A nova pista de Jeddah na Arábia Saudita redundou num rol de críticas devido à rapidez e fluidez do traçado, com muitos a duvidarem existirem ali bons pontos de ultrapassagem. No passado recente, as pistas foram orientadas para um filosofia que se baseava num conceito simples: uma curva lenta de entrada numa reta longa e uma forte travagem, e preferência para um gancho. Mas a nova pista de Jeddah não tem nada disso. Daí as dúvidas. Mas talvez isso tenha sido também resultado das boas corridas que se viram o ano passado em diversas novas pistas, incluindo a portuguesa.
É verdade que na prova portuguesa, quando Lewis Hamilton se adaptou ao piso escorregadio das primeiras voltas, entrou num ritmo que lhe permitiu não voltar a passar “cartucho” a ninguém, mas nos lugares seguintes houve grandes lutas. E foi assim em Mugello, Portugal, Imola, Turquia. Não foi por acaso que Portugal foi a terceira corrida mais vista do ano.
Mas é curioso que, tendo em conta a filosofia da da F1, curvalenta/reta longa/travagem forte para gancho, a versão do Autódromo do Algarve que existe com o gancho, não tenha sido escolhida o ano passado. A decisão causou inicialmente alguma estranheza e preocupação em algumas pessoas, porque como está, a ultrapassagem já tem de vir consumada da reta na curva um (potenciada por uma parabólica fantástica), embora depois, se chegue bem mais depressa ao gancho da curva três, e aí pode-se fazer mais do que uma trajetória, como se viu na corrida de outubro passado, sendo mesmo um bom ponto de ultrapassagem.
Todos sabemos que a corrida ficou no ‘goto’ de quase toda a gente, porque a pista é fantástica e há muitas zonas onde pode haver boas lutas e ultrapassagens, se houver atrevimento. E o que não falta são pilotos atrevidos na F1. É uma das vantagens que tem a pista de Portimão.
O traçado pode ser interpretado de formas diferentes pelos pilotos, e por isso se viram muitas ultrapassagens. Portimão tem ainda a vantagem de não ter uma configuração plana, pois a inclinação, as linhas de visão dos pilotos, são importantes no desenrolar de uma corrida.
Esta diferenciação com traçados que desafiam bem mais os pilotos, pode ser uma mudança de filosofia.
Até mesmo Imola devolveu uma boa corrida. Mugello foi fantástico, Portugal, idem, na Turquia é verdade que a chuva ajudou a uma grande corrida, mas a pista só por si é muito interessante.
E para o ano teremos carros que podem andar mais juntos uns dos outros…









