O presidente da FIA foi criticado pelos comentários recentes em que defendeu o alargamento do calendário da F1.
Segundo o responsável do orgão máximo do automobilismo mundial, as pessoas que trabalham na F1 têm sorte por estar ali e que, por isso, não deveriam queixar-se do aumento do número de provas:
“Eu acho que, incluindo vocês [os media], nós [a FIA] e eu, por outras razões, somos abençoados por estar num mundo em que amamos o que fazemos”, disse Todt na Motorsport Week. “Temos a paixão, somos privilegiados, quem está na Fórmula 1 é privilegiado. Quando eu estava noutras posições, trabalhava 18 horas por dia, seis ou sete dias por semana, porque tinha uma paixão e queria resultados. Claro que se vocês tem uma família, eles entenderão, e vocês não farão isso toda a vida.”
Claro que estes comentários provocaram algum desconforto em alguns membros das equipas que trabalham na F1. O engenheiro da Haas, Robert Dob, sugeriu que os comentários de Todt são descabidos:
“Segundo ele, devemos estar felizes por não ver nossos filhos”, disse Dob ao UOL Esporte do Brasil. “Isso é um ultraje. Esta é a opinião de uma pessoa que vem à corrida na sexta-feira e sai no domingo. Ele não passa tanto tempo na pista quanto nós. Muitos de nós fazemos isso há anos, e encontrar outro emprego não é fácil. ”
Trabalhar na F1 é o sonho de muitos. Mas trabalhar num desporto de alta competição exige esforço, muito trabalho e alguns sacrifícios. Pessoalmente creio que os sacrifícios que a maioria dos que lá trabalham são suficientes e não deveriam estar sujeitos a uma carga extra de corridas. 20 corridas por ano é um número muito aceitável e já é duro para as pessoas que trabalham no grande circo. Mais que isso é pedir em demasia a quem já dá muito. Trabalhar na F1 pode ser um sonho, mas é também um sonho de muitos ter uma família, um lar onde regressar, com tudo o que isso implica. Gostar de F1 e gostar de corridas não deveria exigir tanto, especialmente de quem já dá muito.











