ontem, os pilotos tinham uma escolha. Se quisessem correr o risco de ganhar pontos, era a eles que competia. Se quisessem aguentar e fazer muito mais voltas para se certificarem de que ganhavam a corrida, então era isso que deviam ter feito”.










