Nuno Jorge, Presidente do Clube Automóvel da Marinha Grande e a equipa que dirige esforçaram-se muito para oferecer aos adeptos, em tempos de pandemia, uma prova que pudessem seguir de casa, com Live Stream e entrevistas em direto do Parque de Assistência e com convidados em estúdio. Mas a sorte não quis nada com eles e caiu-lhes em cima uma enorme tragédia, com a morte duma jovem na flor da idade. Falámos com um Nuno Jorge muito emotivo, mas que deu o peito às balas. Naturalmente triste, mas de consciência tranquila: “Confesso que falar deste assunto neste momento é complicado nesta altura, o único conforto que temos aqui e estou a falar do CAMG e de toda a sua direção, Comissão Desportiva e a parte que está a organizar, é o facto de termos a consciência de ter feito tudo bem feito. Chegámos no mínimo tempo possível para conseguir salvar, o embate foi muito forte, nitidamente, e penso que não foi imediato foi muito próximo do imediato. Não se conseguiu reanimar, chegaram a lá estar quatro equipas médicas, chegou a lá estar o helicóptero para a levar, a VMER, tudo, mas não se conseguiu. E custa muito” começou por dizer, explicando depois os momento difíceis que culminaram com o cancelamento da prova: “Obviamente que quando acontece uma coisa destas é a primeira coisa que pomos em cima da mesa. Mas também não quisemos tomar uma decisão errada. Foi tudo ponderado, falei com todos os agentes envolvidos, desde Proteção Civil, GNR, CODIS, o Colégio de Comissários, fui ter com os pilotos. Estávamos a fazer um Live Streaming em direto, em que investimos muito, foi uma coisa bem feita e estava a correr bem, mas tudo isso deixou de ter importância, e tudo acabou por ir por água abaixo da pior maneira, e custa muito. Depois de ter falado com essas pessoas todas, a decisão só podia ser esta. Esta é uma decisão com a qual estamos confortáveis, é o mínimo que podíamos fazer. E devo salientar o seguinte. Eu quando falei com os pilotos, à entrada da especial 4, eu tive o cuidado de lhes pedir para irem em fila como forma de homenagear, sei lá, homenagear qualquer coisa, chamemos-lhe o que quisermos. Via-se da cara deles que iam sentidos”, disse.
Ouvimos muita gente no Parque de Assistência, e uma das críticas que mais se ouvem é a excessiva rapidez dos troços: “Estou de consciência tranquila. Temos troços rápidos, aquela zona não estava sequer referenciada como perigosa, para nós. A zona que tínhamos referenciado como perigosa, tínhamos quatro câmaras a vigiá-las, e aí sim, estávamos com algum receio dessa parte mais rápida. Agora isto não teve nada a ver com a rapidez dos troços.
Se quiserem colocar a questão por aí, podem colocar, mas não tem nada a ver. É um momento muito triste e logo no ano em que fazemos 50, ainda custa mais, mas isso não é nada comparado com o que aquela família está a sofrer. Por isso não estamos bem. Eles não estão. Daqui a uns dia nós estamos, quase bem. Mas eles não estão…”









