Todo o desporto, incluindo claro o ‘motorsport’ desespera por ação e nos últimos dias tem vindo a crescer um forte sentimento de que já começa a ser tempo de voltar a haver ação. Há modalidades em que isso será mais fácil do que noutras, mas a Fórmula 1 está a preparar-se para arrancar em julho.
Já faltou mais! É com esta vontade e convicção que os adeptos dos desportos motorizados começam a ver alguma luz ao fundo do túnel, já que as declarações do Presidente da FIA, Jean Todt vão no sentido de que a fórmula 1 se está a preparar para ter corridas já em julho, caso, a Covid-19 evolua positivamente tendo em conta o ponto de vista do ser humano. Ainda que as coisas em Portugal estejam a melhorar a pouco e pouco, isto sem terem atingido, sequer perto, a gravidade que tem tido noutros países, todos sabemos, que em Portugal, no resto da Europa e no Mundo esta luta está muito longe de estar ganhar, embora estejamos a recuperar – pelo menos na Europa – terreno ao vírus.
Sabendo que não pode haver facilitismos, e numa altura em que estamos a chegar perto da altura em que alguns governos e administrações locais de saúde estão a ‘abrir’ os países a pouco e pouco, isso são boas notícias, porque de algum modo abre também a esperança de que falte pouco para que o desporto se faça sentir novamente, se não em toda, em boa parte da sua força.
O futebol ao vivo deverá regressar aos ecrãs em meados de maio, e outros desportos poderão seguir-se em breve, ainda que com um regresso mais lento, até por todas as contingências que o envolve.
Os especialistas em saúde pública sabem perfeitamente os riscos que cada caso acarreta, e será nesse contexto que as diversas modalidades irão reaparecer, a conta-gotas. Esquecendo os restantes desportos, a Fórmula 1 está a desenhar planos para arrancar em julho com Grandes Prémios à porta fechada, e com todos os cuidados sanitários assegurados para todos os elementos que são estritamente necessários para fazer realizar o ‘grande circo’. Sem público nas bancadas, naturalmente, mas com muitos milhões em todo o mundo a ver pela TV.
Mesmo não sendo a situação ideal, porque todo o qualquer ‘ajuntamento’, nem que seja numa ida às compras, pode redundar sempre em risco de contágio, com isso em mente, o que há a fazer passa por reduzir ao mínimo as hipóteses de algo suceder, sendo que do ponto de vista do adepto, seria um mal menor, não haver público nas bancas, pois na F1 o que verdadeiramente interessa, aos adeptos, aos pilotos e às equipas é o que se passa em pista. E se isso puder ser assegurado, será aí que se começa a dar a volta.

Ralis e TT bons para o distanciamento social
Claro que a questão dos ralis e todo o terreno é um pouco mais complicada, mas não muito. Ao contrário da F1 e da velocidade em geral, que é circunscrita a uma pista e a um complexo adjacente, em que é mais fácil controlar o acesso de quem não for estritamente necessário para a realização do evento, já os ralis e o todo o terreno espalham-se por áreas bem distintas e isso embora possa parecer que encerra problemas um pouco maiores, a verdade é que os ralis e o TT são as disciplinas perfeitas para poder haver um bom distanciamento social, embora neste caso seja preciso boa informação ‘para fora’ e a compreensão dos adeptos face às medidas a tomar.
Ou seja, se daqui a algum tempo será possível ter carros em
pista, e fazer ralis e todo o terreno poderá ser um pouco mais complexo, já que
não há grande forma de controlar grandes ‘ajuntamentos’ na estrada, e portanto será
preciso apelar ao cuidado dos adeptos, pois basicamente terão de ser eles a
cuidarem-se.
Mas a verdade é que enquanto num estádio nada há a fazer, num rali as pessoas
têm muitos quilómetros para se espalharem. Se até aqui se pedia aos adeptos
para se juntarem em zonas espetáculo, agora vai pedir-se para se distanciarem
uns dos outros. Se o fizerem, vai poder haver ralis.
Vão certamente ser proibidos os ‘ajuntamentos’, todas as forças de segurança vão ter esta questão em mente e vão impedir esses tais ‘aglomerados’, mas para já há que esperar pela decisões das autoridades de saúde pública e do Governo, para sabermos exatamente o que esperar.
Sabe-se que o estado está a ponderar como irá realizar esta abertura e como é lógico, tem que olhar para toda a sociedade e não somente o desporto, e neste caso o ‘nosso’ desporto vai ter que esperar pela sua vez.
Voltando ao detalhe do ‘nosso’ meio, por exemplo, os ralis dificilmente podem ter super especiais, haverá certamente indicações para que os parques de assistência se façam em zonas bem mais amplas, e para já não se pensa em vedar o acesso ao público – bem pelo contrário, como explicámos – embora se tenha que ter cuidados a este nível.
Ou seja, vai ser possível ter competições, mas isto é apenas um dos ‘lados’ do problema, pois a FPAK tem que lidar com a outra questão que é bem mais complicada: os calendários. Não será fácil recuperar as provas perdidas, e também não será fácil que todas as previstas se realizem, e aqui estamos só a
falar dos ralis, pois no TT, com os ajustes que já se perceberam tendo em conta a forma como o calendário já foi reajustado. Seja como for, ainda é cedo para conjeturas, pois só daqui, mais ou menos, a duas semanas, Ni Amorim e a FPAK estarão em condições de dizer mais. O Autosport sabe que a federação está a trabalhar, mas para já não há muito a dizer. quando houver, iremos ter aqui o presidente Ni Amorim a contar-nos tudo no maior detalhe.

Um caminho
Alejandro Agag, CEO e fundador da Fórmula E tem sido uma voz bastante esclarecida nestes estranhos últimos tempos. Numa altura em que ninguém tem certezas de nada relativamente ao futuro próximo das competições motorizadas, Agag lembra uma coisa muito importante e que faz todo o sentido: Se as pessoas têm que ficar em casa ‘confinadas’, não há nada melhor do que lhes ‘dar’ desporto na TV para se distraírem: “Mesmo que seja à porta fechada, e penso que teremos de o fazer à porta fechada, as pessoas precisam de entretenimento enquanto estão em casa. Se lhes dermos futebol, se lhes dermos desporto automóvel, se lhes dermos razões para ficarem em casa, ficarão mais felizes em casa. Se não lhes dermos nada, se não os entretermos, o risco de as pessoas quebrarem o confinamento é muito maior”, disse Agag.
Não é difícil perceber que o desporto tem de regressar o mais depressa possível, e criando condições para isso neste batalha mundial contra a Covid-19, fazê-lo à porta fechada é menor dos males: “Espero que o desporto à porta fechada não seja o futuro, porque esse seria um futuro triste, mas a curto prazo, é a única forma e parece que vai ser a única ainda por algum tempo”, disse.
Claro que neste caso Agag refere-se não só à ‘sua’ Fórmula E, mas também à F1 e a todo o desporto que for possível passar na TV. E, parece-nos a nós tem toda a razão, o desporto é um veículo muito importante para ajudar as pessoas a passar melhor por esta pandemia.









