Quem conhece, nem que seja um pouco, a história do Rali de Portugal, sabe bem a importância que Arganil teve para a prova. O seu regresso em 2019 ao percurso da prova, cura uma ferida que se abriu com a despedida em 2001. Em 2015, quando o ACP levou novamente a prova para o Norte, depressa Carlos Barbosa sentiu a necessidade de incluir Arganil no rali, pois sabe bem a importância que tem.
Tal como aconteceu enquanto esteve no Algarve, o Rali de Portugal nunca esteve mal, mas sempre se sentiu faltar qualquer coisa. Quando voltou para a o Norte, muito dessa sensação esbateu-se, com o regresso a palcos míticos do passado, Fafe, Cabreira, Marão, Ponte de Lima, mas continuava a faltar qualquer coisa, e essa ‘coisa’ é Arganil.
Não se tratam só dos épicos duelos ali vividos naquelas estradas, ou da dificuldade das próprias estradas em si, é tudo o que rodeava a passagem do rali por Arganil. As noites de março no frio da Serra, os milhares de fogueiras, o cheiro a bifanas, os que bebiam tanto, que perdiam o mais importante, os carros a passar. Mas há mais algum desporto em que os seus adeptos passem tantas privações, ou andem tão cansados, quanto felizes, como nos ralis? Esta modalidade é especial, e Arganil tem grandes culpas nesse ‘cartório’. Há como se sabe, vários outros grandes locais míticos do Rali de Portugal, todos eles também com grande tradição, mas Arganil em nada lhes fica a dever, e a atual geração de pilotos do WRC vai finalmente poder sentir a aura daqueles troços.











