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Q&A, Lewis Hamilton: “Lutas na frente? É algo que todos os adeptos querem há muito tempo”

José Luis Abreu by José Luis Abreu
29 Março, 2021
in F1, FÓRMULA 1
A A
Q&A, Lewis Hamilton: “Lutas na frente? É algo que todos os adeptos querem há muito tempo”

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Lewis Hamilton garantiu a sua 75ª vitória com a Mercedes, com um triunfo resultante duma grande luta com Max Verstappen.

Todos acham que este vai ser a primeira corrida de muitas em que vos iremos ver aos dois a lutar na frente. Lewis, foi um arranque épico. Parecia que a Red Bull tinha uma vantagem sobre vocês, mas com a vossa boa estratégia, que se pode dizer agressiva, conseguiram vencer…
“Que corrida difícil foi! Ao parar cedo sabíamos que ia ser difícil, mas tínhamos de cobrir o Max. Tiveram um desempenho espantoso durante todo o fim-de-semana. Por isso, ia ser preciso algo muito especial. Sofremos naquela última parte da corrida, e antes foi tentar encontrar o equilíbrio certo entre não forçar demasiado e ter pneus no final da corrida. Foi difícil e o Max estava em cima de mim mesmo no final. Mas eu consegui aguentá-lo. Foi uma das corridas mais difíceis que tive desde há muito tempo, por isso estou muito grato e agradecido aos homens e mulheres na fábrica e aqui também, por terem continuamente forçado os limites e nunca terem desistido, mesmo quando sentimos que estávamos atrás”.

Estás entusiasmado com a luta com Max e com a Red Bull?
“Estou, definitivamente. Todos os anos se fala de quando eu posso estar a atingir o pico e eu acho que estou provavelmente nesse pico. O Max também está a bem neste momento, por isso vai ser preciso tudo e mais, para que possamos realizar mais performances como esta. Mas nós adoramos o desafio, eu adoro o desafio, ainda adoro o que faço, por isso…”

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Esta corrida é muito importante para ti porque é a primeira vez que vences a primeira corrida da época há mais de cinco anos, penso?
“Nem sequer tinha pensado nisso. Mas foi muito difícil. É realmente um bom começo para nós. Depois dos testes, pensámos que íamos estar seis a oito décimos atrás, por isso o trabalho que se realizou na última semana foi espectacular. Estou orgulhoso”.

Aquelas últimas voltas foram cativantes de se ver. Alguns observadores diriam que foram as melhores voltas que viram na Fórmula 1. Podes dar-nos uma ideia de como foi no cockpit?
“Foi horripilante! Não foi fantástico. Eu estava obviamente com dificuldades no final com a traseira do carro, os pneus traseiros tinham ‘rebentado’. Eram talvez oito ou 10 voltas mais velhos que os pneus do Max, por isso sabia que ele me ia apanhar e sabia que ia ser praticamente impossível segurá-lo atrás, o que foi, até ao incidente da Curva 4. Depois disso, não conseguia acreditar que estava a mantê-lo atrás de mim. Consegui mantê-lo no meu rasto, ele estava mesmo atrás de mim, e isso significava que era difícil para ele aproximar-se e acabou por sair largo em algumas curvas, o que me deu um pouco de vantagem. É um caminho difícil de seguir.

Em que momento pensaste “consegui”?
“Provavelmente a duas voltas do fim ou talvez a última volta. Penso que foi na última volta. O Bonno continuava a dizer-me quantas voltas faltavam. ‘três voltas, duas voltas’, e eu disse-lhe ‘eu sei contar! Consegui’. Ele estava nervoso. Estou grato pelo Bonno, ele é paciente comigo.
Acho que foi na última volta, assim que saí da Curva 4 soube que estava numa boa posição. Mas depois, na Curva 10, o nervosismo na 11, o excesso de velocidade na 13, que é muito má, e eu estava a pensar ‘é isso, ele apanhou-me mesmo agora’. Mas penso que ele sofria do mesmo”.

Gostaste dessas últimas voltas ou foi demasiado intenso?
“Não, adorei cada minuto. Saber, para nós, como equipa, que estávamos atrasados no desempenho, ter este resultado, dado que não fomos os mais rápidos este fim-de-semana, é excelente.”

