Nem sempre o talento é recompensado com os louros merecidos. Nem sempre a determinação e a coragem acabam em vitória. Nem sempre a vida parece justa. Mas no final a justiça aparece de uma forma ou outra.
A história de Villeneuve é um pouco assim. Um talento enorme que não conseguiu reflectir esse talento em títulos. Mas que a justiça da vida e do desporto fez questão de compensar com um lugar na história do desporto motorizado.
Os números são injustos com o talento do canadiano. É certo que só venceu 6 vezes mas o que mostrava em pista era muito mais que isso. Uma força de vencer, uma capacidade de luta, uma vontade de ir cada vez mais rápido e uma espetacularidade que lhe rendeu muitos fãs. Muitos dirão que era vontade a mais. Que foi esse estilo, sempre agressivo, sempre no máximo que o impediu de ganhar mais vezes. Também teve o azar de conduzir carros que quase sempre eram muito inferiores aos dos rivais. Mauro Forghieri, que desenhou vários carros para a Ferrari afirmou que Villeneuve era capaz de colocar carros em posições onde não mereceriam estar.
Prost na altura disse que Gilles foi o “último grande piloto. Nós somos apenas bons profissionais”.
“Nenhum ser humano é capaz de fazer milagres, mas Gilles faz-nos desconfiar disso” disse Jaques Laffite.
Para a história fica o talento de um piloto que nunca conseguiu ganhar o merecido título, talvez por ter sempre conduzido no limite. E naquela altura o limite era muito estreito, a margem de erro era mínima e o erro pagava-se muito caro. Ainda assim o canadiano nunca deixou de acelerar. Para além disso será sempre lembrado como um homem de bom carácter, simpático e embora muito competitivo, sempre leal com os adversários. Gilles Villneuve será sempre um dos grandes nomes da F1.