Em todos os anos que a Mercedes dominou durante esta era turbo-híbrida, tivestee um par de épocas, 2017, 2018, em que parecia teres uma luta nas mãos, particularmente com o Seb e a Ferrari. Será que isto parece ter as características para ser a época mais equilibrada para ti?
“Sinceramente, não me lembro como as outras épocas foram exactamente equilibradas, mas esta começou como uma das mais difíceis, se não a… Penso que o ritmo da Red Bull é incrivelmente forte, como puderam ver. Não podemos igualá-los na qualificação, neste momento. É um grande, grande passo para nós, mas obviamente pensei que poderíamos chegar mais perto na corrida – mas isto foi um pouco equilibrado demais para o meu gosto. O que se passa é que não sabemos quão melhores eles estarão noutros circuitos – ou quão piores, ou quão bons… talvez o nosso carro seja melhor noutros circuitos do que aqui, ou talvez seja pior, vamos esperar e descobrir. Uma coisa é certa, trabalharemos o máximo que pudermos para o melhorar”.

Disseste como foram duras aquelas voltas finais, mas qual foi a sensação? Tinhas de ser paciente para teres a certeza de que os pneus duravam até ao fim, sabendo que um carro mais rápido vinha atrás de ti?
“As paragens que fizemos estavam previstas, mas fizemo-lo cedo, tendo em conta o carro que tínhamos em termos de consumo de pneus, e eu estava a pensar ‘Céus, não há maneira de conseguirmos fazer isto com estes pneus a caírem’, particularmente nas últimas 10, 15 voltas. Por isso estava a tentar, este não é o meu primeiro ‘rodeo’, estava a tentar encontrar o equilíbrio certo: não tirar muito dos pneus mas também não fazer o mesmo tempo que ele, porque, quando ele fosse às boxes, iria ser muito, muito mais rápido com pneus novos, por isso estava a tentar ultrapassar esse intervalo para cerca de 10 segundos. Penso que ele regressou à pista e estava cerca de oito segundos atrás, e começou a reduzir essa margem, muito, muito depressa. E depois estagnou por um momento. Acho que nessa altura consegui acelerar o ritmo, mas depois os pneus começaram também a cair novamente. Quando a equipa me disse que ele nos ia apanhar a dez voltas para o fim, eu sabia que éramos alvos fáceis nessa altura, mas tentei permanecer positivo e tentar ser tão perfeito quanto possível”.

Os adeptos da Fórmula 1 estão obviamente a ficar bastante entusiasmados com a perspetiva de vocês dois lutarem pelo campeonato durante o resto do ano. Quão excitante é a perspectiva para ti, achas que isto poderia ser o início de uma das grandes rivalidades da F1?
“Sim, estou super entusiasmado e super feliz pelos adeptos, que estão entusiasmados. Penso que é algo que todos os adeptos querem há muito tempo. Claro que esta foi apenas uma corrida, por isso não sabemos o que o futuro reserva. Mas vamos trabalhar o máximo que pudermos para tentar ficar perto nesta batalha e espero que muitas mais destes tipo de corridas com o Max e o Valtteri. Há ainda um longo caminho a percorrer, 22 corridas! Estarei ‘velho’ no final disto!”

Sobre o que aconteceu na Curva 4. Disse-se que o limite da pista era inconsistente e que houve regras diferentes em alturas diferentes. Como encaraste a situação dos limites da via na Curva 4?
“Penso que é uma situação difícil. Foi muito confuso. A maioria das pistas não nos é permitido colocar quatro rodas fora da linha branca, mas este fim-de-semana naquela curva em particular não nos foi permitido na sexta-feira. Na verdade, podia-se colocar duas rodas fora da linha, mas não se podia passar da parte azul e branca, mas na corrida pôde-se, e é isso que tinha sido escrito ao entrar para a corrida. Mas é uma curva bastante diferente quando se tem de fazer de uma ou outra maneira em termos de aproximação, e é mais rápido quando se pode sair, mas então qualquer que seja o limite quando se está a ultrapassar? Não é permitido ultrapassar a pista, mas a meio da corrida, basicamente mudaram de ideias e, de repente, não era permitido sair dessa linha branca, o que para mim está bem.
Na verdade… acho que foi mais rápido no final para mim, ajudou-me a cuidar dos pneus, por isso estou grato pela decisão e, em última análise, significou que o Max não foi capaz de ultrapassar a pista”.

José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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